April 21, 2007

Rome - Segunda Temporada

 

Como postamos em outra ocasião, Rome é a série mais cara já feita. Planejada para apenas 12 episódios, foi ampliada agora para uma segunda temporada (links para download, em rmvb). Rome mostra o cotidiano do antigo Império a partir do jogo político da nobreza (envolvendo figuras como César, Marco Antônio, Cleópatra, Cícero, Brutus e outros), e ao mesmo tempo na visão da plebe (encarnada por dois protagonistas que servem às legiões). Os diretores mostram os contrastes muito bem. Cenas mais complexas, como o funeral de César, também são muito bem equilibradas, aliando a trama dos personagens, o cenário, e restrições orçamentárias (é um seriado caro, mas não uma super-produção hollywoodiana). Vale muito a pena assistir.

Pesquisa de DVD´s de Roma, e de outras séries. Pesquisa de livros sobre Roma.  

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Roma, que reestréia domingo, não terá terceira temporada

A premiadíssima serie Roma, que vai ao ar no Brasil pela HBO, estréia neste domingo nos Estados Unidos, mas já com a certeza de que a saga do Império Romano não vai continuar. Em conversa com a imprensa, os produtores afirmaram que a série acaba nesta segunda fase, que começa exatamente no dia em que Julio Cesar é assassinado e acompanha toda a trajetória dos conflitos entre os dois grandes líderes que passam a disputar o poder, Marco Antonio e Otavio.

"É uma pena. Adoramos a série. Fomos muito bem de critica. Ganhamos Emmys - o prêmio principal da indústria de TV dos EUA - e sabemos que a qualidade é alta. Mas os custos também são. E não havia mais como manter uma serie deste padrão", declarou o produtor Frank Doelger, que está à frente de produções como Sex and the City e participou da entrevistas para a imprensa durante o lançamento da segunda temporada de Roma nesta semana, em Londres.

A série conta a história de uma das maiores civilizações e império da história e também foi totalmente filmada na cidade Roma, nos estúdios da Cinecitt`a, mas o lançamento acabou sendo feito em Londres por questões de logística. O elenco todo é britânico e "foi mais simples assim", explicou a produtora Anne Thomopoulos, que divide o trabalho com Doelger.

Além deles, o roteirista e também produtor Bruno Heller, o consultor histórico da série, Jonathan Stamp, e os atores Kevin McKidd (o centurião Lucius Vorenus), James Purefoy (Marco Antonio), Lindsay Duncan (Servilia, amante de Julio Cesar e mãe de Brutus) e Simon Woods (de Orgulho e Preconceito, que vive em Roma o imperador Otavio), também conversaram com a imprensa.

Os produtores não negaram quando questionados se o grande inimigo da continuidade da serie são os altos custos de produção. "É irônico, mas é fato. Para a segunda temporada, diminuímos muito os custos, pois aprendemos várias lições da primeira, como não filmar tantas cenas de grandes batalhas, por exemplo. E baixamos nossos gastos em 10%. O problema é que o dólar caiu muito em relação ao euro neste período e, no final, o custo absoluto acabou sendo sim maior que o da primeira temporada, cujos custos foram US$ 100 milhões de dólares , declarou Doelger.

April 20, 2007

“Fertile Earth”

 
"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte"
- Gandhi - 

April 19, 2007

Exclusão e projetos sociais

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imagem daqui (vale a pena conferir)

Passando por São Paulo não há como não perceber enormes, gigantescas favelas. Numa delas, vi um projeto social que alia escola e circo. Outros, ainda, envolvem ‘inclusão digital’. Mas é curioso perguntar-se, nisso tudo, o que é - e o que deve ser - um trabalho dito ’social’.

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April 18, 2007

O livro secreto da Ditadura

Recebi do desobediente uma série de referências a respeito de um projeto chamado "Orvil" (’livro’ ao contrário). O projeto teria sido encabeçado pelos militares para contar a história do Regime a partir deles mesmos. O livro completo (quase inacessível, porém aberto agora para a mídia) elucidaria várias questões ainda abertas sobre a ditadura.
 
Colo o informe abaixo, feito com vários clippings do Correio Braziliense:
 
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April 17, 2007

A limpeza étnica da Palestina

The Ethnic Cleansing of Palestine [pesquisa de preços] é um livro de Ilan Pappé, publicado em 2006. Parece muito interessante. Trata de uma nova leva de pesquisas históricas de documentos até então inacessíveis dos governos britânico e israelense. Esses pesquisadores recebem o nome de "novos historiadores", por contestarem antigas descrições sobre a ocupação israelense. Abaixo, consta um trecho de entrevista com o autor, e logo após outras referências

The book tries to show that in 1948, the Zionist movement waged a war against the Palestinain people in order to implement its long term plans of ethnic cleansing (whereas Israeli historians, including ‘new historians’, claimed that the war was waged by the Arab world against the state of Israel in order to eliminate it and it resulted in expulsions of Palestinians). The Arab world tried to prevent this cleansing, but was too fragmented, self-centered and ineffective to stop the uprooting of half of Palestine’s native population, the destruction of half of its villages and towns and the killing of thousands of its people.

And since that ethnic cleansing was successfully implemented in almost 80% of Palestine without any global or regional repercussions - the ethnic cleansing policy continues ever since 1967 in the remaining 20% of the country. Creating a Jewish state in historical Palestine cleansed of Palestinians is still the ideolgoical infrastructure on which the state of Israel is based. How to achieve this goal is a divisive issue between Left Zionists - hoping to negotiate a settlement that would leave a small number of Palestinains in a greater Israel and the Right Zionsts willing to implement a more direct cleasning policy from the same area even today.

The book uses the accepted scholarly definition of Ethnic Cleansing to show its academic as well legal applicability to the case of Palestine and argues that since in the eyes of the world - including the State Department and the UN - ethnic cleansing is a crime against humanity, this how we should view the Israeli actions in the past and ISrael’s policies in the present. [entrevista com o autor]

- Resenha do livro
- Site de Pappé, com vários textos
- Ilan Pappe: Israeli Jewish myths and the prospect of American war (outra entrevista com o autor)
- Outra entrevista, em vídeo 
- Outra, impressa 
- Advocate of Israel’s destruction (texto contra o autor)
 
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PS 1: O Túmulo de Foucault
Pérola (do orkut):

saber è poder?
tenho pra mim, que e muito mais facil fabricar individuo no sistema presidiario do que em uma escola . O presidio e uma fabrica de individuos, este produz no corpo humano um controle de suas atitudes, seus discusos etc… e a escola de certa foma e perigosa…O que tem nela é o saber,e o sabe e ter poder …ai mora o perigo ,por isso o saber nao e pra todos.

Talvez as reviravoltas de Foucault no túmulo só percam para as de Nietzsche

April 16, 2007

Delírios partilhados

"É desnecessário dizer que todo aquele que partilha um delírio jamais o reconhece como tal"

A frase acima é de Freud, e pertence a "O Mal-Estar na Civilização" [pesquisa de preços]. Lembrei dela ao ver a matéria do Fantástico a respeito de uma escola mexicana com 600 alunas afetadas por alguma espécie da chamada "histeria coletiva". Esse texto de Freud é muito rico de questões, em vários aspectos. Dentre eles, o modo pelo qual Freud psicologiza as religiões, como espécies de movimentos delirantes de massa: mais do que algo místico, uma religião é uma espécie de "sintoma", um fenômeno psicológico compartilhado por milhares de pessoas.

Tal caracterização é muito interessante, por um simples motivo. Basta inverter a questão: se uma religião é uma espécie de delírio coletivo, as manifestações delirantes coletivas seriam apenas religiosas? 

Temos uma resposta nas alunas mexicanas. Outra, na bela referência de "Capitalismo: um delírio muito especial", de Deleuze e Guattari. Vale muito a pena conferir.

Pesquisa de livros: história da histeria, Freud, Deleuze, Guattari

Sean Kernan - Fotografia

Link: seankernan.com, thesecretbooks.com

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Conheci esse fotógrafo por meio do Coincidences, num texto que chama atenção à relação arte x comércio.

April 14, 2007

Bento XVI, seu novo livro, e Marx

Já havia visto pelo Hermenauta o aviso do novo livro de Bento XVI "Jesus de Nazaré. Do Batismo no Jordão à Transfiguração" [pesquisa de preços]. O Hermenauta chamava a atenção a algo até agora inusitado: uma espécie de elogio do Papa a Marx. Mais ou menos conforme o trecho:

‘O homem, no curso de sua história, foi alienado, torturado, explorado. A grande massa da humanidade viveu quase sempre na opressão. Por outro lado, os opressores são uma degradação do homem'’, diz o texto.

‘Karl Marx descreveu de maneira drástica a ‘alienação’ do homem. Mesmo que não tenha atingido a verdadeira profundidade da alienação - raciocinava só em âmbito material - deu uma imagem clara do homem vitimado por bandidos.’

Sabemos já sobre a oposição entre os "socialismos" do século XX e a Igreja. Até os pensadores de inspiração comunista, já há algum tempo, negam a afirmação de que tais regimes foram fiéis às idéias marxistas. Mas entre um marxismo humanista, e os humanismos da Igreja, o vínculo parece bem próximo… a ponto de um Papa escrever sobre Marx. Ou não?

Como pano de fundo, a valorização do Jesus histórico junto ao da fé parece mostrar alguma espécie de debate com a Teologia da Libertação

April 13, 2007

thangka

link: thangkapaintings.com/

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Budas para dar e vender, por vários artistas
[pesquisa de livros e filmes sobre Buda]

Sobre Claudio Ulpiano

"A filosofia que não serve para a vida, não serve para nada"

Cláudio Ulpiano (1932-1999). Morreu dia 5 de janeiro, de efizema. Juntando de trapo em trapo as referências na internet sobre um filósofo festejado por seus ex-alunos, encontrei algumas coisinhas. De imediato - essa curiosidade imediata que permanece em mim desde pelo menos 1999 - percebo que deve ter sido uma pessoa extraordinária. Guilherme Castelo Branco chama a atenção sobre Ulpiano considerar que uma questão filosófica séria nunca poderia ser apenas mero artefato acadêmico, dependente da aprovação de algum parecerista. Um projeto de pesquisa, pura e simplesmente, não poderia resultar num trabalho radical e original de filosofia. "Burocracia teórica, inútil e inócua".

Mais do que meras palavras de um catedrático titulado, para Ulpiano - nas palavras que encontro no cache do google, de Castelo Branco -, que cultivava mais seu ouvinte do que seu leitor, a importância da filosofia se dava em como poderia fazer parte integrante da vida de seus alunos. Mais do que introduzir a filosofia, seu intuito parecia ser o de um jogo entre afetação e produção de singularidades.

Continuando com Jaime Areas, em Cláudio Ulpiano a filosofia é a "grande aventura do pensamento" e "atividade arriscada", onde cada um arrisca alguma coisa para colher os frutos do pensamento e da vida. A filosofia seria rompimento e superação do orgânico, liberação do inorgânico, do intensivo, do Aion, produção de constelação.

Ulpiano defendeu seu doutorado sobre Deleuze. Há alunos que se encarregaram de transcrever gravações de suas aulas, outros, suas notas… Onde estão? Encontrei algumas, que transcrevo abaixo:

A criança é uma matéria prima, é uma potência, múltiplas forças em movimento. O que com ela temos de fazer - é entendê-la; aprender com ela, que ensinar é fazer uma viagem.
A filosofia é uma tarefa criativa, uma festa de delírio lógico - um excesso de entendimento.
A visita de um filósofo, com seus conceitos, por exemplo a um vírus, a um rato, a uma equação, a um filme, ou ao seu próprio mundo filosófico - o torna um nômade.
As idéias podem ser belas - e são belas quando de algum modo nos tornam mais potentes.
Justiça é a constante e permanente vontade de dar a cada qual o que lhe pertence.
O nosso encontro pertenceu ao reino do encantamento, mostrando que a filosofia é uma linha melódica, tão poderosa, que produziu em nós um acorde, digo, ou melhor, repito - um acordo: o dos amantes do corpo expressivo, que só oferecem, um ao outro, o amor.
O que posso chamar de livre senão aquilo que precisa só de sua natureza para efetuar sua existência?
Os homens não odeiam as ilusões, e não apenas as suportam - as desejam, mas delas fogem por causa das conseqüências quase sempre nocivas.
Quando algo é uma utopia, senão a partir do instante em que se pergunta sobre seu futuro ou sobre a possibilidade de sua efetuação? Deixe isto de lado; a revolução não tem futuro, e muito menos precisa de passado. Pense-se no evento, no acontecer dela.

Um escritor não deve considerar a pátria como uma coisa pronta. Pelo contrário, admitir que sua obra colabora para dar consistência, força e beleza à Pátria - e que esta, se distingue pelos trabalhos de seus artistas e cientistas, de seus pensadores.

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