May 12, 2007
Mais Thomas Merton
O último post sobre Thomas Merton surtiu efeitos curiosos, além da descoberta da origem do nome de um dos leitores do blog
. Entrei hoje em um sebo no interior de SP, e no primeiro livro que chama a atenção, lá está o mesmo nome do autor em letras garrafais. Abro o livro, e na primeira página aberta, a mesma foto de Merton com o Dalai Lama
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. Entrei hoje em um sebo no interior de SP, e no primeiro livro que chama a atenção, lá está o mesmo nome do autor em letras garrafais. Abro o livro, e na primeira página aberta, a mesma foto de Merton com o Dalai Lama
.No fim das contas, comprei o livro, intitulado O Diário da Ásia [pesquisa de preços]. São ali reunidos os últimos textos de Merton, inclusive a conferência "Marxismo e Perspectivas Monásticas", pronunciada no dia do falecimento, em dezembro de 1968.
A respeito de seu "misticismo", salta aos olhos a questão de compreender como uma atitude espiritual, que facilmente se relaciona com vertentes místicas, se imiscui com outra esfera da religiosidade que é a própria Regra, ou a obediência a um código pré-estabelecido de condutas. Especialmente quando se trata de um monge, a questão da Regra é preponderante. E, bem no início do livro, encontramos a passagem:
O que é essencial na vida monástica não é representado nem por construções de tipo especial, nem por vestuários deste ou daquele corte, nem mesmo está contido em uma Regra. Representa alguma coisa que supera a própria regra. Concentra-se na procura de uma transmutação interior profunda. Tudo mais deve ser colocado a serviço dessa finalidade… O monge pertence ao mundo mas o mundo pertence a ele na medida em que ele se dispôs a libertar-se dele, mas para o libertar (p. XII)
A Regra, portanto, em Merton seria secundária em relação a, digamos, uma Forma de vida espiritual. Isso tudo tem grandes consequências na Tradição, precisamente porque a Regra, que do latim vem de Regula, régua ou medida, sempre serviu como um código pré-estipulado a partir do qual os acontecimentos apenas teriam a se amoldar. Já quanto as questões de uma "forma" de vida, e ainda mais mística, o próprio cristianismo nascente via, de todos os lados, outras práticas das quais deveria divergir para caracterizar sua própria identidade. De todo modo, a submissão da Regra à "forma" de uma vida espiritual carregada de misticismo explica a possibilidade de Merton aproximar-se de crenças exógenas.
Sobre esses diálogos de Merton com outras crenças, esse site (em construção) oferece algumas largas passagens dos livros de Merton sobre o Zen. A respeito da vida e obra de Merton, além do site oficial, com vários apontamentos, Thomas Merton: Man of Many Journeys resume seu percurso.
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- Carl Jung and Thomas Merton - Paper de David Henderson.
O Buda perguntou a Sariputra: ‘Acreditas em mim?’ Sariputra respondeu: ‘Não’. Mas o Buda o elogiou por isso. Foi o discípulo favorito porque não acreditava em Buda, apenas o respeitava como a outro homem qualquer, mas que tinha sido iluminado.Que é o ‘conhecimento da libertação?’ - eu perguntei. - ‘Quando você está em Bancoc, você sabe que está ali. Antes disso você só sabia a respeito de Bancoc. A pessoa tem que subir todos os degraus e, depois, quando não há mais degraus, terá que dar um salto. O conhecimento da libertação é o conhecimento, a experiência desse salto’. (Diário da Ásia, p. 10)






2 Comments »
_Maga Says —
muito, muito interessante esta frase: Isso tudo tem grandes consequências na Tradição, precisamente porque a Regra, que do latim vem de Regula, régua ou medida, sempre serviu como um código pré-estipulado a partir do qual os acontecimentos apenas teriam a se amoldar.
faz pensar um bocado…
bjo
Re: O que fez vc pensar, Marcela?
bjs,
Made on May 13, 2007 @ 1:41 am
_Maga Says —
Na forma como temos cultura atrás de cultura criado regras que e feitos com que cada um de nós se molde a elas. E não regras que se moldem as nossas necessidades. As “culturas” selecionam práticas que garantam a sua própria sobrevivencia, e não necessáriamente o que é melhor para a população que a prática.
No caso o que as praticas da igreja tem sido eficientes para garantir a sobrevivencia desta instituição através dos séculos, mesmo que com isso tenha certas práticas foram simplesmente absurdas para a humanidade como um todo.
FIcou confuso, né?
beijos
“Norma Ephron escreveu um tratado definitivo sobre a frustração emocional do século, sobre o desencontro entre os nossos padrões de felicidade e a vida das nossas células.” p. 67, Luis Fernando Verissimo, Banquete com os deuses (sobre o filme Sleepless in Seatle)
Re: Ficou um pouco, Marcela, mas penso que só na questão da redação. Você quis dizer que, enquanto o homem vive de regras, a Igreja talvez tenha criado algumas regras um tanto ‘absurdas’ para ele mesmo, é isso?
Made on May 14, 2007 @ 5:28 am
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