Tudo isso, numa tremenda mistura, de elementos muito próximos: publicidade frequente, anúncios de tablóides, publicações em revistas de tititi, e fotos em revista de mulher pelada. Os marketeiros da Femsa estão investindo pesado, para reverter a dinastia Skol/Ambev. Lembremos que, tempos atrás, uma sequência de campanhas publicitárias fez a Skol "desbancar" a Antarctica e a Brahma. Conseguirão os marketeiros da Femsa essa façanha? Teremos uma próxima Playboy com a Galisteu? Michel Foucault questiona: é preciso crer na psicanálise para que ela surta efeito? Nas ciências em geral, assim como nas Humanidades, não basta crermos, temos de comprovar os resultados. Este estudo pretende verificar os limites éticos e políticos da psicanálise através da leitura da obra História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Um livro fundamental para todos aqueles que querem conhecer a genealogia de Michel Foucault e para aqueles que buscam se aproximar dos limites sociais, políticos e éticos da psicanálise na sociedade contemporânea.
o que digo é bem bobo, porque as pessoas que gostam verdadeiramente de gatos e cachorros têm uma relação com eles que não é humana. (…) o importante é ter uma relação animal com o animal. O que é ter uma relação animal com o animal? Não é falar com ele… Em todo caso, o que não suporto é a relação humana com o animal. Sei o que digo porque moro em uma rua um pouco deserta e as pessoas levam seus cachorros para passear. O que ouço de minha janela é espantoso. É espantoso como as pessoas falam com seus bichos. - O Abecedário de Gilles Deleuze.
Dar voz àquilo que é sem voz passa a ser a muitos um imperativo, um critério político essencial, como o era antigamente nos países coloniais a constituição de sua soberania pelo silêncio de outras vozes. Curioso, nisso, é constatar os silêncios que presenciamos hoje em dia: o do desempregado, o do dito "cidadão" (pessoas sem qualquer direito de "cidadania" são atualmente chamados de "cidadãos", veja-se a maioria da população brasileira), o do pobre, o de certas culturas que dispõem de muito petróleo, o de certas religiões (ditas "radicais"), e assim por diante. Em via contrária desses povos sem voz e sem lugar "mediático" algum, é curioso constatar o cultivo de outras pretensas "vozes", na linha do que Deleuze afirma acima: num mundo em que pessoas não possuem voz alguma, há "voz" e história dada a bichos de estimação, que recebem eles mesmos por seus donos uma certa afetividade "humana". Como em um blog norte-americano que conta a história de três cachorros, e um brasileiro que conta a história de um cavalo.
link: peterkuper.com/
Não conhecia ainda Peter Kuper, vi pela primeira vez uma referência sua no Sedentário Oleandros (corrigido, e bem encontrado!). O que de cara chamou a atenção é sua adaptação de A Metamorfose, de Kafka, aos quadrinhos [pesquisa de preços]. Muito legal como ele consegue condensar tanto simbolismo em suas imagens!
A apresentadora e vereadora de São Paulo Soninha Francine foi a entrevistada da semana no blog do Marcio Pimenta. Soninha foi uma das juradas do prêmio The Best of Blogs (The BoB´s), da Deutsche Welle. Dentre os assuntos, estão o papel dos blogs, a concepção de um bom blog, as relações entre diversas mídias e política, e o papel da questão pública no Brasil. Vale muito a pena conferir.
No pedágio.
Pedágio: "Se todos os usuários deste pedágio tivessem cartões visa, aqui não haveriam filas. VISA: porque a vida é agora"
E o velho fenemê, que passa anonimamente, sem cartão visa, retruca na muda linguagem das traseiras dos caminhões: "Apesar de tudo, ainda vale a pena viver"
Em tempo: Várias das principais estradas do Paraná possuem pedágios. E os preços não são, digamos, os mais baratos. Quando estavam para ser implementados, acompanhávamos na mídia e no dia-a-dia o discurso: quando houver pedágio, as rodovias serão duplicadas. Pois bem: hoje anunciaram um novo aumento na tarifa do pedágio, e explicitaram: não consta nos contratos a duplicação necessária das rodovias…
Outro assunto muito interessante é a duplicação da rodovia Regis Bittencourt, entre Curitiba e São Paulo. Recém a rodovia está se modernizando, com alguns trechos duplicados. Tudo com dinheiro público. Para quê? Para ser concedida a novos pedágios. Haveria deturpação maior do papel dos recursos públicos, no Brasil? Não caberia às concessionárias de pedágio a restauração e o aperfeiçoamento das estradas, ao invés de apenas a manutenção? Se o papel das agências de pedágio é apenas a manutenção, que tipo de uso do dinheiro público, e das liberdades dos cidadãos, estão em jogo?
Não inventaram negócio melhor no mundo - para os donos das concessionárias, obviamente. Mas fico me perguntando, em relação ao pedágio, se a ausência de opções não fere um direito básico: o de ir e vir.