July 31, 2006

Trecho de diálogo entre Isaías Pessotti e Bento Prado Junior

Link: crpsp.org.br

O trecho abaixo é extraído de uma entrevista feita a Isaías Pessotti por Bento Prado Junior, Maria Rossetti e Sérgio Ferreira. Destaquei o trecho final da entrevista, que trata sobre os idos da pesquisa universitária brasileira nos anos 60, e como tem sido encarada na atualidade. É muito importante nos reportar a pesquisadores como esses, que no auge da atuação tinham, no limite, perspectivas de participar de algum projeto de constituição de um país, e não meramente atendimento a "mercado de trabalho".



Pessotti - Nos anos 60, a gente acreditava estar fazendo um país novo e que o mundo dependia do que nós fizéssemos. Senti isso nos 60. O que a gente fizesse ia mudar o país. Acho que infelizmente os jovens não têm isso hoje. O mundo perdeu essa perspectiva, não sei se ilusória ou não. Não sei por que o menino de hoje não consegue se ver com essa importância. Talvez porque custasse mais para a gente fazer as coisas. Por exemplo, a pesquisa era muito artesanal. Hoje é muito mais fácil fazer uma pesquisa, um relatório. Há pouco espaço para a originalidade. Mas há também um desencanto com relação ao futuro, um marasmo geral. Naquela época, achava que a curto prazo já podia interferir. Quando me preparava para ir para Brasília, achava que algumas coisas iam ocorrer dentro de um futuro próximo. Até disse para a Carolina: ‘Vou para Brasília e vou ser ministro da Educação. Vou manobrar, vou achar o jeito’. Eu queria fazer alguma coisa, mudar o ensino primário. Foi no começo de 65. Depois veio o AI-5 e acabou todo o sonho. Agora, tanto estávamos certos, tanto éramos decisivos que nos pararam. A ditadura nos parou, porque se essa turma com idéias e competência tomasse conta do país, seria difícil manter os controles políticos tradicionais.


Bento Prado - É possível prever transformações nas estruturas universitárias, uma direção diferente desta? Ela seria o nosso lugar de intervenção e, no entanto, me parece que é onde as coisas menos acontecem…


Pessotti - Aí é que se apagou de uma vez a chama. A universidade hoje é gerenciada como uma empresa, com critérios de produtividade industrial que nada têm a ver com a evolução do saber nem com o engajamento de alguém num tema, fecundo ou não, amanhã. Você precisa produzir, não importa o quê. Aquela universidade da pesquisa artesanal, gerenciada com critérios de promover o saber e a difusão do saber, acabou. Então, o que você vê é a castração da criatividade em nome da produção, não importa do quê. Hoje, pode ser uma coisa inócua, mas publicada na revista importante vale mais.


Bento Prado - Em última análise, você está dizendo que, se entrasse hoje na universidade, você seria assassinado?


Pessotti - Ah, sim! E você se cuide também (risos).


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July 30, 2006

Marcos Losekann e seu jornalismo Fox News

"Vergonhosa" é uma pequena palavra que consigo encontrar para descrever a cobertura do repórter Marcos Losekann (pesquise aqui seus livros) da "guerra" Israel x Hesbollah, para a Rede Globo. "Medrosa" é outra palavra. Mas - segundo outros - isso não é nenhuma novidade.

Em primeiro lugar, salta aos olhos a questão da parcialidade. Quando um jornalista escolhe o que diz, como se posiciona, o que mostra, quais ênfases dá à própria informação que mostra, há todo um jogo que perpassa o mito da neutralidade: seja ela possível ou impossível, o jornalista deve o máximo possível apresentar os fatos de modo que a balança não penda para nenhum dos lados. Se a neutralidade é impossível, um jornalista pode no mínimo dar um tratamento rigoroso às informações. Na ausência da neutralidade, tem-se o rigor.

Mas não é isso que ocorre nas reportagens de Losekann: nelas, a ‘ameaça’ de um grupo armado que não representa em absoluto um país é igualada ao poderio militar de Israel; o número de mortes, considerado com o mesmo peso; os erros de Israel (como a morte de alguns observadores da ONU), minimizados, em nome de imagens de satélite que mostram a ‘precisão’ da artilharia; e assim por diante.

Sem contar o jornalismo Fox News que Losekann faz: é meramente um informante que acompanha a linha de frente do exército israelense (como fazem os jornalistas da Fox no Iraque). Ou melhor, não passa adiante nem da artilharia. Está interessado no show de fogos, e não em um posicionamento crítico frente a tudo isso. Não recolhe informações do lado libanês, não se interessa pelas razões, e a cada momento em que há um jogo de interpretações contrárias, o lado pende para Israel. Israel é que é filmada; os israelenses é que são entrevistados; enfim, a predominância da voz é israelense e norte-americana, como se os libaneses optassem eles próprios pelo Hesbollah e pelo silêncio.

No lado libanês, a cobertura da Globo resume-se a uma breve comunicação por telefone, enquanto no Brasil chegam todos os dias pessoas horrorizadas. Não seriam elas fontes preciosíssimas de informações para avaliar os acontecimentos? Mas - mostra a Globo - é como se fosse um horror puro e simples, pretensamente destituído do que ocorre por lá. O horror dos libaneses é destituído daquilo mesmo que o ocasiona. Como se a única linguagem que eles pudessem nos oferecer fosse a do horror e do silêncio.

Maurane - Ça casse

link: youtube.com

Para quê serve um blog? Para constatarmos o que já sabemos, ou para conhecer o que não sabemos? Ao menos para mim, é a segunda opção que importa. E quando a Maurane canta dá um frio na espinha.

July 29, 2006

Mais Lewis Carroll

A imagem “http://etext.library.adelaide.edu.au/c/carroll/lewis/snark/images/snark6.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
 
Mais uma referência de Lewis Caroll: vários livros em inglês, on-line e para download. Com belas ilustrações de vários artistas, e desenhos ‘clássicos’ atribuídos às histórias de Carroll (referência do Bibliodyssey).
Alice finding tiny door behind curtain 

palavras: livro livros book lewis carroll alice literatura

Em tempo: pesquise edições impressas de Lewis Carroll.  

haikai

- pitu (Guaraqueçaba/2001) -

July 28, 2006

bodycount

O coolpeopleyoushouldknow lançou uma contagem: o número de mortos americanos e iraquianos desde a invasão no Iraque.

O mesmo fez o moiz.ca: número de mortos israelenses e libaneses desde a invasão do Líbano.

Notemos as proporções… 

Como na música do Rammstein (imperdível):

We´re all living in Amerika
Coca-Cola, sometimes war… 

palavras: livro livros iraque libano israel palestina

 

Site ou blog visualizado graficamente

O aharef.info criou um applet em que a estrutura de um website pode ser visualizada graficamente. O applet decodifica links, imagens, tabelas, div´s, e afins, como pode ser conferido nessa legenda, junto às imagens de vários grandes sites. O ‘brinquedo’ pode ser acessado nesse endereço (referência do dialogica). Abaixo, a representação do Catatau. 

 

July 27, 2006

Alice cresce: “é maior do que era, e menor do que é”

A imagem “http://www.guiascostarica.com/alicia/a3/wr.gif” contém erros e não pode ser exibida.link: guiascostarica.com

O link acima traz uma série de informações precisosas sobre Lewis Carroll: livros, textos, gravuras, vida, etc.

palavras: livro livros book lewis carroll alice

 

novo livro de visitas

Estamos com um novo livro de visitas. O antigo estava tendo problemas frequentes de spam, e o próprio servidor decidiu abandoná-lo.

As assinaturas do novo livro podem ser feitas aqui, ou no link da coluna direita

O mesmo para ver as assinaturas já feitas.  

Hessam Abrishami - pintura

 link: arton5th.com


"Ocean Park"