June 30, 2006

Quem é Hakim Bey?

Começo a escrever posts sobre Hakim Bey, mas nem havia falado sobre ele. Bom, quem é Hakim Bey? Bey é um autor sem nome e sem lugar, anônimo, que não se sabe se é apenas um indivíduo ou um coletivo de autores que assinam o mesmo nome. Trata-se de uma tendência de algumas correntes de pensamento do século XX, esse cultivo de um pensamento "anônimo" e "autônomo". Alguns dizem que Bey é norte-americano; outros, que já foi um peregrino. De todo modo, a pergunta sobre quem é Hakim Bey pouco importa. Importam mais as curvas e os efeitos práticos de seu pensamento.

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June 29, 2006

Superando o Turismo

ousamos entender a viagem como um ato de reciprocidade mais que de alienação. Em outras palavras, nós não desejamos meramente evitar as negatividades do turismo, mas ainda mais atingir a viagem positiva, que visualizamos como uma relação produtiva e mutuamente aperfeiçoadora entre eu e outro, hóspede e anfitrião - uma forma de sinergia inter-cultural em que o todo excede a soma das partes.

Nós gostaríamos de saber se a viagem pode ser realizada de acordo com uma economia secreta de baraka, de acordo com a qual não apenas o templo mas também os peregrinos tenham "bençãos" a aspergir (…)

Estive lendo o texto "Superando o Turismo" (veja abaixo), de Hakim Bey (pesquise edições impressas e preços). Este, parecendo ser um Bey tupiniquim. Salvo algumas passagens, nada como ler Hakim Bey, seja ele quem quer que seja. Mas como sempre, Bey impressiona.

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June 28, 2006

Decreto reduz o número de mestres nos centros universitários do Brasil

Depois dessa, fica difícil… Bom, o choque da notícia me deixou sem comentários. O que está acontecendo com a educação superior brasileira?

Um decreto assinado pelo presidente Lula reduz a obrigatoriedade de professores com títulos de mestres ou doutores no quadro de docentes nos Centros Universitários. De acordo com o decreto 5.786, de 24 de maio de 2006, são considerados centros universitários as unidades de ensino que mantém em seus quadros um terço de professores mestres ou doutores. Para o presidente do Sindicato do Professores de Rio Preto, Alfio Bogdan, o decreto vai prejudicar a qualidade do ensino oferecido. "Isso contribui para a degradação do ensino superior", afirma. Bogdan afirma que o Sindicato vai trabalhar para evitar a demissão de mestres e doutores. Apesar de o decreto vigorar desde maio, a assessoria de imprensa da Unirp (Centro Universitário de Rio Preto, afirma que ainda não decidiu se vai alterar o quadro de professores, que atualmente conta com 139 mestres e 55 doutores, ou que representa 55% dos profissionais.

Na Uniceres (União das Escolas do Grupo Ceres de Comunicação), a quantidade de mestres e doutores chega a 80,7% dos professores contratados. O restante, 19,7%, são especialistas. Em nota, a Uniceres afirma que não contrata graduados para ministrar as aulas. Os especialistas representam o maior percentual de professores da Unorp (Centro Universitário do Norte Paulista), 46,1%. A instituição de ensino não divulgou o número de professores com títulos de mestres e doutores. Informou apenas que 33,7% dos profissionais têm mestrado e 8,3% são doutores. De acordo com o chanceler da instituição, César Casseb, a Unorp está cumprindo perfeitamente suas obrigações legais. A Unilago (União das Faculdades do Grandes Lagos) foi procurada pela reportagem, mas, não se manifestou sobre o decreto. Através da assessoria de imprensa, se liminou a dizer que não tinha informações sobre o assunto. (fonte: Universia Brasil)

Mil Platôs segundo Peter Pelbart

Minha "caixa de ferramentas" predileta. Estivesse exilado numa ilha com direito a dez livros, incluiria este de Gilles Deleuze e Félix Guattari [ed. 34]. Não se entende tudo, pode-se ler aos saltos, vivem-se emoções inauditas. A cada página, um meteoro conceitual, e as pistas se multiplicam no deserto. É a tarefa do pensamento: captar as novas forças em jogo e as relançar. Este livro sondou a complexidade contemporânea como poucos. Redesenhou nossa geografia mental, inventou conceitos extravagantes para abraçar o tempo presente e, sobretudo, para o enfrentar. Como um lutador de sumô.
Folha, Caderno Mais!, 25/6/06 (pesquise livros de Deleuze e de Peter Pelbart)

June 27, 2006

Eleições 2006 II

É interessante como a mídia maior brasileira tem tratado as novas candidaturas à presidência. Em primeiro lugar, de longe, há vários meses, o duelo Lula x Alckmin vem sendo preparado. Anteriormente, de um lado estavam os destaques intermináveis para os meandros do PSDB. De outro, denúncias ao PT misturadas com suposições de Lula para reeleição. Aos outros partidos e candidatos, o destaque era - sem motivo aparente - muito reduzido, dividindo-se, em ordem decrescente, entre os debates no PMDB, às vezes uma ou outra consideração relativa ao PPS, e raras reportagens sobre outros partidos.

O panorama das eleições 2006 está se configurando. Cristovam Buarque, no PDT, e Heloisa Helena, no PSOL, dividem a "esquerda" com Lula. O PFL apóia o PSDB, repetindo velhas alianças. O PPS mostra-se um partido sem identidade, como outros, que mudam de apoio conforme as conveniências. Mas, num país que se diz "democrático", os pesos e as medidas já estão configurados na própria visibilidade conferida aos candidatos.  É só perguntar para qualquer brasileiro que o leitor verá o peso dividido entre Lula e Alckmin. Nisso, em um país democrático, não era para haver uma mesma visibilidade na mídia para todos?

June 26, 2006

Aziz Nacib Ab’Sáber no Brasil Nação

Conheci esse distinto Sr. ontem, no programa da TV educativa do Paraná chamado Brasil Nação. O Brasil Nação debate a cada semana temas relativos a perspectivas de um projeto de nação para o país.

Mas enfim. O programa de ontem pautava as privatizações, e mais precisamente a privatização da Vale do Rio Doce. Quem assistiu, viu o tom veemente do prof. Aziz (ganhador do prêmio Jabuti de 2005, na categoria "ciências humanas") sobre a privatização da Vale ser nada mais nada menos do que uma burrice. Segundo Aziz, as reservas minerais exploradas pela Vale - concedida a empresas privadas estrangeiras - são de importância estratética vital para o Brasil, por serem únicas no mundo em sua dimensão e qualidade. Dentre as informações preciosas apresentadas no programa, constava uma carta escrita em 1967 por um representante de uma grande empresa norte-americana informando sobre a descoberta de gigantescas jazidas minerais no Brasil, e a necessidade urgente de explorá-las. A privatização da Vale, assim, faria parte de um processo histórico que não se resumiria às iniciativas do governo FHC. Aziz não poupou suposições críticas nem ao lado FHC, nem a figuras pertencentes ao PT.

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Eleições 2006

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June 25, 2006

Constantine - Filme e Gibi

O filme "Constantine" é uma adaptação de "Hellblazer", história em quadrinhos criada por Alan Moore. Conta o cotidiano de um mago que lida com forças do Céu e do inferno. Hellblazer (pesquise aqui o gibi e preços de edições impressas) apareceu pela primeira vez em junho de 1985 no gibi "Monstro do Pântano", da rede DC Comics. Junto a outros personagens, como Sandman, Constantine foi apresentado no Brasil numa série chamada "Vertigo", de 12 volumes. Em Vertigo, o mago torna-se conhecido tanto no Céu quanto no Inferno como o homem que enganou o diabo três vezes.

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June 24, 2006

Entrevista com Marcola

Se é ou não do Arnaldo Jabor, pouco importa. Tirando o fato de que é uma grande ilusão dizer que há um e apenas um "líder" para o crime (como é incrível a capacidade de buscar bodes espiatórios!), vale a pena ser lido. Diferente dos textos atribuídos a Shakeaspeare ou a Drummond ou outros, caso não seja do Jabor, é bem melhor do que os do próprio autor… emoticon

- "Você é do PCC?"
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas…
 
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Um pouco de Hakim Bey e anonimato.

Em um post passado, de outro blog, vinculei uma entrevista muito interessante a Hakim Bey. Para quem não conhece, "Hakim Bey" é um nome fictício, de um autor que pouco ou nada se sabe a respeito, e que escreve sobre um certo "anarquismo ontológico". Trata-se de um autor anônimo, cujos escritos não se sabe nem se são atribuídos a apenas uma ou mais pessoas. Se a entrevista foi feita ao "senhor" Bey ou não, se foi Bey quem a forjou ou não, isso pouco interessa. E é exatamente esse o ponto da questão.

É curioso notar, a respeito desse "senhor" e dessa entrevista, duas coisas: em primeiro lugar, seu notável anonimato, e todas as reviravoltas que circunstanciam a entrevista: o atentado poético que deixa uma carta na cama do repórter (uma invasão de domicílio apenas para deixar um pequeno papel), o lugar misterioso do encontro, o carro desconhecido, "um obscuro restaurante num porão em chinatown", o narguilé (um narguilé em chinatown?)… Tudo isso por uma entrevista, uma mísera entrevista, que poderia ser agendada por telefone e fruto de um banal encontro.

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