December 10, 2006

A galeria da China

link: the-gallery-of-china.com dica da claricelerman

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Belas pinturas de artistas chineses… 

December 8, 2006

câmeras…

Quando os dois aviões colidiram com o World Trade Center, vimos algo nunca visto até então: uma multidão de indivíduos, carregando câmeras e filmadoras, registrando simultaneamente o mesmo acontecimento. Isso foi há alguns anos atrás. Depois surgiu o Flickr, e uma multidão de outros sites de fotografia. Hoje, coisas do mesmo gênero acontecem para quem quiser ver o mesmo acontecimento. Ontem Curitiba foi presenteada com um belo poente. O resultado, bem… (clique para ver mais)
 

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December 7, 2006

De Karina a Kaiser

Karina Bacchi é a capa da Playboy de Natal, muito comentada nos últimos tempos. Especialmente por um adorno anexo a seu corpo que será leiloado em prol de instituições de caridade. Karina é uma bela mulher, desaparecieda na mídia, mas que retorna aos holofotes após um namoro com o até então esquecido "Baixinho da Kaiser".
 
Retorno da Karina, retorno do Baixinho… Retorno da Kaiser? Notável mesmo é a ‘origem’ desse ‘romance’. Primeiramente, a Femsa compra a Kaiser, prometendo "surpreender". A "surpresa" é apontada por uma provável massiva campanha publicitária. Logo após, Bacchi aparece com o Baixinho na capa da Caras, junto àquela velha discussão das revistas de fofoca sobre se o amor é ou não verdadeiro. Não demora muito, estão os dois, juntinhos, na propaganda da Kaiser; O namoro então "termina" - é o próprio Baixinho que termina, "fique bem claro"; e a última cartada do Baixinho agora é ‘ficar’ com a Adriane Galisteu (como mostra a última propaganda da Kaiser).
 
Tudo isso, numa tremenda mistura, de elementos muito próximos: publicidade frequente, anúncios de tablóides, publicações em revistas de tititi, e fotos em revista de mulher pelada. Os marketeiros da Femsa estão investindo pesado, para reverter a dinastia Skol/Ambev. Lembremos que, tempos atrás, uma sequência de campanhas publicitárias fez a Skol "desbancar" a Antarctica e a Brahma. Conseguirão os marketeiros da Femsa essa façanha? Teremos uma próxima Playboy com a Galisteu?
 
Mas gostaria mesmo é de chamar a atenção a como toda essa campanha tem sido feita. Trata-se de propaganda que saiu de seu espaço habitual (TV, outdoors, etc.) e se mescla, de forma implícita, com outros meios: faz parte dos tablóides, mexe com os valores dos principais consumidores (foi o Baixinho que deu o "fora" na Karina), penetra em outros formatos midiáticos… Toda essa visibilidade, em meios que ultrapassam o da própria propaganda, pode ter sido já previamente contratada entre as empresas. Mas pode também ter sido um efeito de estratégia, de obtenção de visibilidade em que várias empresas aproveitariam a ‘onda’ da vez (uma ‘onda’ claramente criada por publicidade). Enfim, temos uma estratégia publicitária que saiu do mero espaço publicitário, e povoa agora também as fofocas das senhoras, e os olhos dos machões. Entre boatos e gostos, entre meios diversos de comunicação e valores, entre Caras e bundas… o que a Bundas diria?

December 6, 2006

Psicanalise e Biopolitica

Para quem mora em São Paulo, quinta-feira (dia 7/12) haverá o lançamento do livro Psicanálise e Biopolítica: contribuição para a ética e a política em Michel Foucault, de Marcos Teshainer [pesquisa de preços]. O lançamento será às 19 horas, na Rato de Livraria (maiores informações no link).
Michel Foucault questiona: é preciso crer na psicanálise para que ela surta efeito? Nas ciências em geral, assim como nas Humanidades, não basta crermos, temos de comprovar os resultados. Este estudo pretende verificar os limites éticos e políticos da psicanálise através da leitura da obra História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Um livro fundamental para todos aqueles que querem conhecer a genealogia de Michel Foucault e para aqueles que buscam se aproximar dos limites sociais, políticos e éticos da psicanálise na sociedade contemporânea.

Povos sem história, animais com história

o que digo é bem bobo, porque as pessoas que gostam verdadeiramente de gatos e cachorros têm uma relação com eles que não é humana. (…) o importante é ter uma relação animal com o animal. O que é ter uma relação animal com o animal? Não é falar com ele… Em todo caso, o que não suporto é a relação humana com o animal. Sei o que digo porque moro em uma rua um pouco deserta e as pessoas levam seus cachorros para passear. O que ouço de minha janela é espantoso. É espantoso como as pessoas falam com seus bichos. - O Abecedário de Gilles Deleuze.

É espantoso como as pessoas falam com seus bichos. Igualmente espantoso é encontrarmos pessoas que não possuem voz alguma. Claude Lévi-Strauss, em suas incursões nas sociedades anteriormente ditas "primitivas", mostrava, contra qualquer postulado anterior - apoiado nos evolucionismos do século XIX - que essas sociedades são muito mais complexas do que se pensava então. Os "povos sem história", se não possuiam estrutura e coerência ligados à comunicação da tradição pelas escrituras, tal como faz nossa sociedade, nem por isso seriam "involuídos" ou "simples", como o é o postulado de Haeckel que a filogênese repete a ontogênese, e como muitos insistiram que esse mesmo movimento acompanha a própria história das culturas.
 
Em suma, o que isso tudo quer dizer? Que Lévi-Strauss, para além do discurso tagarela de nossa soberania eurocêntrica, nada mais faz do que cindir esse discurso mostrando que há uma vivacidade discursiva que lhe é exterior. Há voz lá onde não havia voz; há complexidade lá onde havia apenas o primitivo; nossas verdades e nossa "evolução" são situações de uma cultura como qualquer outra, não melhor, nem superior. Em outras palavras - e aqui reside o essencial - há uma série de "vozes" a serem recuperadas, que dizem respeito àquilo que é pretensamente exterior ao ocidente, mas ao mesmo tempo, lhe diz essencialmente respeito. O "homem ocidental" se constituiria precisamente num discurso soberano que cala outros discursos, cuja soberania só seria soberana na manutenção de um silêncio. Vê-se aí uma das tarefas principais desenvolvidas pela intelectualidade do pós-guerra: dar voz, buscar a voz daquilo cuja voz era desconsiderada. Assim os pequenos movimentos, o surgimento da anti-psiquiatria, a criação de Foucault do Grupo de Informação sobre as Prisões, as considerações sobre a "revolução molecular" de Guattari, o movimento da "autonomia" italiana, e assim por diante.

Dar voz àquilo que é sem voz passa a ser a muitos um imperativo, um critério político essencial, como o era antigamente nos países coloniais a constituição de sua soberania pelo silêncio de outras vozes. Curioso, nisso, é constatar os silêncios que presenciamos hoje em dia: o do desempregado, o do dito "cidadão" (pessoas sem qualquer direito de "cidadania" são atualmente chamados de "cidadãos", veja-se a maioria da população brasileira), o do pobre, o de certas culturas que dispõem de muito petróleo, o de certas religiões (ditas "radicais"), e assim por diante. Em via contrária desses povos sem voz e sem lugar "mediático" algum, é curioso constatar o cultivo de outras pretensas "vozes", na linha do que Deleuze afirma acima: num mundo em que pessoas não possuem voz alguma, há "voz" e história dada a bichos de estimação, que recebem eles mesmos por seus donos uma certa afetividade "humana". Como em um blog norte-americano que conta a história de três cachorros, e um brasileiro que conta a história de um cavalo.

December 5, 2006

Oumi Hakkei

 
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Oumi Hakkei (ou Omi Hakkei) significa literalmente "Oito vistas para Oumi". Oumi é uma província do Japão, tematizada em poemas Waka desde os séculos XV-XVI. Serviu de inspiração a pintores como Utagawa Hiroshige. Vários dos quadros de Hiroshige estão passando (passaram?) pelo Brasil através da exposição "Eternos Tesouros do Japão" (imperdível!). Outros, ainda, são até encontrados em sebos do Brasil. Anos atrás, um amigo meu chegou a comprar um quadro de Hiroshige, desconhecido pelo dono do sebo, por algumas centenas de reais. Preciosidade…
 
 
 
 

December 4, 2006

Peter Kuper

link: peterkuper.com/

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Não conhecia ainda Peter Kuper, vi pela primeira vez uma referência sua no Sedentário Oleandros (corrigido, e bem encontrado!). O que de cara chamou a atenção é sua adaptação de A Metamorfose, de Kafka, aos quadrinhos [pesquisa de preços]. Muito legal como ele consegue condensar tanto simbolismo em suas imagens!

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December 2, 2006

Poentes

Para quem gosta de poentes, esse link do Sapo enche os olhos. O legal é que sempre muda.
  
 
 
 
 
  
 
 

December 1, 2006

Soninha no Pimenta

A apresentadora e vereadora de São Paulo Soninha Francine foi a entrevistada da semana no blog do Marcio Pimenta. Soninha foi uma das juradas do prêmio The Best of Blogs (The BoB´s), da Deutsche Welle. Dentre os assuntos, estão o papel dos blogs, a concepção de um bom blog, as relações entre diversas mídias e política, e o papel da questão pública no Brasil. Vale muito a pena conferir.

Diálogo entre o pedágio e o fenemê

No pedágio.

Pedágio: "Se todos os usuários deste pedágio tivessem cartões visa, aqui não haveriam filas. VISA: porque a vida é agora"

E o velho fenemê, que passa anonimamente, sem cartão visa, retruca na muda linguagem das traseiras dos caminhões: "Apesar de tudo, ainda vale a pena viver"

Em tempo: Várias das principais estradas do Paraná possuem pedágios. E os preços não são, digamos, os mais baratos. Quando estavam para ser implementados, acompanhávamos na mídia e no dia-a-dia o discurso: quando houver pedágio, as rodovias serão duplicadas. Pois bem: hoje anunciaram um novo aumento na tarifa do pedágio, e explicitaram: não consta nos contratos a duplicação necessária das rodovias…

Outro assunto muito interessante é a duplicação da rodovia Regis Bittencourt, entre Curitiba e São Paulo. Recém a rodovia está se modernizando, com alguns trechos duplicados. Tudo com dinheiro público. Para quê? Para ser concedida a novos pedágios. Haveria deturpação maior do papel dos recursos públicos, no Brasil? Não caberia às concessionárias de pedágio a restauração e o aperfeiçoamento das estradas, ao invés de apenas a manutenção? Se o papel das agências de pedágio é apenas a manutenção, que tipo de uso do dinheiro público, e das liberdades dos cidadãos, estão em jogo?

Não inventaram negócio melhor no mundo - para os donos das concessionárias, obviamente. Mas fico me perguntando, em relação ao pedágio, se a ausência de opções não fere um direito básico: o de ir e vir.