December 4, 2009

Livre iniciativa

Ninguém fala mais entusiasticamente de livre-empresa, de leis de mercado e "que vença o melhor" do que a pessoa que herdou tudo do pai (Millor Fernandes, via @meandros)

December 2, 2009

Google News, “mensalão do DEM” e 2010

Em tempos de "crise", memória curta e tentativas indigestas de generalizar o termo "mensalão" para outros escândalos (e não o contrário, notar que o "mensalão" foi mais um desses escândalos), acessar o Google News é um exercício muito interessante (para não dizer importante).

Por exemplo, um certo José Roberto Arruda. Ele renunciou o mandato de senador após o escândalo da violação do painel eletrônico do Senado (quando ainda era do PSDB e líder do governo FHC). Sua renúncia abriu caminho para a renúncia do próprio ACM (o coroné baiano até tentou culpar exclusivamente o comparsa). Nela, o que disse?

Não roubei. Não matei. Não desviei dinheiro público. Mas cometi um grande erro. Talvez o maior da minha vida.[fonte]

Após a renúncia, Arruda obteve nova aprovação do eleitorado, elegendo-se primeiramente deputado e depois governador. Em uma reportagem da Veja, ele se posiciona de um modo curioso: defende um certo "fisiologismo ético":

Em entrevista à revista Veja, em julho, intitulada “Ele deu a volta por cima”, Arruda disse que é “impossível governar sem fisiologismo”. Quando questionado sobre qual era é o seu limite em relação à fisiologia, ele respondeu:

– É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição.

Já começamos a descobrir onde foi parar a ética do fisiologismo. Mas e agora, "mensalão do DEM"? Figuras como ACM Neto tentam desmentir a expressão (será que nos próximos dias algumas emissoras não mudarão o "mensalão do DEM" para "mensalão de Arruda"?). Mas entre a renúncia de Arruda e o "mensalão" de hoje, qual o seu papel no PFL?

Tratou-se de um papel muito positivo, por sinal. Obviamente, a princípio nada além de uma simples renúncia problematizaria a posição de Arruda, certo? Notemos bem: entre a corrupção de Arruda e Arruda, a relação é de exterioridade. Tese endossada com muita ênfase por diversas lideranças que hoje discursam, com relutância, sobre sua expulsão nem tão sumária assim do partido:

Agripino avalia que o senador foi rápido no gatilho [quando renunciou] e com uma "atitude firme e corajosa, marcou positivamente seu destino e deu alívio aos seus colegas, evitando o constrangimento de ter que julgá-lo". Agripino acredita inclusive que Arruda voltará em breve para o Congresso. "Tenho sérias desconfianças que o eleitor do DF, fora do clima de emoção, vai reconduzi-lo ao Congresso no ano que vem".

"Clima de emoção": uma cortina de fumaça "emotiva" que impede o eleitor de ver a verdade. "Verdade": um Arruda livre da corrupção?

Ou então vejamos a primeira convenção nacional do PFL depois de mudar o nome. Em 2007, o partido pretendia lançar candidato para 2010. Quem estava entre os mais qualificados? Rodrigo Maia dá o tom, referindo-se também ao "fisiologismo ético":

Por ora, entre os nomes mais cotados está o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Em primeiro mandato, o ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso recebeu tratamento diferenciado. Ao anunciá-lo para falar aos convencionais, Rodrigo Maia classificou-o como último e principal orador do dia.

Teve coragem de cortar gastos e tenho certeza de que chegará a 2010 como o governador mais bem avaliado do país , disse o presidente dos democratas. Seis banners espalhados pelo Senado (local da convenção) diziam que Arruda é democrata .

O governador levou muita gente ao encontro do partido. Toda vez que seu nome era citado pelos oradores, os presentes o aplaudiam. Gritos de Arruda presidente ecoavam em vários momentos.

Ou

Ninguém vai querer disputar em 2010 se não construirmos uma base. E nomes, temos o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda… [fonte]

De 2007 para cá, o cenário talvez mudou mais do que o PFL esperava. O partido negociava com o PSDB a aliança, na qual o vice seria pefelista. Mas com o "mensalão do DEM", o PSDB do DF se retirou do governo e portanto da base de defesa de Arruda. Há quem diga que isso pode inclusive atrapalhar a aliança em 2010. A reação do PFL,  nas palavras do mesmo Rodrigo Maia que há pouco enfatizava as virtudes de Arruda, foi curiosíssima:

Na avaliação dos dirigentes do DEM, a decisão tucana serviu para aumentar o desgaste político do partido, que ficou isolado na administração do escândalo. Foi o suficiente para que o presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), atacasse o PSDB, fazendo referências às denúncias contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, que precisou usar sua força política regional para evitar o sucesso de uma CPI contra seu governo.

"Respeito a decisão de qualquer partido. Mas nós do DEM somos o único partido que está investigando as denúncias contra um filiado. O PSDB poderia ter investigado a governadora Yeda Crusius, mas não fez. Nós faremos investigação", criticou.

Maia foi mais além e se irritou com a possibilidade de o partido supostamente perder a vaga de vice numa chapa presidencial encabeçada pelos tucanos por conta do escândalo. "Se for levar em conta escândalos para definir vaga em chapa, talvez o PSDB nem pudesse lançar candidatura presidencial", atacou.

Como ler tais declarações? Elas são incríveis! Talvez elas são tão mais incríveis enquanto servem de recurso retórico e estratégico dos políticos, espécies de compromissos afirmados em posições não definitivas, quando tudo está ainda suspenso e os fins das negociações não são evidentes. Se o PSDB se distancia, as declarações se agravam; caso se aproxime, a "ordem" se restabelece.

O presidente do próprio PFL declara indiretamente que no caso de Crusius nem está tanto assim em questão problemas efetivos de seu governo, mas sim o apoio político que impediu até uma CPI. Se no RS o PFL ajudou, no Distrito Federal o PSDB não correspondeu. Entre a política e a verdade a ligação não é direta. E se levássemos isso tudo ao limite? "Se for levar em conta escândalos para definir vaga em chapa, talvez o PSDB nem pudesse lançar candidatura presidencial"!

Dada a posição do orador, quem somos nós para duvidar?

November 30, 2009

Pagamentos, imprensa e “mensalão”

Para que serve a "justiça"? Para manter a ordem, dirão alguns. Outros poderiam dizer com mais rigor: para regular as desordens. Mas ordem e justiça não se equivalem, todo mundo sabe disso. A ponto de vermos curiosas declarações de defesa como essa:

"Pelas notícias que eu tenho é material apócrifo, sem assinatura e indicação de autoria (…) Lamento que uma vez mais material confidencial seja entregue à imprensa antes mesmo que os advogados constituídos nos autos tenham ciência dele."

Tal frase é da defesa de uma grande empreiteira, após a suspeita pública e relativamente difundida de seu envolvimento até mesmo com pagamento de mesada a políticos (tal empresa presta favores privados a FHC desde o governo e financiou o filme de Lula, aspectos que de algum modo mostram sua importância evidente). Notícia de primeira grandeza: a mesma empresa financiou as últimas campanhas de um grande número de prefeitos e governadores (o leitor já viu se a empresa financiou o seu?). E para deixar mais interessante, a mesma empresa também venceu licitações para empreendimentos de primeira grandeza.

Pode-se dizer que a defesa tem razão, como efetivamente tem alguma: em uma sociedade de direito, é complicado distribuir publicamente suspeitas sem antes haver um parecer formal, certo? Complicado é, diante de tanto material "apócrifo", adotar esta mesma tese sabendo que

1) em outras situações, como a do "mensalão", o caráter de suspeita rapidamente se converteu em denúncia formal, investigação e culpa; e essa culpa espalhada pelo socius, por sua vez, rapidamente se tornou algo como um marco regulador de qualquer outro caso semelhante.

2) O caso em questão, por exemplo: alguém duvida que no caso de ampliação de sua visibilidade ele não receberá o nome de algum tipo de "mensalão", "mensalinho" e afins? Prática já consolidada, tanto para casos posteriores ao "mensalão" propriamente dito, quanto retrospectivamente, como no "mensalão" mineiro.

3) O que faz os itens 1 e 2 deporem também contra a cobertura midiática: em alguns momentos a imprensa parece imprensa, colhe informações, busca o rigor, tenta deixar de lado atalhos retóricos, para fechar qualquer brecha com dados; mas em outros momentos e sem motivo aparente os mesmos organismos midiáticos escolhem os atalhos retóricos e as desqualificações. 

4) Um grande agravante do estabelecimento da "justiça" e da investigação da imprensa é a morosidade dos trâmites legais. O caso em questão se refere aos anos 90 (para não mencionar seus efeitos hoje). Se admitimos uma situação ideal na qual a imprensa cumpre seu papel, a velocidade de apuração jurídica coloca obstáculos sérios ao exercício da imprensa. Citações como a acima rapidamente poderiam se confundir com atestados de impunidade.

Às vezes uma denúncia material é seguida com rigor até sua apuração detalhada; outras vezes uma ilação conjectural e de fonte duvidosa se transforma em denúncia com "D" maiúsculo. 

Sem contar essa generalização do "mensalão". Como se aquele, carimbado por Roberto Jefferson, servisse de paradigma originário para qualquer outro caso visto como semelhante - uma espécie de corpo estranho contingente, não coextensivo a um incorruptível Brasil. 

Se o carimbo serve de paradigma originário, as denúncias atuais ganham o mesmo nome, mas curiosamente não os mesmos ânimos.

Qual é o problema? Enquanto a imprensa - ou a justiça - não respondem, a semana passada nos deixou dois exemplares (ou pelo menos "fortes indícios" ou algo que o valha) do que agora se costumou chamar de "mensalão": tanto uma grande empreiteira investigada há vários meses, quanto o governador do Distrito Federal, são alvo de investigações sobre pagamentos indevidos a políticos.

Se a imprensa ou a justiça não possuem respostas (ou boas perguntas respondidas), não faltam versões aos contemplados. Como essa, de uma chapa recém eleita (também financiada pela empresa em questão):

Imagino que muitos desses contribuintes de campanha sejam idealistas que vêem na liderança do candidato a perspectiva de dias melhores.

 

November 28, 2009

Viajando na maionese

A semana foi agitada. Por último, mas em primeiro lugar, o ataque de César Benjamin - ou mais precisamente da Folha de São Paulo -, acusando o presidente de sodomita e estuprador:

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O "outro publicitário brasileiro" mencionado acima - Silvio Tendler - escreveu suas próprias impressões, desmentindo Benjamin:

Você estava lá? Você, o Lula, o César Benjamin, o publicitário Paulo de Tarso e o tal marqueteiro dos Estados Unidos?

Na verdade eu não me lembro é do César Benjamin lá no almoço (…) e, sim, o publicitário que ele diz não lembrar era eu. E ele, se estava lá, sabe e se lembra que era eu; não tinha mais três publicitários na campanha, portanto ele sabe que era eu quem estava lá…mas eu não sei se ele estava, não me lembro, de verdade, se ele tava na sala. Ele agora diz não se lembrar do “publicitário” porque sabe que eu não iria corroborar essa maluquice, até porque eu vi, testemunhei, a quantidade de erros, de bobagens que ele cometeu durante a campanha… (…)

Ok, esses detalhes à parte, você estava à mesa do almoço no dia da tal conversa do Lula?

Eu estava lá, sentado à mesa. Eu sou o publicitário “anônimo” que estava lá. O Lula, um cara que foi brincalhão durante toda a campanha, mesmo quando já tava tudo perdido. Eu até pensava “esse cara passa a noite pensando em como sacanear os outros”, porque todo dia tinha uma piada, um brincadeira, uma vítima de gozação… nesse dia o Lula queria chocar o tal marqueteiro americano… (…)

E o que aconteceu?

…e aí, nesse dia, o Lula, claramente num clima de brincadeira, tava a fim de sacanear, de chocar o americano com essa história dele “seco” na prisão, todos na mesa, nós todos, sabíamos que aquilo era uma brincadeira, era gozação, sacanagem, e imaginando como seria se fosse traduzido pro cara…

Você tem, teve então a certeza de que era uma brincadeira? Não teve e não tem nenhuma dúvida?

Nenhuma. Era claro, óbvio que era uma brincadeira, mais uma piada, mais uma gozação do Lula, nenhuma dúvida. E além disso a história, a cena toda não teve de forma alguma esse ar, essa dramaticidade que o César enfiou nesse texto melodramático. É incrível essa história… todos sabíamos que aquilo era uma brincadeira, como tantas outras feitas durante a campanha…

As tais “conversas de homem”…

Nem era esse clima “conversa de homem”, era brincadeira, pura gozação, nenhuma responsabilidade, nunca, nunca com esse tom de “confissão” que o Benjamin fez parecer que teve. E você acha que se isso fosse, soasse verdadeiro, todos nós não ficaríamos chocados? Todos ali da esquerda, com amigos presos, ex-presos e tudo mais, você acha que nós ouviríamos aquilo com tom de verdade, se assim fosse ou parecesse, e não reagiríamos, não ficaríamos chocados?

Na sua opinião, que conhece os personagens dessa história, o que aconteceu?

O César Benjamin guardou ressentimentos por 15 anos para agora despejar todo esse rancor. Ele pirou com o sucesso do Lula. Ele transformou uma piada num drama, vai ganhar o troféu “Loura do ano”.

O Paulo de Tarso estava lá?

Estava. E estava o americano… pensa só uma coisa: você acha que o Lula, logo o Lula, tão pouco esperto como ele é, em meio a uma campanha presidencial, vai chegar na frente de um gringo que ele mal conhecia, um gringo que vai voltar pro país dele e contar tudo o que viu, você acha que o Lula vai chegar pra um gringo que nunca viu, na frente de testemunhas, e vai contar que tentou estuprar alguém? É, foi óbvio, evidente, que aquilo era gozação, piada, brincadeira, sem nada desse drama todo do Benjamin de agora… rimos e ninguém deu a menor importância àquilo…

Você, um cineasta, um documentarista que viveu a cena, relembrando-a quadro a quadro, o que verdadeiramente pensa, o que diria hoje?

O Lula adorava provocar… era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era o marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara… como é possível que alguém tenha levado aquilo a sério?

Um dos presos com Lula, hoje presidente do PSTU (Zé Maria), também desmente:

Lula foi detido pela polícia política no dia 19 de abril de 1980 e libertado no dia 20 de maio. Nesses 31 dias chegou a dividir a cela com até 18 pessoas. Um de seus companheiros mais jovens, com 23 anos, era o atual presidente do PSTU, José Maria de Almeida - na época militante da Convergência Socialista. Ontem, após ler o artigo, ele comentou: "Tenho motivos para atacar o Lula. O seu governo é uma tragédia para a classe trabalhadora. Mas isso que está escrito não aconteceu. O Benjamim viajou na maionese. Não me lembro sequer de que havia alguém do MEP preso conosco."

E o mesmo para outro preso, Enilson Simões de Moura:

O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Enilson Simões de Moura, o Alemão, também estava na cela. Após classificar o comentário de Benjamin como “absurdo”, comentou: “O que eu lembro é que, brincando com uma bola de basquete, Lula acertou sem querer a cara do rapaz do MEP”. Não lembrou, no entanto, nome do rapaz.

A segunda crítica vem de O Globo, em um surpreendente recurso retórico da capa: Lula estimula consumo e produtos começam a faltar:

 

Dada a visível linha editorial da Globo (o privilégio pelo mote de "cortar gastos" ao invés do favorecimento ao consumo interno), as reaçoes foram imediatas (resta ver agora as associações entre Lula e Stálin). Isso, como pastichou PHA e vinculou a própria Globo, "Especialistas ouvidos pelo GLOBO já se mostram preocupados com as desonerações".

A terceira crítica ao governo foi referente a Honduras, pelas posições discordantes entre Brasil e EUA. O Jornal Nacional encarnou o parecer da Veja, sobre o "imperialismo megalonanico". Duplo recurso retórico: de um lado identifica uma espécie de "veracidade" maior no peso da posição norte-americana, deslocando a discussão sobre a legitimidade da deposição para o simples assentimento ao que os EUA decidiram; de outro lado, desqualifica qualquer posição autônoma brasileira. Isso, sem colocar em debate as consequências da posição brasileira na política externa, resumindo tudo a uma espécie de dependência implícita e sem recursos. Simples desqualificação do "adversário", nítida até na edição: os críticos, e não os defensores, dão os juízos conclusivos. E se o recurso é ao "especialista", não se consultaram especialistas com argumentos afins à posição brasileira.

O que surpreende não são as críticas ao governo Lula, mas o princípio retórico delas. É óbvio, trivial que um governo pode e deve ser criticado (e nesse sentido, durante a semana Rodrigo Cassio vinculou uma boa entrevista com Jacques Rancière). Mas não com alusões ad hominem, simples desqualificações travestidas de argumento, generalizações equivocadas e afins, não é mesmo?

November 25, 2009

A Guerra em imagem congelada

A imagem acima (AP Photo/Maya Alleruzzo) foi publicada no Big Picture, com outros retratos de novembro no Afeganistão. Soldados distribuem doces para as crianças, que se acotovelam (ou até mordem) para obter algum.

De algum modo o conjunto da foto, detalhe a detalhe, simboliza tão bem a situação quanto essa outra imagem (da Reuters) representa a guerra no Iraque.

November 22, 2009

O mundo de 2012

http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/2012-movie.jpg 

2012 apresenta um mundo apocalíptico e o fim da humanidade. Mas será que apresenta só isso?

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November 20, 2009

Obsessão Polar

 

Um fotógrafo chamado Paul Nicklen trabalhava no ártico quando foi surpreendido por um grande leopardo marinho. "Surpreendido" não apenas pelo tamanho, mas pelo modo como o animal agiu. O relato é incrível. Tanto quanto suas fotos.

November 17, 2009

Produtividade, aqui e lá

Algum tempo atrás a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), encabeçada pela senadora ruralista Katia Abreu (DEM-TO) encomendou uma controversa pesquisa sobre a produtividade da agricultura familiar e dos assentamentos do MST. Katia Abreu é objeto de vários textos de Leonardo Sakamoto, responsáveis por desmontar armadilhas retóricas e grandes distâncias entre discurso e ação.

Os resultados dessa pesquisa foram amplamente divulgados. Contra as pretenções do governo em mudar índices de produtividade (não alterados desde os anos 70), a CNA demonstraria que mais de 70% dos assentamentos "não geram renda":

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LupaLuna (ou a questão da relação entre ecologia e negócio).

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O presente post é a reprodução exata de outro, publicado no ano passado. As perguntas abaixo também permanecem as mesmas.

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November 16, 2009

Kennedy Alencar entrevista Lula

Tem uma hora na sua vida em que você é todo principista. E tem uma hora que você, sem abdicar dos seus princípios, tem que fazer a política real. E você só pode mudar a política real se você participa dela, pois de fora você não muda. (…)

O poder, presidente, corrompeu o PT? 

Não. Primeiro, você não pode confundir o PT, que é o maior partido de massa da história desse país, com o erro que alguma pessoa possa ter cometido, é preciso separar isso. (…) E essa história do mensalão ainda vai ser esclarecida (…) É a maior armação já feita contra um governo. (…) Porque tem uma parte da elite política empodrecida nesse país que não estava habituada à alternância de poder. E eu sou a alternância de poder.

Lula concede uma bela entrevista a Kennedy Alencar, na Rede TV. Nela, saltam aos olhos vários elementos sobre suas táticas de governo. Dentre elas, as alianças polêmicas com vários figurões da política tradicional.

Na citação acima, Lula dá o tom: o PT não corrompeu os princípios; manteve-os, mesmo que em função da "política real".

Em outra metáfora, Lula compara esse jogo "real" de alianças com as figuras de Jesus e Judas. Se Judas mantém votos decisivos, cabe estrategicamente buscar esses votos, para a realização dos princípios.

Os fins justificam os meios? A pergunta fica no ar. De um lado, discutimos o tema de certas alianças com dinossuaros da política, como Sarney. De outro, salta aos olhos o discurso mais concentrado no consumo interno do que no famoso "corte de gastos", resultando em reportagens como essa. Mas certamente, como Lula bem atenta, não se pode falar de fins sem  encarar efetivamente os meios da política brasileira "real". 

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E com capa do filme vindouro, já se vende o livro "A História de Lula - Filho do Brasil"