September 2, 2010
A política despolitizada
O Fabio Campana publicou um informe, meio notícia e meio nota de apoio, sobre a intenção do candidato a governador do Paraná Beto Richa (PSDB) "despolitizar" os pedágios.
Vê-se o tom:
Beto voltou a afirmar que, ao assumir o governo, vai despolitizar a questão do pedágio, que no Paraná já foi alvo de ações eleitoreiras em duas ocasiões e nunca foi resolvido
Muito impressionado, este blog fez dois comentários. Em primeiro lugar, manifestando a surpresa: quer dizer que uma ação eleitoreira e política pretende se identificar como a-política, acusando outras ações eleitoreiras e políticas?
No segundo comentário, perguntamos a ele o que significava tal ato "despolítico". O comentário não foi aprovado. Se Campana endossa o ataque à "política" do ex-governador Roberto Requião (PMDB) acusando-a de antagônica aos pedágios, deveria justificar tal ataque e o uso de "despolítico". Requião nunca negaria que cometeu um ato "político". E ainda valorizaria a palavra.
No limite, qual ato político se classifica como "despolitizado"? É curioso um jornalista aparentemente endossar a tese simplesmente vinculando o informe, vetando ainda comentários questionadores.
Embora o post de Campana não admita, simples concordâncias assim ocultam propósitos bem políticos. Outros pretensos "administradores públicos" negam o próprio papel político em nome de discursos tecnocráticos duvidosos. Alguns meses atrás lá estava Paulo Renato, aliado nacional de Richa, querendo "despolitizar" a educação. A tecnocracia é sim um tipo de política, e bem peculiar.
Não por acaso, Renato Janine Ribeiro acabou de lançar um livro com um curioso título: Política - Para não ser idiota. O título indiretamente faz chacota de comentários como o de Richa no blog do Campana. Se não fazemos política, o que somos?
"Idiota", parece provocar o título, resvala do senso comum ao antigo uso grego. "Política para não ser idiota": ação pública para afastar aqueles que buscam apenas ganhos privados. A política visa os outros; o des-político, o "idiota", visa a si mesmo (isto é, a um conjunto de interesses que servem a certa particularidade).








