March 29, 2006
Lula, Alckmin. Mas… e os outros candidatos?
Nos últimos meses os veículos maiores da mídia brasileira vem, quase exaustivamente, expondo uma série de pesquisas de opinião a respeito de quem seria por excelência o concorrente "de peso" contra o presidente Lula nas próximas eleições. Vou direto ao assunto: É muito curioso, na economia da informação mostrada (na ênfase, no tempo, nas palavras que mostram o que estão mostrando), o quanto de visibilidade é conferida ao candidato do PSDB, em relação aos prováveis candidatos dos outros partidos. Como se houvesse quase uma providência divina que concedesse ao agora candidato Alckmin um lugar de "concorrente mais forte", acima de qualquer suspeita.
O PMDB, nos últimos dias, vem enfrentando uma série de debates acirrados sobre se Garotinho, ou outro, será o candidato. Mas a ênfase dada ao PMDB, nem de longe, chega perto da cobertura diária frente ao debate do PSDB, algumas semanas atrás, sobre se o candidato seria Serra ou Alckmin, ou qualquer outro. Eram mostrados jantares, encontros com FHC, pronunciações em congresso, e afins.
O mesmo acontece com o PDT, e o papel de Cristovam Buarque, que deixou o PT e é um nome de peso para a candidatura.
Isso para não dizer a respeito dos outros partidos. Tudo acontece como se, de saída, houvesse uma certa unanimidade que desse ao governador de São Paulo uma dianteira quase natural. Mas, isso deixa no ar uma pergunta, pensando especialmente em William Bonner, e suas declarações sobre o espectador brasileiro padrão assemelhar-se a Homer Simpson (para Bonner, o espectador brasileiro é como Homer, aquele que chega do trabalho à noite, e quer ouvir uma notícia selecionada e dada sem grandes complicações): a ênfase mostrada pela mídia, deixando o clima quase como uma disputa entre apenas dois candidatos, não interferiria diretamente sobre o resultado das pesquisas de opinião?





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