July 1, 2009

190 Km/h é relativo?

Alguns dias atrás o pedaleiro divulgou um vídeo, já bastante notório, com uma perícia contratada para reconstituir o acidente com o ex-deputado Ribas Carli Filho (PSB).

A perícia foi solicitada pela família Yared, de uma das duas vítimas do acidente. Além de afirmar com dados factuais que as câmeras de segurança que flagraram o acidente foram adulteradas (o vídeo mostra isso de forma rigorosa), a perícia chegou ao resultado: o deputado seguia a aproximadamente 191Km/h.

No dia 22/6 a polícia realizou a reconstituição oficial. Estipulou-se o prazo dos resultados em 30 dias. A mãe de uma das vítimas, Cristiane Yared, manifestou o tom: "Tem um deputado que não lembra de nada, um delegado que não sabe de nada e um hospital indiferente. É tudo muito estranho".

Segundo esse mesmo informe da reconstituição feito por João Varella, o perito contratado pela família Yared avaliou a perícia oficial como satisfatória. Dado o encaminhamento da investigação, provavelmente não haverá, segundo ele, "divergência significante".

Dados os termos, chegamos a uma questão controversa, que o resultado da perícia oficial poderá responder. No dia do acidente, diversas testemunhas afirmaram encontrar o velocímetro do carro do deputado travado em 190 Km/h. Uma das testemunhas é o reporter da Banda B, Sidnei Alves, que afirmou (segundo Fabio Campana) ter visto tal marca. Mas de repente os dados mudaram: o delegado Armando Braga, responsável pelo caso, declarou que o velocímetro estava zerado após o acidente. E em outra ocasião, a Secretaria de Segurança pública divulgou um documento declarando não haver testemunhas desse fato específico.

Mas os fatos colocam a pergunta: se testemunhas viram o velocímetro travado em 190 km/h, e se a perícia contratada constatou a velocidade de 191,5 Km/h, em que se baseou o juízo do delegado, afirmando que o velocímetro estava zerado? A perícia contratada - caso correta - prova que os relatos testemunhais de "190 km/h" não foram uma ficção, uma constatação, mera impressão. Reunindo todos os dados (pelo menos os oferecidos pela imprensa), há algo muito discrepante.

June 30, 2009

A Mitologia dos Instintos

 http://eduardo.mahieu.free.fr/2008/binswanger_gif.jpeg

"Sempre tivemos o pressentimento, escreve [Freud] aos setenta e seis anos, que atrás desses inumeráveis instintos pequenos se oculta algo grave e poderoso, algo a que desejamos nos aproximar com cautela. A teoria dos instintos é, por assim dizer, nossa mitologia; os instintos são seres místicos grandiosos em sua indeterminação. Em nosso trabalho não podemos retirar a vista deles por um instante sequer, e não obstante, nunca estamos seguros de vê-los com claridade".

Aqui vemos o incessante assombro do investigador da natureza ante a gravidade e o poder da vida e da morte a ela imanente, o assombro diante de uma vida que, como pensou Freud, "todos sofremos muito", sofrimento para o qual não há compensação nem consolo, mas cuja tolerância segue sendo "o primeiro dever de todos os seres vivos". Só é possível cumprir com esse dever se nos orientamos até a morte, si vis vitam, para mortem, pois a vida se nos faz mais "suportável" quando concedemos mais valor à verdade, em particular frente à morte. (BINSWANGER, L. La Concepción Freudiana del Hombre. Articulos y Conferencias Escogidas. Madrid: Gredos, s/d)
 
 
 http://i6.photobucket.com/albums/y201/cosmorama/fernandopessoa.jpg
 “… o mundo, monturo de forças instintivas, que em todo o caso brilha ao sol com tons palhetados de ouro claro e escuro. (…) Um terramoto e um massacre não têm para mim diferença senão a que há entre assassinar com uma faca e assassinar com um punhal. O monstro imanente nas coisas tanto se serve – para o seu bem ou o seu mal, que, ao que parece, lhe são indiferentes – da deslocação de um pedregulho na altura ou na deslocação do ciúme ou da cobiça num coração”.
 
“há momentos em que a vacuidade de se sentir viver atinge a espessura de uma coisa positiva. Nos grandes homens de ação, que são os santos, pois que agem com a emoção inteira e não só com parte dela, este sentimento de a vida não ser nada conduz ao infinito. Engrinaldam-se de noite e de astros, ungem-se de silêncio e de solidão. Nos grandes homens de inação, a cujo número humildemente pertenço, o mesmo sentimento conduz ao infinitesimal; puxam-se as sensações, como elásticos, para ver os poros da sua falsa continuidade bamba. E uns e outros, nestes momentos, amam o sono, como o homem vulgar que nem age nem não age, mero reflexo da existência genérica da espécie humana. Sono é a fusão com Deus, o Nirvana, seja ele em definições o que for; sono é a análise lenta das sensações, seja ela usada como uma ciência atômica da alma, seja ela dormida como uma música da vontade, anagrama lento da monotonia”.
 
(…) “A persistência instintiva da vida através da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consciência serve somente para me destacar aquela inconsciência que não disfarça.
Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes - não porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.
Vislumbres de ter a ilusão - tanto, e não mais, tem o maior dos homens.
” (Livro do Desassossego, nº 133, 155 e 149)

June 25, 2009

Freud Além da Alma (1962) e novos recursos

Achado no Archive.org:

Junto com Copérnico e Charles Darwin, Freud revolucionou a maneira do ser humano ver a si mesmo dentro do infinito Universo. Ao afirmar que as ações e os desejos humanos não são frutos da vontade e da vaidade humana, mas sim do nosso inconsciente, Sigmund Freud abalou o mundo científico e criou uma nova maneira de entender a psique humana. Em "Freud - Além da alma" (1962), John Huston pretende mostrar como as teorias freudianas esboçam a própria vida de um dos maiores gênios da Humanidade. Ansioso em obter respostas plausíveis para aplacar o sofrimento de seus pacientes, Freud enveredou-se à doutrina de Charcot e utilizou-se da hipnose em seus estudos sobre histeria. Embora seus estudos encontrassem a resistência da ala conservadora da Medicina, que via nas teorias de Freud uma ameaça à primazia do ser humano, Freud prosseguiu em sua linha de pensamento e descobriu que o ser humano é dividido entre o Consciente e o Inconsciente, lançando as bases da Psicanálise. Huston, baseado no roteiro escrito pelo filósofo Jean-Paul Sartre (que não consta nos créditos do filme), evitou o risco de fazer uma caricatura de Freud e não abordou a sua vida pessoal, restringindo-se aos seus estudos psicanalíticos. Opção acertada do diretor, pois sua produção não cai na mesmice de filmes meramente biográficos, que se baseiam em informações fragmentadas sobre a intimidade de um personagem histórico e acabam criando indiscriminadamente um mito. É interessante observar como Huston conseguiu articular as descobertas de Freud com as próprias experiências pessoais do psicanalista, como a teoria que desenvolveu sobre o Complexo de Édipo, fundamentando-se na relação com seu pai morto. Com uma linguagem metafórica e onírica, Huston mostra o conflito interior que viveu Freud enquanto tentava penetrar no obscuro inconsciente de seus pacientes, pois temia encontrar o inefável, o impensável. Na verdade, Freud temia encontrar a sua própria essência. Com um elenco notável encabeçado por Montgomery Clift, Susannah York, Larry Parks e David McCallum, "Freud - Além da alma" é um filme acadêmico, inteligente e instigante, que nos permite uma melhor compreensão das teorias freudianas sobre o funcionamento do inconsciente humano e da irrupção do pensamento psicanalítico na sociedade vienense e, depois, no mundo. Um filme tão genial quanto o legado de Sigmund Freud, com legendas em português.

Pode-se fazer o download do filme em diversos formatos, e ainda assistir no próprio site.

O Archive.org tem divulgado ultimamente verdadeiras raridades de domínio público (para além das costumeiras). E para melhorar, também adiciona novos recursos. Para quem pesquisa textos, o recurso "read online" permite visualizar o documento sem precisar "baixar". Algo que completa a já disponível visualização em arquivo de texto.

Para quem não costuma acessar, isso significa o seguinte: esse fabuloso arquivo virtual dispõe de diversas edições originais escaneadas. Muitas vezes os arquivos ocupam muito espaço e demoram para download, então o usuário pode tanto pré-visualizar o livro em formato texto (opção antiga), quanto na própria imagem original (opção nova). Muito bom!

Em via contrária, a Gallica (da Biblioteca Nacional da França) complicou a acessibilidade, com sua nova plataforma. Atualmente é mais difícil pesquisar, e a plataforma exige maior envolvimento do usuário.

O portal francês adicionou uma nova vantagem: vinculou-se com diversas editoras e arquivos on-line. Mas, contra a acessibilidade, muitas dessas editoras e arquivos exigem pagamento para acesso parcial ou completo.

Ponto para o Archive.org.

June 22, 2009

Watergate tupiniquim

O explosivo escândalo dos candidatos curitibanos a vereador (PRTB) que desistiram das candidaturas para apoiar o prefeito re-eleito Beto Richa (PSDB) em troca de vantagens - às vezes financeiras - já rendeu um nome bastante sugestivo na mídia paranaense: "Watergate Manassés".

O nome é muito interessante. Inclusive essa racionalização do acontecimento, dada por alguns jornalistas, tem algumas ressonâncias com outra declaração da semana passada, de José Sarney: a crise do Senado, segundo ele, se deveria a "um período de exaustão do modelo de democracia representativa".

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June 19, 2009

Compilação inédita de Wittgenstein por um professor brasileiro

O prof. João Carlos Salles, da UFBA, lançará hoje uma nova tradução de Anotações sobre as cores, de Wittgenstein [pesquisa de preços e link na Cultura].

A tradução tenta completar e suprir as imprecisões de outro trabalho anterior, parcial e mal estabelecido.

Informe sobre o lançamento do livro, e comentário de Salles sobre a edição.

Jornalistas “entrevistam” piratas somalis

A BBC acabou de publicar reportagem na qual um correspondente “fala” com piratas somalis presos. Apesar da brevidade da “conversa” e do tom suspeito (para não dizer ingênuo) do jornalista, os piratas continuam defendendo seu ponto de vista.

Qual é ele? Apenas vendo o tom da “entrevista” para compreender.

Ponto para Johann Hari, que pelo menos fornece mais detalhes do que o mero achismo do certo e do errado.

Novidades sobre o cérebro de Einstein e ilusões visuais

Da Mente e Cérebro:

Os estudos sobre o cérebro de Albert Einstein (1979-1955) não desvendaram, como muitos esperavam, a anatomia da genialidade. Pelo contrário. Saber que o órgão pensante do cientista pesava pouco menos que a média do cérebro de um homem adulto e tinha o córtex mais fino, porém com maior densidade de neurônios, só intrigou ainda mais os neurocientistas.
 
Agora um grupo de paleontologistas da Universidade da Flórida identificou mais uma peça desse quebra-cabeça. Paleontologistas? Sim, e acostumados a analisar cérebros antigos e nas mais adversas condições. Vale lembrar que o cérebro de Einstein há tempos não é mais um órgão intacto. Os pesquisadores usaram técnicas paleoantropológicas para analisar fotografias dele, tiradas antes de ter sido literalmente retalhado. Assim conseguiram identificar alterações que até então passaram despercebidas pelos neurocientistas.
 
Os resultados indicam características incomuns no córtex somatosensorial primário e no córtex motor. “É possível que esses aspectos atípicos do cérebro de Einstein expliquem a dificuldade que ele teve na aquisição de linguagem (só superada depois dos três anos), sua facilidade para formar imagens mentais e sua habilidade precoce para o violino”, escreveram os autores. O estudo será publicado em breve na revista Frontiers in Evolutionary Neuroscience, mas uma versão preliminar já está disponível para consulta pública no link

Embora desde que se desmentiu a frenologia seja estranho reduzir aspectos funcionais a meras circunvoluções anatômicas, o informe não deixa de ser interessante. Esperemos os resultados.

Sobre Einstein, seu cérebro, ou temas correlatos, alguns textos e referências:

- O que pode um cérebro?

- Honoré Daumier - ilustrações para Nemesis Médicale (1840)

- Vídeos de Psicologia do Mr. Frogg

- O affair sobre as bases biológicas da violência

- O cérebro dos gays

- Cérebro e Singularidade

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Photobucket

Qual é homem e mulher?

E outro informe interessante: um concurso elegendo as melhores ilusões visuais de 2009.

June 18, 2009

Período de exaustão da democracia representativa

Algum tempo atrás a TV Senado exibiu um documentário sobre a história da Casa. Entre os entrevistados, José Sarney. E o tom dizia respeito a uma certa hiperbolização nos ornamentos e floreios dos discursos, enquanto efetivamente tudo se resumia ao discurso. Pelo menos segundo senadores atuais, comentando sobre o início do Senado.
 
E ontem o Hermenauta reproduziu uma entrevista com Sarney:
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June 15, 2009

O Sul do Brasil em 1942


 

O vídeo acima faz parte do "Travel Film Archive" (link imperdível!), do setor de relações exteriores do governo norte-americano. O Arquivo contém diversos filmes de conteúdo educacional ou comercial, gravados desde o início do século XX.

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June 9, 2009

Operação Angustifolia

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  Sábado de manhã, em diversos pontos da tradicional Rua XV de Curitiba, alguns agentes do IBAMA exibiam orgulhosamente troncos de Araucárias centenárias cortados ilegalmente, apreendidos na operação "Angusti-folia" (Conferir notícias).
 
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