March 24, 2006
Exposição de Haigas em Curitiba
Recebi do kakinet um informe maravilhoso, sobre uma exposição de haigas (haikais acompanhados de gravura) que ocorrerá em Curitiba. Abaixo, o informe completo, compilado por Rosangela Aliberti. Vale muito a pena conferir.
O jornalista, fotógrafo e poeta Rogério Viana, realizará pioneira exposição de haigas – arte que reúne fotografia e haikai – em Curitiba. O evento, inédito no Brasil, acontecerá na Casa do Japão - Praça do Japão, no período de 20 de abril a 4 de maio de 2006.
A cidade de Curitiba vai sediar a primeira exposição de haigas – arte que reúne fotografia e haikai – em evento inédito em todo o Brasil, com a exibição de trabalhos do jornalista, fotógrafo e poeta Rogério Viana. Na exposição “Haijin Digital – Novos caminhos do haiga” serão mostrados 40 trabalhos, cinco deles premiados em concurso internacional de haigas promovido por site japonês especializado em haikais e haigas.
O trabalho de Rogério Viana, que se iniciou no haikai em 1992, depois que leu o livro “Vida”, de Paulo Leminski, com a biografia de Matsuo Bashô, um dos mestres do haikai, foi sendo percorrido passo a passo. Em 1999, publicou o livro “Trinta Toques”, de poesias e haikais e, em 2002 ensaiou os primeiros haigas, onde utilizava a fotografia como suporte para mostrar seus haikais, na forma de cartões digitais enviados pela Internet.
Em 2005, já morando em Curitiba, onde atua com assessoria de imprensa e na elaboração de projetos culturais, Viana passou a se interessar mais diretamente pelos haigas, quando recebeu o incentivo de conhecidos autores de haikais, como a amazonense Rosa Clement e o curitibano José Marins. Depois de inscrever-se em fóruns internacionais que tratam o haiga como modalidade de arte dentro da Internet, decidiu produzir seus haigas. De posse de uma pequena câmara fotográfica digital, começou a registrar imagens do cotidiano da Curitiba de muitos pássaros, flores, árvores, praças e pessoas.
Os registros fotográficos iniciais foram sendo guardados e, aos poucos passaram para a forma de haigas, quando Viana optou por escrever haikais para as imagens que captara. Enviou um deles para seus amigos e, no Amazonas, a escritora Rosa Clement fez uma versão para o inglês, condição básica para poder partipar do WHA-Haiga Contest, concurso promovido mensalmente pelo site japonês World Haiku Association, editado por Kuniharu Shimizu, um dos mestres do haikai e do haiga no Japão.
O haiga de Rogério Viana, em novembro de 2005, foi o escolhido e mereceu a honra de ser traduzido, também, para o japonês, nas palavras de outro reconhecido mestre do haikai, Ban´ya Natsuishi, um grande estudioso da arte originária no Japão do século XVII.
Sem espaço para mostrar no Brasil o seu trabalho, Rogério Viana, passou a insistir com os editores brasileiros de sites de poesias para que o trabalho pudesse ser mostrado aqui para um maior número de pessoas. Como não obteve aceitação, passou a enviar seus trabalhos, com maior freqüência e quantidade para vários sites internacionais. Alguns autores de haigas nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Itália, Filipinas, Austrália, Eslovênia e Japão, passaram a comentar, dentro de um fórum especializado em haigas, o que Viana produzia. A dificuldade da língua – o inglês é obrigatório neste fórum – foi enorme e, aos poucos, Viana foi ganhando a atenção de autores daqueles países que começaram a fazer versões para o inglês, esloveno, italiano e filipino.
Nos três meses seguintes, os trabalhos de Rogério Viana foram incluídos entre os melhores de todo o mundo pelo WHA-Haiga Contest, com versões feitas para o inglês por Soji (EUA) e Ashe Woods (Inglaterra). As versões para outras línguas foram feitas por Jerry Dreesen (EUA), Alenka Zorman (Eslovênia), Moussia (Itália) e Victor Gendrano (Filipinas).
Com centenas de haigas produzidos, desde então, Rogério Viana se propôs a mostrar na exposição “Haijin Digital – Novos caminhos do haiga”, esta arte que une haikai sobre uma imagem fotográfica. Serão mostradas, em ampliações fotográficas de 20 x 30 cm, 40 trabalhos na exposição que acontecerá de 20 de abril a 4 de maio, no espaço de eventos da Casa do Japão, localizado na Praça do Japão, em Curitiba.Curitiba – 22/03/2006.
Apresentação de exposição de haigas de Rogério Viana
Uma exposição de caráter pioneiro em Curitiba
Rosa Clement
Haiga e haiku são palavras de origem japonesa que andam sempre juntas e pertencem ao vocabulário dos escritores de haiku, ou haicai em português. Em sua definição mais simples e tradicional, haiga é uma pintura genuinamente japonesa, complementada por um haicai e uma caligrafia (caracteres em japonês, geralmente omitidos em haigas ocidentais). Hai significa poema e ga, pintura. Segundo os estudiosos, a haiga tem uma origem obscura mas há registros de que, no século XVII, já era usada para decorar painéis, álbuns, telas e leques. Por sua vez, o haicai é um poema de apenas três versos, com um curto número de sílabas e que remete o leitor a cenas da natureza. Acompanhado de uma pintura ou desenho gráfico, no entanto, o haicai pode mostrar mais claramente a instantaneidade do momento, suas sensações e suas essências. Com o advento do computador, a haiga se modernizou e hoje pode incluir arte digital ou fotografia, mas sempre fazendo par com um haicai.
Esta forma de expressão visual e poética conquistou definitivamente a atenção do jornalista, fotógrafo e haijin (escritor de haicai) paulista Rogério Viana, radicado em Curitiba. Na qualidade de bom observador, e munido das lentes de sua câmera, ele tem enfocado e registrado uma coleção de belos momentos que incluem cenas da natureza e outras que envolvem objetos. Em geral, as haigas de Rogério Viana não são uma simples fotografia, mas sim uma composição de elementos que dão um toque diferencial e chamam atenção para os detalhes.
Como fotografar é também inovar, esse espírito criativo é evidente no trabalho de Rogério Viana. Assim, em uma haiga, um círculo vermelho sobre o telhado de uma casa japonesa parece reproduzir numa cidade ocidental uma cena japonesa, dando destaque a lembrança de sua bandeira. Em outra, uma prosaica torneira no muro ganha relevância e sua água se metaforiza para conferir em palavras a sede do haijin em busca de versos. Nos deleitamos com uma singela fotografia de três joões-de-barro do lado de fora da casa, onde parecem aproveitar do dia ensolarado. Nas palavras do autor, é um dia típico de visitas, onde o anfitrião leva os convidados para um lugar mais refrescante, num sábado de sol.
Ainda é importante mencionar que várias haigas de Rogério Viana têm sido premiadas em concursos em sites de haiga pela Internet. Algumas têm sido traduzidas por haijins de outros países, mostrando o quanto a arte visual é apelativa e facilita o processo de linguagem. Complementando essa divulgação, está essa seleção de haigas nessa pequena exibição em Curitiba, talvez até de caráter pioneiro. É assim que Rogério Viana traz um pouco do Japão para seus visitantes, ao expor essa forma de poesia oriental que pode tanto ser lida quanto admirada, graças aos seus cliques fotográficos bem sucedidos.
Rosa Clement , escritora e haicaísta (Manaus-AM)
OS HAIGAS DE ROGÉRIO VIANA
José Marins
O haiga surgiu com o haikai. Consistia de desenho e pintura harmonizados com a caligrafia do poema haikai. Compunham uma peça única.
Nonoguchi Ryuho (1595 – 1669) é considerado o seu precursor. E Matsuo Basho (1644 – 1694) aquele que deu ao haiga os princípios de arte. Com suas pinturas modestas, ele conseguiu fixar a tonalidade que o haiga deveria ter, dispensando a valorização técnica, as cores brilhantes, evitando impressionar.Foi a partir de Basho, Buson entre outros, que o haiga adquiriu suas principais características: simplicidade visual, imagens com pouco ou nenhum adorno, poucas pinceladas, poucos elementos e espaços vazios. Ainda hoje com a pintura moderna, a fotografia e os recursos digitais, a informalidade e a modéstia devem estar presentes num trabalho de haiga.
No caso de Rogério Viana, pode-se notar uma rápida evolução. Enviei a ele certa vez, uma foto-haiga minha. Foi o que bastou para que visse o potencial da fotografia-e-haikai e passasse a produzir suas fotos-haiga. Dos primeiros trabalhos para os mais recentes, observa-se os frutos da dedicação e o gosto por uma arte encontrada no caminho do haicaista. (Desde um dos seus primeiros, o delicado “joão-de-barro” à plasticidade das mais recentes como “flor de verão”).
Pode-se dizer que a fotografia é uma gravura cujo pincel é a luz. Neste sentido Rogério faz uma composição duplamente interessante: a foto influenciada pela prática da busca do haikai (o contorno do detalhe na cena haicaista), e a da fotografia que se junta à poética do haikai enquanto poema. Os trabalhos aqui selecionados formam uma coletânea que nos mostra as amplas possibilidades do haiga e do haikai. E mantém, na atualidade digital, a tradição dos cânones do haikai ou haiku (como a presença do kigo — termo de estação nas fotos), revelando-nos no objeto de arte um artista que busca, além da interatividade, um diálogo com todos nós.
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José Marins, poeta e haicaísta (de Curitiba-PR)Haicai e Haiga: passado e presente
Edson Kenji Iura
Freqüentemente referimo-nos ao haicai, forma poética de origem japonesa, como uma breve descrição. Entretanto, não é necessário reler os grandes mestres da prosa para saber o quão descabido é falar assim. Um espírito mais indulgente poderia enxergar nas três linhas um esboço, ou talvez nem isso: três pinceladas.
O haicai é, sim, uma descrição, mas precária e sem acabamento. Momentos de extraordinária relevância são retratados através de linguagem ordinária, “não-poética” e despretensiosa, como se fossem ocorrências cotidianas. Entretanto, esta arte sem arte acaba por trazer à luz, como que por desleixo, aquilo que escondia, expressando a natureza mais íntima das coisas e desvelando os significados mais profundos:
O velho lago…
O ruído do salto
da rã n’água.
Bashô (1644-1694)Ressalte-se a tendência de explicar o haicai através de metáforas artísticas. De fato, desde os primórdios, estes poemas muitas vezes têm se feito acompanhar por uma forma muito específica de arte visual.
Os haiga (hai de haicai e ga de pintura) apareceram como desenhos muito simples, feitos pelos poetas na mesma tinta e papel utilizados para escrever seus poemas. Seus autores podiam ser pintores experientes ou não, o que muitas vezes explica o aspecto tosco dessas ilustrações. Um haiga pode ser pensado simplesmente como a transcrição visual das palavras do poema, ou pode então guardar com as mesmas uma relação mais sutil.
De qualquer maneira, o aspecto tosco do haiga corresponde, em pintura, à descrição precária do haicai. Tudo isso tem a ver com o fato de que, em poesia, o que subsiste de mais importante está além do alcance das palavras. Ao fugir à tentação de explicar o inexplicável, o haicai e o haiga logram alcançar o inalcançável.
Após esta pequena introdução, chegamos aos nossos dias, onde o haiga recebe a releitura de uma geração de poetas da palavra e da imagem que substituíram pincel, tinta e papel por câmera digital, “software” e internet. Desbravando seus próprios caminhos, desafiando a tradição e estabelecendo novos paradigmas, artistas como Rogério Viana aguardam o julgamento do futuro. Bashô diria: “Não siga os antigos. Procure o que eles procuravam”.
Edson Kenji Iura (São Paulo – SP) - 19/03/2006
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Links com trabalhos do Rogério Viana
Haigas: (nas páginas 5,6,7 e 8, os mais recentes trabalhos)
http://photobucket.com/albums/c199/RogerioViana/Photo-haiku/
Poesias, haikais, artigos, frases, roteiro de teatro e de cinema:
http://www.recantodasletras.com.br/autores/rogeriobviana
http://haigasdorogerio.blogspot.com/
Participações em sites sobre haigas e haikais
http://www.poetrylives.com/CAROL/Mulimedia_Theme%20on%20White/Theme%20on%20White.htm
http://www.poetrylives.com/CAROL/Multi-Anything%20Goes_2005/blobart.htm
http://www.poetrylives.com/CAROL/Multi-Anything%20Goes_2005/Astronomical%20haiga.htm
http://thegreenleaf.co.uk/HP/Duets/01/CH.htm
http://www.sumauma.net/haijins/haicai-rogerio.html
http://www.sumauma.net/haiga/rogerio2.html
http://cseabra.utopia.com.br/poesia/poesias/0624.html
http://www.worldhaikureview.org/5-1/whcp/haiku_viana.thm.htm
http://www.kakinet.com/caqui/teia.shtml
Concurso internacional de haigas – Japão -
http://www.worldhaiku.net/haiga_contest/28th/haiga28.htm
http://www.worldhaiku.net/haiga_contest/29th/haiga29.htm
http://www.worldhaiku.net/haiga_contest/30th/haiga30.htm
http://www.worldhaiku.net/haiga_contest/31st/haiga31.htm
- Formatado por Rosangela_Aliberti -





4 Comments »
Leandro Says —
Muito bom!!
Made on March 24, 2006 @ 11:42 am
Rogério Viana Says —
Prezado amigo,
Agradeço a divulgação neste espaço da minha exposição de haigas que acontecerá a partir da próxima quinta-feira, dia 20 de abril e até o dia 4 de maio, das 10 às 17 horas, de terça a domingo, na Casa do Japão, na praça do Japão, em Curitiba, Paraná. É a primeira vez que é realizada no Brasil uma exposição de haigas contemporâneos, onde há a junção de haikai com imagens - fotografias e desenhos digitais. Conto com a presença de vocês na abertura da exposição, às 19h30 horas do dia 20 de abril, quinta-feira.
Abraço a todos
Rogério Viana
rogeriobviana@yahoo.com.br
Made on April 17, 2006 @ 11:22 am
Administrator Says —
Olá Rogério,
Com certeza, estaremos por lá!
um abraço,
Made on April 17, 2006 @ 12:39 pm
Rogério Viana Says —
Colega, este link traz o catálogo da exposição de haigas em PDF. Espero a visita de vocês na exposição, no Centro de Cultura Praça do Japão, em Curitiba, até o dia 4 de maio. Abraços do Rogério
Made on April 23, 2006 @ 11:00 am
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