May 10, 2007
Julien e o I Ching
Comprei hoje (no sebo, claro Além do projeto da lógica interna, outra função do estudo é mostrar como esse pensamento tão distante e "exterior" lança luz à maneira como nós mesmos pensamos. Categorias tão alheias como as do I Ching, não resultantes de uma proveniência greco-romana, poderiam dizer respeito a nós mesmos por aquilo mesmo que mostra as bordas externas de nossa própria constituição.
Como mostra o próprio Julien, um estudo como esse se desvia de duas outras leituras: a dos místicos (que preserva a incomensurabilidade do livro relegando-o a um caráter esotérico, fantástico, fabuloso), e a dos sinólogos, que utilizam o Livro das Mutações como índice de compreensão para outras obras, consideradas mais importantes. Nas duas leituras, vê-se que não se dá valor intrínseco ao livro, mas apenas revestimentos externos vindos da fantasia, crenças amalgamadas, ou de outros interesses.
Outra questão interessante refere-se às versões do I Ching que possuímos no Brasil, como a de Wilhelm prefaciada por Jung [pesquisa de livros]. Enquanto visões como a de Jung buscariam mostrar elementos comuns, arquetípicos, entre diversas tradições, a posição de Julien é diversa, demarcando a diferença, a irredutibilidade, a descontinuidade. Ao invés de avaliar outras culturas com base em padrões dados, Julien se pergunta por nossa própria cultura. Em questão, nós mesmos.








Comments »
Seja o primeiro a comentar!
RSS feed for comments on this post.
Deixe seu comentário