March 28, 2006

Sobre a alegria em Espinosa

Estive pensando sobre a noção de alegria em Espinosa, e resolvi buscar no google: "alegria em spinoza". Encontrei uma aula de Gilles Deleuze, de 24/01/1978, traduzida por nosso caosmótico amigo Francisco Fuchs. Espinosa é formidável para pensarmos a respeito da questão da alegria, e para encontrarmos ressonâncias contemporâneas dessa questão em Deleuze. Vale muito a pena ler essa aula.

Já dizia Valter Rodrigues, em outro belo texto:

Para Espinosa, a tristeza é o afeto que envolve a diminuição da potência de atuar e da força de existir de um corpo, e a alegria o que envolve seu aumento. Ora, a essência do homem é sua potência de agir, pensar e existir em ato, pois é assim que ele persevera em sua existência. Uma essência que não remete ao que se é, mas ao que se pode. Assim, contrariamente ao que foi dito até o momento, a efetuação de sua potência é tudo o que pode um corpo, sendo o afeto, em sua variação contínua, essa efetuação, tristeza quando a potência é diminuída, alegria quando é aumentada.

 Continuando, outra citação, agora da própria aula do Deleuze: 

a tristeza será toda paixão, não importa qual, que envolva uma diminuição de minha potência de agir, e a alegria será toda paixão envolvendo um aumento de minha potência de agir. Isso permitirá que Spinoza, por exemplo, realize uma abertura em direção a um problema moral e político muito fundamental, que será sua própria maneira de estabelecer o problema político: como acontece que as pessoas que têm o poder, não importa em que domínio, tenham necessidade de afetar-nos de uma maneira triste? As paixões tristes como necessárias: inspirar paixões tristes é necessário ao exercício do poder. E Spinoza diz, no Tratado teológico-político, que esse é o laço profundo entre o déspota e o sacerdote: eles têm necessidade da tristeza de seus súditos. Aqui, vocês compreenderão com facilidade que ele não toma "tristeza" num sentido vago, ele toma "tristeza" no sentido rigoroso que ele soube lhe dar: a tristeza é o afeto considerado como envolvendo a diminuição da potência de agir.

(…) O que é importante é que vocês percebam como, segundo Spinoza, nós somos fabricados como autômatos espirituais. Enquanto autômatos espirituais, há o tempo todo idéias que se sucedem em nós, e de acordo com essa sucessão de idéias, nossa potência de agir ou nossa força de existir é aumentada ou é diminuída de uma maneira contínua, sobre uma linha contínua, e é isso que nós chamamos afeto [affectus], é isso que nós chamamos existir. (…)

2 Comments »

  1. wendel Says

    gostei do blogger, se postar com freqüencia comparecerei outras vezes.

    Made on May 28, 2006 @ 2:22 pm

  2. Administrator Says

    Olá Wendel

    Seja bem vindo ao blog! Apareça sempre, estamos postando quase diariamente

    um abraço,

    Made on May 28, 2006 @ 3:00 pm

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment



Anti-spam measure: please retype the above text into the box provided.