May 9, 2007

De manhã, o Paraíso ao redor

img63/3351/mertondalailamafa8.jpg
Thomas Merton com o Dalai Lama, em 1968 (daqui

Thomas Merton é um monge trapista norte-americano, que escreveu vários livros [pesquisa deles em várias editoras], e dialogou com uma série de personalidades influentes do século XX. O interessante, nos textos de Merton, é a presença de toda uma atitude espiritual, um tanto mística, junto à crença católica. Livros sobre a "experiência humana do Divino", zen-budismo  e Chuang Tsé (um taoísta), mostram bem esse diálogo e essa atitude.

Abaixo destaco uma bela passagem sobre o amanhecer, retirada do blog "Reflexões de Thomas Merton". Sobre a ‘manhã’, vale a pena ver também o belo poema de Kavafis

“Os primeiros chilreios dos pássaros ao acordar marcam o point-vierge [ponto virgem] da aurora sob um céu ainda desprovido de verdadeira luz. É um momento de temor reverente e de inexprimível inocência, quando o Pai, em perfeito silêncio, lhes abre os olhos. Eles começam a Lhe falar, não em um canto fluente, mas com uma pergunta de despertar que é o estado de aurora deles, seu estado no point-vierge. Sua condição pergunta se para eles é tempo de ‘ser’. Ele responde “sim”. Então, um por um, despertam e se tornam passarinhos. Manifestam-se como passarinhos e começam a cantar. Logo serão plenamente eles mesmos e até voarão.
Aqui há um segredo inefável: o paraíso nos envolve e não entendemos. Está escancarado. A espada foi retirada, mas não sabemos. Partimos: ‘um para sua fazenda, outro para seus negócios.’ Luzes acesas. Tique-taque dos relógios. Barômetros em ação. Fogões cozinhando. Barbeadores elétricos enchendo os rádios de estática. ‘Sabedoria’ clama o diácono da aurora, mas não acorremos.”

Conjectures of a Guilty Bystander, de Thomas Merton
(Doubleday, New York), 1966. p. 131-132
No Brasil: Reflexões de um espectador culpado, (Editora Vozes, Petrópolis), 1970. p. 151-152
Reflexão da semana de 07-05-2007

Um pensamento para reflexão: “O momento mais maravilhoso do dia é quando, em sua inocência, a criação pede licença para ‘ser’ de novo, como na primeira manhã de todos os tempos.”
Reflexões de um espectador culpado, Thomas Merton


4 Comments »

  1. _Maga Says

    Nossa que lindo!!!

    Considero o alvorecer e o anoitecer momentos mágicos… em geral meus momentos preferidos do dia… Quando a luz do Sol realça o mundo com seu jogo de luz e sombra, deixando tudo mais belo e com uma aura mistica… momentos que convidam a reflexão e a vida.

    Um grande abraço

    Made on May 9, 2007 @ 1:54 pm

  2. Filipe Says

    Caramba… ficar sem internet hoje em dia não é nada fácil. Acabamos perdendo posts como esse que escrevera, bem interessantes.
    Grande abraço Catatau.

    Made on May 9, 2007 @ 3:56 pm

  3. leandro Says

    Os textos do Thomas Merton são sempre inspirados, mesmo quando ele fala dos barbeadores… MAs interessante mesmo é a autobiografia dele, “A Montanha dos Setes Patamares”, que é basicamente, com todo o respeito, “a vida de um piá pançudo antes de entrar no mosteiro”, heheh

    Made on May 9, 2007 @ 6:21 pm

  4. Thomás Says

    Meu pai gosta muito do Merton, não é atoa que ganhei este nome… rs

    abraço

    Made on May 10, 2007 @ 10:24 pm

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment



Anti-spam measure: please retype the above text into the box provided.