Um grupo de pastores desocupados, e pouco observadores daquilo mesmo que crêem, pretendem mudar o nome da "Garganta do Diabo", conjunto de quedas das Cataratas do Iguaçu, para "Voz de Deus", ou coisas do gênero.
Já vi dois tipos de argumentos de tais pastores: um deles é que o nome da Garganta pode atrair, simplesmente quando enunciando, a própria figura maligna que supostamente representaria. O outro argumento é o de que a "Voz de Deus" é como a de muitas águas, justificando o estrondo das quedas, mas tão arbitrário quando qualquer outro.
Curiosamente, já fazem alguns séculos que o nome não serve mais simplesmente para "chamar" a coisa. Esse é um princípio que nem ao cristianismo pertence, mas lá pelo século XVI provinha de algo como um ’saber’ mágico. Portanto, avesso ao próprio cristianismo de então. No início do cristianismo, o combate às seitas gnósticas mostrava também essa recusa a aspectos místicos e esotéricos, que desviariam vários preceitos cristãos simplesmente ao conhecimento mágico e à intimidade do crente. Ainda, é notável toda uma tradição, até mesmo pré-cristã, que proibia a enunciação do próprio Nome divino (simétrico e oposto disso tudo).
Alheio a esse debate ‘religioso’, notemos que ao imaginar uma cachoeira, dois nomes sempre vem direto à mente: "véu da noiva", e "garganta do diabo". Coisa simplesmente usual.
Temo em pensar que, se o nome "chama" a coisa, algumas dessas igrejas reuniriam mais demonios do que o próprio Deus que cultuam. O que dizer também de todas as manchetes dos jornais, que esses pastores conseguiram mobilizar?
Richard Doyle
- Arte e Fantasia

The Fairy Queen Takes an Airy Drive in a Light Carriage
Encontrei a arte de Richard Doyle por acaso. Não há como não verificar elementos de fantasia bem famosos em seu traço: Elfos, cogumelos gigantes, e gravuras que lembram histórias de Lewis Carroll. Era tio do escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Foi também ilustrador de livros de Charles Dickens. Junto a esse desenhista, coexiste todo um universo de gravuras e Contos de Fadas, frequentes no século XIX.
Leia maisWilliam Blake: Ilustrações para o Livro de Jó (1805-06 e 1821-27)
Caríssimos leitores do Catatau:
O Jethro Tull virá a Curitiba agora, dia 25/4/2007, para realizar um novo show na cidade. No mesmo horário, enfrentarei uma viagem de dez horas e meia, para assistir a apenas uma aula no outro dia (faltar gera 90% de chances de péssimas consequências), e já retornar. E agora? Alguma alma indulgente com suma autoridade poderia me ajudar? Trata-se de um show do Jethro Tull, compreendem?
Falando em música, uma banda curitibana chamada Motorocker - considerada um dos melhore covers do AC-DC - tem feito um bom sucesso ultimamente. Faltei ao show deles no sábado, mas… no mesmo dia não faltaram os "prazeres da carne - costelada, frango assado e churrascão"
Lembrando ainda alguns amigos leitores: sempre que encontramos alguma referência na internet, faz parte da netiqueta postar a origem, concordam? Tenho percebido vários leitores vincularem-reproduzirem-copiarem dados parciais ou totais, ou mesmo referências vinculadas aqui no Catatau, porém sem mencionar de onde veio o toque. Poxa vida, às vezes o trabalho de unir referências num post é gigantesco. Como diz o velho ditado, "mencionar é citação; copiar é plágio".
Sobre Curitiba, o blog Curitibocas tem um projeto interessante: lançar um livro de entrevistas com várias figuraças carimbadas da cidade. Até na porta do Vampiro já bateram.
Enfim, a respeito do vídeo "Eu gosto de Cu…ritiba", música de autoria de Carlos Careqa, foi interpretada das mais diversas formas, desde o sério civismo, ao culto (quase a la Rafael Greca) à terra das araucárias. Atentando ao jeito despojado de Careqa, a música mostra de fato um bom lugar para "ir fundo, no meio do mundo, aqui é o meu lugar"
No Jornal Hoje (conforme o padrão de praticamente todos os telejornais):
Em quase uma década de governo foi um chefe de estado controvertido ao comandar a abertura econômica da Rússia e, ao mesmo tempo, levar o país corroído pela corrupção a uma crise sem precedentes. Mesmo com a popularidade em baixa e a saúde abalada por dois ataques cardíacos, Boris Yeltsin bebeu com os eleitores e dançou rock. Acabou reeleito em mil 1996.
Só podia ser controvertido mesmo. Onde se viu, a Globalização ser acompanhada de crises políticas "sem precedentes"? Em lugar algum no mundo isso aconteceu, desde Thatcher
Pesquisa de livros sobre globalização, e de história e política da Rússia.
Sentado na praça, pessoas ao redor. Várias delas, solitárias, outras com cães, e outras ainda com filhos. Bruscamente, uma mulher começa a correr. Veste uma daquelas mochilas de deixar o bebê junto ao corpo. A mulher corre, a mochila vazia, as alças suspensas, balançando com as passadas. Aconteceu algo? O bebê caiu? Ela vai até a lixeira, pega uma espécie de plástico, e faz meia volta, também em ritmo frenético. De repente, atrás de uma moita, sai um simpático cãozinho. Rapidamente, a mulher envolve a mão com o plástico, e pega um pequeno cocô. Na outra mão, o cão é levado à mochila, e os dois vão embora.
Tem também aquele cãozinho com a fita na cabeça, balançando junto com os pêlos tratadíssimos. É levado por uma dona zeloza e conversadeira. Conversa com o cão. Aliás, raramente passa alguém ali que não conversa com seu cão. Ou aquele casal que levou o cachorrinho como pretexto para o primeiro encontro, acariciando o bichinho nos intervalos do flerte. Ou a feiosa que passa rebolando com o cachorro, toda a praça. Ou as crianças que brincam com os bichos de estimação. Aquele fenômeno estranho: quase todos os donos conversando - ora alegremente, ora fazendo alguma advertência - com seus animais. Mas entre aqueles vários indivíduos que se entrecruzam com seus bichinhos, quase não há conversa alguma. Mundos que confluem, ali, apenas os do novo casal que flertava.
Sem falar naquela história dos vizinhos. Curitiba tem uma certa fama de poucos amigos, e sempre quando esse pré-conceito se levanta, chovem opiniões polêmicas e conflituosas. Inegável é que tem casos de vizinhos que chegam a ser cômicos. Como meus vizinhos de cima. Nem imagino quem sejam. Mas já fazem alguns dias, ocorre uma grande guerra entre ‘nós’ e ‘eles’. Porquê? Ainda não descobri. O fato é que eles têm dois costumes, um que pode ser considerado ‘normal’, e outro estranhíssimo. Costume ‘normal’: ocasionalmente, escutam música alta na alta madrugada. Costume ‘estranhíssimo’: barulhos inesperados ecoam do apartamento, também de madrugada.
Quanto á música, não há o que fazer, além de reclamar. Quanto aos outros barulhos, não consegui mais do que formular algumas hipóteses: (1) a do pinico: tanto barulho de fluidos caindo só podem denotar a existência de um pinico, já que a planta do apartamento não admitiria (provavelmente) um banheiro por ali. E… se não for um pinico? A frequência das prováveis urinas é bem maior do que um homem normal costuma fazer, especialmente durante à noite. Certo, os vizinhos podem ter voltado da festa, e deixado o pinico logo ali, do ladinho. Mas a dúvida permanece, pois o barulho às vezes perdura entre conversas bem humoradas. (2) a dos gemidos estranhos: provavelmente algumas vezes os vizinhos fazem sexo, logo acima. O que talvez nem imaginem é que isso pode ser ouvido. Uma estranha ‘intimidade’ mostrada a vizinhos que nem ao menos se conhecem. (3) a do ’sapateado’: dia e noite um (ou vários?) dos indivíduos residentes acima anda com algo que pode ser um tamanco, uma sandalha de salto, ou algum desses calçados de sapatear. A frequência dos ‘toc-toc-toc’ aumenta exponencialmente a cada vez que reclamamos. Junto aos passos, coisas são derrubadas, algo como uma vassoura (ou quem sabe unhas friccionadas?) é ocasionalmente passado no chão (porém sem uma continuidade que indicaria alguém varrendo o quarto), e o barulho não tem hora para terminar. Já pensei na hipótese de colocar o som alto de manhazinha, como vingança. Mas sou eu quem ainda acorda com os sapateados.
Vamos então à forma da ‘guerra’. Após pelo menos duas noites com tais acontecimentos, iniciamos as clássicas ‘vassouradas’ no teto. O que aconteceu? Simplesmente, como mencionado, a frequência aumentou consideravelmente. Talvez, como uma queda de braço, vassouradas versus barulhos estranhos. Quem ganhará? Muitas vassouradas durante o dia são cansativas, há toda a gravidade a favor do adversário. Dado que tudo o que foi descrito acima é obviamente aversivo a qualquer pessoa exposta a tais ruídos, não há outra coisa a se considerar senão que é tudo de propósito. Ou poderia ser um fetiche? O fato é que, por incrível que pareça, da conversa com os cães, ao silêncio para com o vizinho, à fixação por usar salto quando se poderia calçar um chinelo, existem pessoas que empenham suas vidas em tal tipo de ofício… a pergunta envolve então o que deixamos para trás com tudo isso.
- Coisas de Curitiba vol. I , vol. II e vol. III
- Pesquisa de livros de autores curitibanos e sobre Curitiba (literatura, humanas, turismo e afins)
- Charge de Luis Eduardo Leon
Encontrei por acaso uma página, de um site chamado "Hubdog", vinculando uma espécie de RSS do Catatau. Vê-se que o formato é um pouco diferente dos agregadores normais.
O Hubdog, ao que tudo indica, é uma espécie de conversor de agregadores de notícias para sistemas de Palm, Smartphone, e Pocket PC. Como o visual ficou interessante, vale a pena conferir.
Link: http://www.temakel.com/bvjob.htm
Primeiro de dois posts sobre o livro de Jó. Gostaria em primeiro lugar de chamar a atenção sobre o ensaio linkado de Gustavo Cazachkoff, sobre esse livro (resumo abaixo):
Excerto da apresentação: Gustavo Cazachkoff es un ávido estudioso de los idiomas, y de temáticas filosóficas, psicoanalíticas y religiosas. En Temakel, ya hemos editado una muestra de su entusiasta aproximación al idioma chino. Aquí, Cazachkoff nos propone un elaborado ensayo sobre Job, el célebre personaje bíblico. Mediante la apelación a Jung, Freud, Camus, Toni Negri, Cioran, el misdrash y el análisis de la traducción hebrea del texto bíblico inicialmente arameo, el autor consuma una reconstrucción de la historia de Job. Job es el más devoto siervo de Jehová. Pero el Rey de Reyes decide probar los alcances de su fe. Lo somete entonces a una avalancha de infortunios. Job se exalta, se indigna, se rebela ante lo que estima un destino injusto. Surge así una dimensión ética en la relación entre Job, la supuesta víctima de una injusticia divina, y el Dios aparentemente arbitrario. ¿Puede Job situarse en un plano de igualdad ontológica con el Dios denunciado? El lugar, la morada, el ethos del sujeto Job, pretendería así someter a Dios, convertirlo en su obiecto. Esta igualación, que sería en realidad como decimos un sutil sometimiento del Todopoderoso denunciado por el sujeto (humano) denunciante, es imposible. Por lo que las acciones de Dios en contra de Job terminarán adquiriendo los perfiles de una justicia superior al entendimiento del hombre que razona.El ensayo específico sobre Job es continuado por un apéndice, "La metaestabilidad de la ética", un intento de Cazachkoff de pensar lo ético desde la lógica de conjuntos y la física del caos de Prigogine
Em terceiro lugar, no próximo post pretendo mostrar referências de belas gravuras feitas a esse livro.