Estava com outro post no "gatilho", mas como os leitores blogueiros sabem, geralmente escrevemos sobre coisas que nos afetam. E ultimamente um tema que tem ‘me’ afetado bastante é a amizade. Resolvi trocar aquele texto por esse outro, simplesmente por estar passando uma ‘fase’ muito interessante: aquele tipo de fase em que vários amigos que sempre consideramos dos ‘bons amigos’, dos ‘melhores’, mudam de vida. Até aí tudo bem, todos mudam de vida, mas nesse caso ocorre algo estranho nessa mudança de vida, pois os ‘amigos’, sem mais nem menos, deixam de ser seus amigos, deixam de procurá-lo, de buscar meios de convivência, e enfim, de fazer contatos. Obviamente, existem aqueles amigos que são sempre amigos: não importa se passamos anos sem vê-los, a amizade continua sempre a mesma. Mas tem certos amigos que, ao mudar de vida ou de algum tipo de regime de circunstâncias, esquecem o círculo em que viviam, e simplesmente cessam a convivência amistosa.
O texto abaixo é mais ou menos uma tentativa de escrever sobre como a questão da amizade é atualmente afetada por certo tipo de relações sociais, econômicas, e de trabalho. Escrevi esse texto em 8 de setembro de 2003, 23:35h, em outro blog. Boa parte das opiniões, já nem compartilho mais. Inclusive boa parte do que implica a tese central. Mas fica o registro.
Lá vai
En el tabaco, en el café, en el vino,
al borde de la noche se levantan
como esas voces que a lo lejos cantan
sin que se sepa qué, por el camino.
Livianamente hermanos del destino,
dióscuros, sombras pálidas, me espantan
las moscas de los hábitos, me aguantan
que siga a flote entre tanto remolino.
Los muertos hablan más pero al oído,
y los vivos son mano tibia y techo,
suma de lo ganado y lo perdido.
Así un día en la barca de la sombra,
de tanta ausencia abrigará mi pecho
esta antigua ternura que los nombra.
Julio Cortázar (Los Amigos)
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