June 19, 2007

As “cidades da gente”, e as gentes

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de Andy Singer (conheci esse cartunista pelo Meandros
 
Curitiba tem um slogan bem original. É "a cidade da gente". Que nem, pelo menos, São Paulo e Santarém.
 
Como São Paulo, Curitiba tem o estranho hábito de criar ruas espaçosas para os carros, e privilegiar grandes investimentos. Nisto, as duas cidades coincidem com Santarém). Em São Paulo, ainda restam favelas e povoados acotovelados por entre as frestas das grandes estradas. Estas, vistosas, pavimentadas, conservadas. As casinhas, espremidas e feias. Muita gente espremida nessa outra "cidade da gente".
 
Hoje Curitiba cortou ao meio a pracinha do Batel, para agilizar o trânsito. Muito se falou sobre vias alternativas que muito poderiam contribuir com o tráfego, sem maiores consequências. Mas a alternativa escolhida foi a praça, de importância histórica.
 
Há quem diga que tudo isso é devido à breve criação de um novo Shopping. Por ele, as vias alternativas não teriam sido consideradas. A ação pública efetivada com um incômodo indício de interesse privado.
 
Resta apenas esperar. Afinal de contas, os Shoppings são para "gente". Deve ser por isso que Curitiba, sendo uma cidade para o trânsito, é uma "cidade da gente". Mas, de que gente?
 
 
***
 
Tem ainda aquela história de reclamar sobre as rodovias. Estão todas esburacadas - dizem alguns, exceto as privatizadas, pedagiadas.
 
As rodovias privatizadas e pedagiadas pesam seus veículos. O peso de um veículo é um dos principais agentes de esburacamento das estradas. As rodovias públicas não fiscalizariam, nem pesariam, os veículos. As privadas, enquanto responsáveis pelos investimentos de conservação da rodovia, perpetuariam a prática das balanças de ônibus e caminhões. 
 
As rodovias privadas são de uso público. A ordem pública, antes de conceder a rodovia às concessionárias, reforma inteiramente toda a estrada, para os propósitos privados. E quando reforma, não deixa de fazer os postos de pedágio. Mas também as balanças de pesagem, e os acessos muito bem feitos aos comércios conveniados (paradas de lanche, por exemplo).
 
A ‘beleza’ pública das estradas, incrivelmente privada.
 
- Pesquisa de livros sobre trânsito, sociologia urbana, Andy Singer e Apocalipse Motorizado (livro que deu origem ao blog, e que também conheci pelo Meandros - com vários quadrinhos de Andy Singer) 
 


7 Comments »

  1. Renato Says

    Belo artigo. Venho publicando no meu blog as notícias sobre a pracinha. Agora ela foi de vez. O pior é ver um mundaréu de gente (essa que gosta das cidades da gente) achando que a prefeitura está correta, que tem mais de dividir a praça. Como você escreveu, as ruas são cada vez mais largas, para caber mais carros e o ciclista, o pedestre que se danem. Esta ótica de promover os carros e os grandes investimentos já se mostra danosa para toda a sociedade. O que são as cidades hoje? Congestionamento, barulho, poluição, selvageria.
    Gostaria de ser cartunista (como o Singer, o Solda, etc, etc) para fazer um cartum mostrando o nosso futuro próximo: cidades entupidas de carros e ao seu redor extensos canaviais.

    Made on June 19, 2007 @ 11:22 pm

  2. Pedaleiro Says

    Caiu a liminar: pracinha do Batel

    Foto: Aniele Nascimento, Gazeta do Povo.
    Foi derrubada a liminar que impedia a destruição da pracinha do Batel. Segundo a juíza, os interesses coletivos devem prevalecer (grifo meu). Ainda segundo e juíza “o fluxo de veículos deve melhorar …

    Made on June 19, 2007 @ 11:26 pm

  3. leandro Says

    O IPPUC sempre foi assim. Se gaba da ótimos projetos e nunca ouve a população. Ou ouve Só a população que lhe interessa.

    As ciclovias da cidade, por exemplo, foram projetadas sem dúvida por quem não anda de bicicleta. E estão longe de serem concluídas de acordo com um projeto de… 1974.

    Ah, curioso é que conheci o Apocalipse Motorizado no catatau, quando ambos concorreram ao BOB´s…

    Made on June 20, 2007 @ 1:20 am

  4. Omar Says

    Ah, Catatau, sinto que agora vou ser obrigado a discordar de você. Mas a tal pracinha do Batel é uma praça (se é que se pode ser chamada de praça) ridícula. É só uma sobra de espaço que não permitia que alguma coisa fosse construída, então a prefeitura plantou algumas árvores e colocou uns banquinhos só para aproveitar o espaço que ficaria ocioso.
    Penso que o atual prefeito merece críticas por muitas medidas (como por exemplo o fato de só se preocupar com o centro e com os bairros da elite curitibana), mas nesta de dividir a praça, não posso ter outra atitude senão aplaudir a decisão, pois aquela região, realmente é muito complicada nos horários de tráfego mais intenso e ligar as duas ruas que hoje estão separadas é uma boa forma de diminuir o caos do trânsito.

    Re: Oi Omar!
    Fique à vontade sempre para discordar!
    Penso que, em relação à praça, pesam 2 fatores: ela tem valor histórico, relacionado à memória do Barão do Serro Azul; e muito se disse a respeito de vias alternativas.
    Com certeza, o trânsito por lá é complicado a qualquer hora do dia. Mas além disso tudo, a proposta das vias alternativas se coaduna com a questão do Shopping.
    Tenho pensado mto em dar umas voltas pela região para ver essa questão das vias alternativas. Mas resta esperarmos o futuro, para ver que tipo de pensamento efetivamente se teve, não é mesmo?

    Made on June 20, 2007 @ 11:51 am

  5. _Maga Says

    Infelizmente a noticia que trago do norte do estado também não é boa.

    Amanheci na segunda com a seguinte dolorosa noticia:

    http://canais.rpc.com.br/jl/geral/conteudo.phtml?id=670819

    Para você entender do que estou falando é só ver esta foto:

    http://www.londrina.pr.gov.br/imagens/papel_parede/casa_higienopolis.jpg

    http://canais.rpc.com.br/jornaldelondrina/foto/foto.phtml?id=905

    A foto dela ainda inteira não é muito representativa. Mas eu tive a honra de há pouco mais de um ano entrar na casa e ver uma peça lá dentro… era como entrar em um mundo a parte. O lugar era maravilhoso, e o mais incrivel era olhar pela janela da sala e ver que estavamos em uma das mais movimentadas avenidas da cidade…

    Agora ficamos com um buraco e provavelmente mais um prédio por lá (como se uma cidade que tem um apartamento para cada 6 habitantes precisa-se de um prédio novo justo naquele local.)

    beijos


    Re: Então a moral da história também foi a mesma: interesses econômicos se sobrepondo a históricos, não?
    Quero só ver o resultado da história por aqui, também…

    Made on June 20, 2007 @ 5:26 pm

  6. _Maga Says

    Sobre o post q vc destruiu… continue fazendo deste blog um catatau… essa é uma grande virtude dele, na opinião desta leitora…

    beijos

    Re: uma opinião muito importante, por sinal!

    Made on June 20, 2007 @ 5:29 pm

  7. João Varella Says

    Cortar a pracinha é um paliativo. Enquanto não desnuclearizarem a cidade, o caos vai prevalecer no trânsito do Centro.

    O mesmo vale para a Linha Verde. DAqui a pouco vão inventar o triarticulado.

    Re: Estou esperando ainda o Shopping, vamos ver o que acontecerá, rssss

    Made on June 30, 2007 @ 6:34 pm

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