October 31, 2006

Halloween e afins

O post abaixo foi escrito há exatamente um ano, em outro blog (que se transformou no Catatau emoticon ). Sobre os elementos elencados , o que vocês acham: Mudou muita coisa? O post do Oleandros a respeito também ficou bem legal… e ressonante.

img505/8712/peeps1vw3.jpgSaiu essa madrugada na Folha de São Paulo uma curiosa reportagem sobre o repúdio de Hugo Chavez às manifestações do Halloween. Para Chavez, o Halloween seria alguma imposição externa que nada tem a ver com o povo venezuelano. Os jornalistas, obviamente, chamaram a atenção a outro fato: Chavez, dizendo isso, estaria contrariando o artigo 350 da constituição venezuelana, que visaria a livre manifestação "democrática". Estranho dizer isso em relação à opinião de um presidente, principalmente vinculando outra notícia que manifesta que 77% dos venezuelanos aprovam o seu. Curioso: um presidente pouco democrático e maleável - segundo a imprensa - sendo apoiado por 77% de seu povo?

 

Mas, de todo modo, é importante chamar a atenção a outras questões que envolvem esse manifesto (sendo Chavez o que quer que seja, e sendo a "democracia" governo da maioria ou do que quer que seja). De uns anos para cá, no Brasil, vem se formando cada vez mais uma cultura do "Halloween", do "dia das bruxas". Mas, em via contrária, a cultura brasileira está sofrendo uma pesada massificação e uniformização do que viria a ser uma "cultura brasileira" propriamente dita, e um esquecimento generalizado de suas manifestações regionais. Para citar um único exemplo, mas que abarca um feixe de questões, basta mencionar as diversas culturas do sul do país: que lugar existe para elas na mídia? Quase nenhum, com exceção das próprias produções regionais, e de alguns turistas que descobrem que o Brasil não se resume aos axés, pagodes e sertanejos vinculados na mídia maior.                      

Veja publica desenho sem autorização

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Recebi na lista da Universidade Nômade um desenho do cartunista Santiago (acima), seguido de uma carta dele à lista grafar_rs. Junto ao desenho, o depoimento:
Dois dias antes da eleição (segundo turno), recebi um telefonema de um funcionário da redação da revista "Veja", pedindo autorização para usar este  desenho. Respondi que não autorizava, pois não concordava com a linha editorial da revista. Repeti que não gostaria de ver trabalho meu nesse momento histórico nas páginas dessa publicação.
Pois no sábado fui à banca, abri a revista e lá estava a minha charge publicada na página de apresentação da edição.

Mais do que usar um trabalho sem autorização "Veja" usou um trabalho que havia sido verbalmente DESAUTORIZADO pelo autor.
 
Um belo exemplo da arrogância da grande imprensa.

Santiago (desenhista de humor)

October 30, 2006

Constantine Cavafy: A Cidade (1910)

Dizes: "Irei a outra cidade, irei a outro mar.
Outra cidade será encontrada, melhor que essa.
Todo esforço meu é condenado pelo destino;
e meu coração está - como um cadáver - sepultado.
Até quando nesse marasmo permanecerá meu espírito.
Para onde quer que volte meus olhos, para onde posso mirar
Vejo aqui as obscuras ruínas de minha vida,
Onde passei tantos anos, a arruinei e desperdicei"

Novas terras você não irá encontrar, você não encontrará outros mares.
A cidade irá seguir você. Vagarás pelas mesmas
ruas. E nos mesmos bairros te farás idoso,
nessas mesmas casas envelhecerá.
Sempre você chegará nessa cidade. Para outra cidade - não espere -
não há barco, não há caminho.
Assim como você arruinou sua vida aqui
nesse pequeno lugar, no mundo inteiro está destruída.

tradução/traição: a partir das versões de um excelente site, e de: KAVAFIS, C. Cien Poemas. Traducción del griego al castellano: Miguel Castillo Didier (chileno). Selección: Doris Jiménez y Ernesto Carmona. Biblioteca Virtual BEAT 57.

Compare também preços de livros de Kavafis, clicando aqui (via site Buscapé). No mesmo link, há o curioso lançamento de um livro intitulado Reflexões sobre Poesia e Ética. Provavelmente, é outra publicação póstuma, já que Kavafis nada publicou em vida.

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A evolução do homi

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 Ouvi um comentário interessante sobre a reeleição de Lula, na TV Cultura: faria parte deu um grande movimento, pós FHC, de preocupação desenvolvimentista. Um novo estágio na evolução do ‘Homi’, ou a retomada de velhos preceitos? 
 
No Paraná, Roberto Requião - um desenvolvimentista - vence Osmar Dias (e uma incrível patota de partidos dos mais heterogêneos) numa apuração impressionante: Inicial vantagem de Osmar, até 98% das urnas apuradas; em seguida, gradual ultrapassagem de Requião (o Oleandros está fazendo boas análises a respeito). Resultado final: 50,10% x 49,90 % (!!)
 
Sobre as eleições, aquelas velhas perguntas: quando haverá fidelidade partidária no Brasil? Quando a cidadania não se resumirá a uma única ‘escolha’ a cada 2 anos, diluída em milhões de outras ‘escolhas’? Quando a imprensa se tornará imparcial? Quando a ação política se distanciará das alianças de âmbito privado, dos poderosos de cada região? E assim por diante…
 
PS: Discurso de posse, após indicação do Leandro.
PS2: Não esqueçam da votação do The BoB´s, o páreo está duro por lá! 

October 27, 2006

Mass media e singularidade

Um post anterior, sobre a filosofia no Fantástico, trouxe alguns comentários muito interessantes dos leitores. O Thomás comentou a respeito do caráter fugitivo e singular da filosofia, avesso ao ensino mercadológico, e também a um pré-conceito muito comum atualmente: o de que tudo o que pode ser ensinado, pode ser simplificado o máximo possível para o mais simples aprendiz, sem qualquer prejuízo para os conteúdos, ou para a honestidade do ‘professor’ para com o aprendiz. Isso envolve uma questão de ensino-aprendizagem muito boa, sobre o que deveria ser o ensino, quais relações deveriam haver hoje em dia entre quem ensina e quem aprende, que tipo de espectador a própria mídia vê quando apresenta tais conteúdos, e dentro de tudo isso qual seria o papel de uma mídia como a Globo quando pretende apresentar a filosofia a seus telespectadores. 

Sobre a Globo, documentários como Muito Além do Cidadão Kane mostram sua influência na política brasileira desde o  regime militar, passando pela edição do debate de 1989, até reportagens polêmicas como a que saiu na Carta Capital da semana passada. Sobre a filosofia, seu papel no país é marcante, especialmente nos tempos do regime militar. Desde então, havia o desejo de que o Pensamento se envolvesse com um projeto de nação; e um jovem estudante de Marx acabou se tornando anos depois presidente do Brasil, no mesmo movimento em que dizia "esqueçam o que escrevi".

Pois bem, hoje é dia de debate - vejam só, na Globo -, e gostaria, nesse contexto, de deixar abaixo uma longa citação. Trata-se de um acontecimento, lá pelos idos de 1982, em que a imprensa decidiu ignorar a publicação de um termo("singularidade") criado por Felix Guattari [ pesquisa de livros], achando-o muito "sofisticado" para o povo. Várias coisas interessantes saltam aos olhos, dentro de tudo isso: o papel da imprensa, a maneira pela qual a imprensa enxerga seus leitores, qual deve ser o leitor ‘padrão’ que acessa as informações… Em jogo, a própria constituição de um espaço de liberdade e, enfim, de criação de "singularidades":

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October 26, 2006

Os loucos e a loucura na arte

Los Locos y la Locura en el Arte

O link acima traz uma exposição de quadros relacionados à loucura, de vários autores. Há algum tempo, o MC postou um interessante link sobre um pintor chamado Louis Wain (1860-1939). As pinturas de Wain (sempre sobre gatos) mostrariam o curso de sua psicose, cada vez mais agravada:

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October 24, 2006

O Catatau no BoB´s!

Usuários podem votar no site O Catatau está na final (!!!!!) do prêmio BoB´s ("The Best of Blogs"), promovido pela TV alemã Deutsche Welle, na categoria "Melhor Blog em Português" (votações aqui). 

Junto ao Catatau, dentre 381 inscritos (5500 no total), foram escolhidos 9 outros blogs de peso, que podem ser verificados no link acima. Pelo menos 6 desses blogs são parceiros de grandes agências de mídia do Brasil. Um ou outro, feito "à unha", sem vinculações maiores. Os finalistas foram selecionados por um júri de jornalistas e especialistas em blogs de diversos países. O critério de escolha, parece-me, foi o de selecionar blogs que reúnem diversos tipos de conteúdos: constam lá blogs sobre cotidiano, charges, turismo, jornalismo, política, dentre outros assuntos.

A final escolherá vencedores em duas categorias: o mais votado, e o melhor blog selecionado pelo júri.

Talvez a maior surpresa esteja no fato do Catatau ser um blog novo. Não é famoso, não tem grande público, e dispõe de apenas alguns meses de vida. Mas fiquei super feliz com a escolha, e só de estar junto a blogs já consagrados é uma grande honra. Páreo duro, figurar entre esses blogs, e enfrentar votação!

Deixo o convite para a visita no site, e, caso você goste desse pequeno blog, quem sabe não sai um votinho? Quem votar concorre a um IPod Video!  ;)  

October 23, 2006

… like tears in rain…

Proibido para quem não viu Blade Runner. Obrigatório para quem viu…


“I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched c-beams … glitter in the dark near Tanhauser Gate. All those … moments will be lost … in time, like tears … in rain. Time … to die.”

em tempo: Nexus 6: Uma (ainda mais) bela morte. Por Cláudio Ulpiano.

October 22, 2006

Desabafo, pasmo, e coisas sobre blogs

O leitor do Catatau já viu várias vezes por aqui o pasmo de quem vos escreve frente a esses novos acontecimentos e relações mediadas pela web. Aliás, a própria condição de ‘leitor’ e de ‘escritor’, quando se trata de um blog e das relações que um blog propicia, é algo diferente de quando se compra um livro.

Não me estenderei muito a respeito. Comentarei apenas sobre o fato de que essas relações virtuais agenciam afetos bastante inusitados: não conhecemos aquele que nos fala; às vezes, criamos antipatia frente a essas pessoas; por outras, simpatia. Mas tudo relacionado àquelas palavras, unicamente a elas. Em nada conhecemos aquele que nos escreve.  

Sou admirador de vários escritores, blogueiros e outros tipos de agenciadores de mídia na web. E eis que essa relação de admiração implica, em quase todos os casos, que eu não conheça a ‘pessoa’ admirada, mas apenas os conteúdos admirados. Seria então, precisamente, mais um admirador de conteúdos, do que de pessoas. Mas, de todo modo, há uma relação, de pessoa a pessoa, mediada por esses conteúdos. Não é uma relação convencional, mas ela existe.

Gostaria de chamar a atenção apenas a uma experiência nova: uma dessas fontes de conteúdo, que eu admirava muito (e o leitor já viu várias vezes aqui no Catatau: dica do MC, ou Mascarenhas Castro), foi de certo modo ‘apagada’, nos últimos dias. Em outras palavras, uma pessoa que eu nem conhecia, mas que agenciava certos conteúdos que eu admirava, faleceu no dia 11/10. Suas palavras, aquelas mesmas que me suscitavam às vezes alegria, e outras vezes novos liames a conhecer, continuarão por lá. O que eu gostaria de dizer, a respeito dessa capacidade de afetamento de tais palavras vindas de alguém que se foi, é:

Quem sabe não afetem com alegria também outras pessoas?

October 21, 2006

Keine Lust (Rammstein)