
Teoria na prática é outra?
Certo dia - como narra muito bem o Catatau de Leminski - chegaram alguns distintos senhores de idéias claras e distintas ao Brasil. Quiseram enquadrar numa perfeita geometria toda a "natura desvairada desses ares". Se a natureza é desvairada, a teoria - que não é desvairada - poderia aplicar-se, domando, capturando, e manipulando. Todo o Catatau mostra como isso tudo apareceu no Brasil sob um caráter, sobretudo, cômico. Pois, ao olhar chapado do Descartes leminskiano, tudo parecia fugir, esmorecer, escorrer das próprias mãos do racionalista europeu.
Tudo isso que escorre, como medidas singulares e palavras desconhecidas e móveis das próprias bocas dos índios, seria capturável pelo bom e reto pensamento? Há quem diga que, enfim, esses distintos planos para o Brasil, diante de olhares muito otimistas e miopes, "deram certo" (muito embora a vulgaridade do brasido superou o nome sacro, Santa Cruz). A teoria funcionou, mostrou-se aplicável à prática, e vivemos hoje num país tão harmonioso quanto as linhas de um polígono regular. A conclusão, portanto, forçosamente, é: toda teoria funciona.
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