Uma das coisas mais legais propiciadas pela internet é a descentralização da informação. Depois que existe a internet, quem apenas assiste ao Jornal Nacional e/ou lê a Veja é, digamos, deficitário de informação. Ou ainda acreditamos que em qualquer noticiário os dados são mostrados com uma transparência que se confunde com a própria realidade? Não, entre o fato mostrado e o fato ocorrido há um hiato, preenchido pelas linhas editoriais de cada mídia.
Portanto, melhor informado está aquele que acessa o maior número possível de mídias, e busca daí retirar suas conclusões.
Mas isso, via de regra, já se sabe. Gostaria de chamar a atenção a outra coisa, dentro desse contexto: a rede árabe de TV Al Jazeera criou um novo canal de notícias, e em inglês. Seus primeiros momentos estão sendo elogiados por muita gente, pelo rigor e seriedade do jornalismo, e por recrutar bons jornalistas do próprio ocidente. A vantagem de existir canais como esses (e a TeleSur, que é tão próxima, e quase nunca ouvimos falar por aqui) é nítida: não é mais um grande e único feixe de mídia (como a Globo, e suas fontes exclusivamente norte-americanas e inglesas) que rege a notícia. Em linhas tortuosas, a tão propagada e pouco praticada "democracia" adquire contornos inusitados (soube que há uma certa resistência para exibir a AlJazeera no país mais ‘democrático’ do mundo, por quê será?).
Documentário
Já comentamos aqui a respeito de um documentário muito bom, intitulado Control Room, sobre a questão da mídia na guerra do Iraque. Vale muito a pena assistir.
Globo x Porto de Paranaguá
Sobre o debate Globo x Porto de Paranaguá, esse artigo da Carta Capital publicado no Observatório é muito bom: faz uma boa varredura da cobertura da Globo sobre o porto, nos últimos meses.
Rinhas do Jornalismo Brasileiro
Não compreendo certas rinhas do jornalismo brasileiro. O que era para ser público, um debate público sobre idéias, a refutação pública de idéias que consideram ou não um bom futuro para o Brasil, acaba sendo richa pessoal, privada. Tais jornalistas acabam se tornando coronéis da informação, quase como esses políticos regionais que fazem as coligações mais engraçadas. Todo mundo sabe que, no fim das contas, tais coligações não servem para nada. Do mesmo modo, esses jornalistas, geralmente famosos, esquecem a esfera pública, e passam a compor um jogo de forças meramente pessoal, privado. O debate pelas idéias se torna um debate com ofensas pessoais. E - o que é pior - esses senhores conseguem ainda uma multidão de acólitos. Acólitos que esquecem o jogo das idéias, e partem para a disputa dos coronéis da "razão". No fim das contas, nem no debate público, nem nas idéias, as coisas andam. Tudo fica carnavalesco, privado, cheio de jeitinho, combativo, e tudo o mais. Coisas de Brasil.