November 4, 2006

Constantine Cavafy - Um Velho (1897)

link: http://cavafis.i8.com

Traduções de R. M. Sulis, M. P. V. Jolkesky, A. T. Nicolacópulos [pesquisa de livros de Konstantinos Kavafis]. Sobre esse poema em especial, gostei mais dessa outra tradução (original aqui). Mas notemos abaixo a boa tradução também das rimas.  Pintura acima de Hervé Thibault.

UM VELHO

No meio do café barulhento, debruçado
sobre a mesa, um velho está sentado;
com um jornal a sua frente, sem companhia

E no desdém de sua velhice mísera de agora
pensa quão pouco aproveitou os anos de outrora
em que tinha fluêcia, e beleza, e energia.

Percebe que envelheceu muito; sente, conhece.
E contudo o tempo em que era jovem lhe parece
ontem. Como o tempo passa, como o tempo passa!

E pensa em como a Prudência o enganou;
e como - que loucura! - sempre lhe acreditou
quando dizia; "Amanhã. Há tempo." - Que trapaça!

Lembra ímpetos que segurou; felicidade,
quanta sacrificou. Cada oportunidade
perdida de seu saber insensato graceja.

Mas de tanto refletir e recordar
o velho tonteou. E agora dorme a sonhar
no café recostado sobre a mesa.   

4 Comments »

  1. _Maga Says

    bah… é isso!!!!

    Variações sobre o mesmo tema:

    INSTANTES
    (Jorge Luiz Borges)

    Se eu pudesse viver novamente a minha
    Vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
    Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
    Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na
    verdade bem poucas coisas levaria a sério.
    Seria menos higiênico.
    Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria
    mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
    Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e comeria
    menos lentilhas, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
    Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente
    cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
    Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons
    momentos.
    Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos,
    não percas o agora.
    Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
    uma bolsa de água quente, um guarda-chuvas e um pára-quedas:
    se voltasse a viver, viajaria mais leve.
    Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da
    Primavera e continuaria assim até o fim do outono.
    Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
    e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
    Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

    (eu sinceramente espero que seja de Jorge Luis Borges…)

    beijos

    Made on November 4, 2006 @ 9:16 pm

  2. Lara Says

    Carpe Diem…mais que uma sugestão, uma medida urgente!
    Bom fim de semana! Bju

    Made on November 5, 2006 @ 6:12 pm

  3. Administrator Says

    Olha, Marcela, que até hoje fico na dúvida se a poesia é mesmo de Borges… será?

    Made on November 6, 2006 @ 12:00 am

  4. Filipe Says

    Bonita essa poesia Catatau.. mas essa pintura que vc colocou é muito linda.. parece um pouco do romantismo de Turner.. interessante mesmo.. Abraço

    Made on November 6, 2006 @ 3:21 pm

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