September 17, 2006

A Bíblia do Peregrino


img142/7682/142955ch8.jpgComprei a Bíblia do Peregrino [pesquisa de preços], traduzida por Luís Alonso Schokel, e editada pela Paulus. Já estava de olho nessa edição há alguns meses, atraído pelo grande número de notas de rodapé explicativas, e por ter ouvido a respeito da boa tradução. Tenho algumas observações a respeito:

Em primeiro lugar, o texto é uma tradução ao português da própria tradução de Schokel, originalmente em espanhol. Mesmo sendo uma tradução de tradução (e não uma tradução direta, como a da Bíblia de Jerusalém), gostei muito do estilo, e das notas explicativas. O texto é muito bonito em termos literários. As notas, segundo o próprio tradutor, são "exegéticas" e "teológico-pastorais", ou em outras palavras, elucidam o sentido do texto, relacionam o conteúdo com outros textos da Bíblia, e ao mesmo tempo apontam significados pastorais.

Em relação à Bíblia de Jerusalém, notei algumas diferenças, além do número maior de notas: enquanto esta, além de notas exegéticas, contém notas de tradução (com palavras direto do original), na Bíblia do Peregrino o número de termos é menor, mas nem por isso, ausente. A meu ver, a tradução da Bíblia de Jerusalém ficou mais ‘erudita’, enquanto a do Peregrino é mais ‘literária’. As duas Bíblias são textos de estudo, embora, salvo o menor número de referências ao original, a Bíblia do Peregrino parece ser mais direcionada ao estudo (embora não descarte, e as notas até mesmo favoreçam, a leitura meditativa).

Sobre o trabalho de Schokel, ele menciona o caráter "audaz" de sua tradução: pois as mais de 3000 páginas traduzidas e comentadas se referem a apenas um autor, que elaborou o texto em nada menos do que 40 anos de estudo (!). Como vantagens, Schokel aponta a de que o trabalho rigoroso de um homem poderia trazer maiores referências e relações entre o Antigo e o Novo Testamento (para além das especialidades).

Em suma, o mais interessante dessa edição parece ser o grande número de notas e de liames entre os diversos temas dos livros, o estilo elegante e atrativo do texto (muito bom!!), e a bela composição da edição.

Para além dessa tradução, outros textos de Schokel parecem bem interessantes, como o Dicionário Bíblico Hebraico-Português.  

pesquisa de preços da Bíblia do Peregrino, da Bíblia de Jerusalém, e de outros livros de Schokel. 

2 Comments »

  1. leandro Says

    Realmente, estas duas edições são as melhores edições da Bíblia em língua portuguesa. A de Jerusalém pela precisão da tradução e a do Peregrino pela beleza literária quem faz questão de manter (mesmo em detrimento do estrito termo exato da tradução).

    Já que não sabemos hebraico, aramaico e grego, o jeito é ler as melhores edições. O católico que utiliza a versão da Ave-Maria (a mais popular) acaba perdendo muito do bom texto bíblico.

    A mesma dica vale para os evangélicos. A grande maioria usa a tradução de João Ferreira de Almeida, que é uma das mais antigas e, por isso, a piorzinha. Sugiro a Nova Versão Internacional para os evangélicos, sua tradução também é muito boa.

    Made on September 18, 2006 @ 12:46 am

  2. Marco Dubeux Says

    Tenho as melhores Bíblias, eu acho, só faltando essa do Peregrino, que estou namorando a anos para compra-la.
    “Enquanto seu lobo não vem”, fiquei-me deliciando com a NVI, muito boa e com notas bem teológicas, sem papo, sem aquela ladainha pentecostal, afinal não é todo o tempo que podemos parar prar ler um bom texto bíblico, o corre corre é grande do dia a dia, mas como sou um “viciado”, no bom sentido, por teologia, sempre estou a procura da Bíblia perfeita.

    Por esses dias deverei comprar a Peregrino, pois, quero degustar do belo trabalho do professor Schokel.
    Li alguns trechos dela e gostei muito, bem equilibrada, com uma fluidêz literária de fazer inveja as demais, parecia uma poesia, um texto com uma harmonia superior a NVI, na minha opnião, pois tem situações que na NVI, algumas palavras ficam muito estranhas, o que me faz entristecer muito, porque no geral a NVI é bastante agradável, uma das melhores Bíblias que pude ler.
    Embora costumado com a poética da Aplicação Pessoal, pois é o texto que tenho mais lido, quando pego outro sinto algo estranho. Apesar do texto ser antigo, com palavras antigas, tem um compasso perfeito, fluindo igualmente por todo o texto.

    é isso
    Abraço a todos
    mdubeux - Recife - PE

    Re: Oi Marco,
    Muito legal seu comentário. Não conhecia ainda a Bíblia NVI, fica anotada a dica. A que tive acesso antes que considerava mais completa é a de Jerusalém… mas considero a de Schokel muito boa, de fato. Especialmente por sua fluidez literária, e pelo vigor das notas…
    muito obrigado pela visita (espero vê-lo novamente por aqui!)
    um abraço,

    Made on February 16, 2007 @ 3:27 am

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