April 27, 2006
A internet arquivada
Tento fazer páginas web desde 1999. Nesse período, fiquei vários anos sem computador, e perdi todo o início das linguagens ‘dinâmicas’, e dos blogs. Até hoje tento me adaptar a essa perda. Mas tamanha foi a surpresa hoje quando, através de um post do Dialogica, encontrei uma espécie de projeto que busca arquivar toda a web, desde seu início.
Convenhamos, toda a internet, arquivada? Não acreditei, até fazer uma busca. O nome do projeto é "Internet Archive Wayback Machine". O resultado encontrado foi uma série de layouts que eu havia feito para o site "O Estrangeiro", desde 2000! Acessei alguns modelos, e consegui até mesmo salvar algumas figuras dessa pré-história do site oestrangeiro. Ou mesmo, acompanhar um pouco da evolução do site informarte.net (especialmente seu extinto ‘baile de máscaras‘).
Onde isso dará, não tenho a mínima idéia. O projeto servirá "às gerações futuras", como consta no site. Alguém tem idéia de onde vamos parar?
Saindo fora do contexto desse post, um pouco da saudade do Baile de Máscaras:
Este deveria ser um livro. Impresso. Se editado, encontrável, por um tempo efêmero, em algumas livrarias. Alojado, depois, nos balaios de ofertas dos sebos, que são, por si só, grandes balaios de ofertas de palavras-entulhos.
Entretanto, entre o início e o fim da sua escritura, num momento que nem a memória guarda, e em certos não-lugares virtualizados (a grande rede, o grande delírio e a grande possessão do corpo), o livro material, de gelo virou água… e passou a escorrer em mim e nele mesmo, desvirtuando tudo.
Já, de cara, arrebentou com a noção de continuidade. Posso, hoje, voltar a trabalhar nele, o sempre inacabado, de qualquer ponto. Posso deixá-lo em suspenso, e nunca mais fabricá-lo. Posso ir extraindo, aos poucos, todas as ligações que ele tem e que vão se revelando para mim como graças que ele me faz, como jogos de alegria que ele me propõe, e colocá-las aqui, à mostra. Posso tudo. Hoje, posso até o impossível. Por ter aprendido a ser realista.
Isto, que era um livro, e que hoje é um hipertexto, é mais que um hipertexto. É uma experiência de ser e de se expressar. Tu aqui, que me lês, precisas ficar avisado. Hoje ele tem, nas suas camadas, certas matérias, certas pedras, certas conchas, certos líquidos. Amanhã, porque a terra gira, a lua processa fases, a maré muda, a montanha outona, todo o registrado pode desaparecer, dando lugar a outras matérias, a outras pedras, a outras conchas e a outros líquidos.
Portanto, atenção! Os fluxos do desejo dominam aqui… traçam a rota, inventam as bússolas e as ampulhetas. Tudo é mutável. E eu sigo os fluxos.
Não esperes de mim linearidade nem fidelidade ao já feito. Somos, essa água e eu, incapturáveis!






4 Comments »
_Maga Says —
Já tinha ouvido falar o projeto de arquivar a internet e achei realmente mto interessante. Afinal tem muito site e blog interessante que sai do ar sem deixar rastro…
“Tudo é mutável. E eu sigo os fluxos.” é por essas e outras que o meu blog chama-se metarmorfose pensante…
Beijos
Made on April 27, 2006 @ 5:17 am
Administrator Says —
Oi Marcela,
Considero o informarte.net um dos melhores sites já feitos, junto com o yonos (veja os links). São idéias simples, mas há um pathos imenso envolvido em cada um dos sites. Pena que o informarte tirou quase todas as suas páginas do ar. Mas acredito que um dia voltam…
abração,
Made on April 27, 2006 @ 2:20 pm
RFelipe Says —
Este território muito me impressiona/expressiona pela qualidade e periodicidade de textos, imagens… linhas e fluxos. Eis um território de potentes encontros, diário!
Este post em especial, além de apresentar uma discussão e infomação interessantíssima, me remeteu a uma certa nostalgia, de bons afectos. Ai que saudade de sites que não estão mais entre nós! Mas será que cabe tudo isso aí?(Refiro-me ao Projeto que almeja arquivar TODA a internet)Será que não transborda? De qualquer modo, funciona, tal qual uma visita a um museu.
Um forte abraço e parabéns.
RFelipe
Made on April 27, 2006 @ 2:38 pm
Alethea Says —
Tentei ler o texto do baile de máscaras chamado “produção da banalidade” até o final e não consegui. Ficou o gosto de quero mais até pq ele continua reverberando em mim do primeiro encontro q aconteceu a muito tempo atras. Se alguem tiver esse texto completo por favor me envie. thanks
RE: Dê uma olhada por aqui, Alethea. A propósito, Alethea é um um belo nome ;)
RE2: Conferi também, não tenho certeza se está completo
Made on October 14, 2007 @ 5:03 pm
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