July 31, 2007

Movimento “Cansei”

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 Charge do Bennet

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Não custa aos Palmeirenses direitistas ou Corinthianos esquerdistas também lerem isso ;)

Vida sob o gelo

link: time.com

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Bela exposição fotográfica sobre a vida na Antártida (por Norbert Wu) ;)

Etanol, as florestas, e a esfera pública

Formulamos, em vários momentos, uma hipótese: a de que a grande confusão existente no Brasil entre as esferas pública e privada cede lugar, também, a uma certa impossibilidade de mudança de modelos no Brasil. Dado que um sistema de leis, por exemplo, não funciona por aqui, pouco se aproveita caso tais leis sejam mudadas.
 
Isso por um motivo bem simples: o funcionamento das "leis" não é o que está verdadeiramente em questão; o problema não está (ou não está apenas) na coerência das leis, mas em sua aplicação. Desde a legislação ambiental, às questões agrárias, trabalhistas, e tributárias, encontram sempre uma espécie de barreira para serem efetivamente realizadas. Essa barreira, conhecemos bem, e é um misto de malandragem com ausência de fiscalização.
 
Em suma, Lei não fiscalizada, não aplicada, não é Lei. E pouco importa, a partir daí, buscar outros modelos.
 
Nesse tipo de interrogação residem também os problemas da produção do Etanol. É o que veio lá da gringolândia:

Um analista da fundação Conservation International, baseada nos EUA, disse ao jornal [Washington Post] que a taxa de desflorestamento do cerrado é mais alta que da Amazônia, e que se o ritmo for mantido toda a vegetação que caracteriza o centro-oeste do país poderia desaparecer até 2030.

"O governo brasileiro e grandes companhias de agronegócio dizem que a expansão da soja e da cana-de-açúcar não necessariamente significa devastação do cerrado, onde vivem cerca de 160 mil espécies de animais, muitos em perigo de extinção", diz o Post.

"Eles dizem que plantam em terras degradadas e pastos abandonados, melhorando a qualidade e a produtividade do solo."

"Mas grupos ambientais argumentam que, à medida que a soja e a cana-de-açúcar substituem a pecuária e colheitas menos lucrativas, os fazendeiros penetram em áreas virgens do cerrado."

Em outras palavras, o Brasil vive um grande boom da produção de Biocombustíveis, diante de um mercado mundial ainda não definido. Como ocorre também na Reserva do Xingú, essa confusão entre aplicação de novas práticas agrárias, e ausência de fiscalização, resulta em desmatamento e no avanço desenfreado dos gigantescos empreendimentos de agronegócio. Novamente, a questão: uma prática ainda não plenamente desenvolvida esbarra com a legislação ambiental. Mas qualquer Lei ou fiscalização não é efetivamente aplicada.

Como solução, a outra parte do artigo mencionado mostra outro tipo de sugestão:

Em outra reportagem sobre o meio ambiente no Brasil, o The New York Times afirma que o Brasil está "alarmado" com indicadores de que a mudança climática já causa efeitos na Amazônia, e que por isso o governo Lula já demonstra flexibilidade nas negociações internacionais sobre o tema.

Tradicionalmente "desconfiado do envolvimento estrangeiro em sua gerência da Amazônia, que enxerga como um problema doméstico", o país passa a encarar com mais simpatia mecanismos de mercado que poderiam evitar o desflorestamento, diz o correspondente do jornal.

Para o governo brasileiro, a alternativa mais palatável para evitar a perda da área de floresta seria um mecanismo em que doações fossem feitas a um fundo administrado em Brasília.

Em suma, o discurso é: deixemos a iniciativas mistas ou privadas aquilo mesmo que a esfera pública não consegue gerir. Mas o interessante, nisso tudo, é interrogar a palavra "consegue". Como assim, a esfera pública não consegue gerir aquilo mesmo que determina sob leis ambientais? Como, então, ela determina? A criação de Leis não é correlata ao desenvolvimento de mecanismos que as aplique?

Não se deixa, diante disso, de ter a impressão: o próprio poder de gerir, em algum momento, opta pela incapacidade de gestão.

tags: biocombustiveis etanol bush lula publico privado alcool soja cana amazonia xingu

July 30, 2007

O Museu da Criação, e os criacionistas

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Inauguraram nos EUA o chamado "Museu da Criação". Conta a história do mundo segundo a Bíblia, e isso, conforme a visão de certo tipo de "criacionismo". 
 
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Civilização e pluralismo em dois domingos

Domingo passado reproduzimos um texto sobre o novo livro de Edward Said, "Humanismo e Crítica Democrática" [pesquisa de preços], colocando alguns pontos em pauta. O principal, é a constatação de Said de que o termo "humanismo" encontra-se hoje obsoleto: "humanismo", expressa tantas tendências e preconceitos divergentes que chegaria a ser absurdo fiar-se em quem se denomina como tal.
 
A "raiz" do equívoco "humanista", segundo Said, residiria na projeção feita pelos humanistas de certos temas que dizem respeito apenas a si próprios, e não a toda humanidade. O pretenso humanista simplesmente projeta noções, temas, e conceitos locais, parciais, como se fossem universais. Torna-se, assim, um segregador, silenciando outras manifestações culturais. Daí vermos, no século XX, tantos humanismos quanto posições contrárias e conflitantes (como o capitalismo norte-americano, e o "comunismo" russo).
 
Como consequência, a solução ao problema do humanismo residiria no pluralismo. Não a projeção de visões parciais, mas a aceitação de um humanismo plural seria o caminho para superar tais visões - e práticas - segregatórias.
 
Nesse contexto, um outro texto publicado na Folha (sob a autoria de Antonio Cícero) vem, sob outros vieses, completar essa proposta pluralista. Trata-se, segundo Cícero, de sugerir uma verdadeira visão de "civilização", fundada numa "razão crítica". Esta não recairia na simples aceitação das outras culturas sem juízo algum (ou em um chamado relativismo cultural ingênuo), mas na capacidade humana e universal de duvidar.
 
Enquanto o bárbaro - ou o humanista equivocado - afirma (sem crítica prévia), o verdadeiro homem - o civilizado - duvida. Belíssima fórmula.  
 

July 27, 2007

Altruísmo, e o olhar do outro

Quando as pessoas sabem que estão sendo observadas, ou quando se deparam com alguma figura humana enquanto operam no mundo, tendem a ser mais altruístas. Isso é o que sugere um estudo publicado na Science, sob autoria de Manfred Milinski.
 
Não dou o link porque o site é fechado, e deve-se pagar para ler o artigo. Mas pelo menos o Le Monde e o Sapo deram curtas informações a respeito.
 
Sobre esse assunto, estou tentando lembrar já há um bom tempo sobre um experimento antigo: media algo como a capacidade de um ser humano efetuar estímulos aversivos em outro. Quanto mais próxima a presença do outro indivíduo, maior a relutância do homem efetuar o estímulo (se não me engano, era um choque elétrico acionado por um botão). Quanto mais distante, menor era a "culpa", e poderia-se praticar seguidamente o "inocente" ato de apertar o botão. Alguém lembra de algum experimento semelhante?
 
Ainda, não é casual notar que a alteração do comportamento é feita porque o olhar do outro é diretamente um controle. Envolve toda uma série de elementos, como a expectativa de eventos aversivos.
 
Não é por acaso, também, o que ocorre em filmes como Amém, de Costa-Gravas. Lá, mostrava-se como todo o sistema nazista das câmaras de extermínio era encadeado em tarefas parciais; cada soldado ocupava uma dessas tarefas, sem a consciência do que implicava toda a cadeia "produtiva". Lá, no final, pessoas estavam morrendo…

ACM e o fim do coronelismo

Segundo texto do Economist (comentado na BBC), ACM seria um dos últimos "coronéis", ao lado de figuras como Sarney:

(…) Several trends explain the weakening of the colonels. Brazilians are better educated and informed than ever before. Social programmes, such as Bolsa Família, a federal scheme that gives cash payments to the poorest, have made voters less dependent on the favours of the local political boss, while also increasing support for the PT in the north-east.

But Brazil is not yet free of the influence of African-style “big men”. In the more backward parts of the country, personality and patronage can still trump ideology and organisation. The party system is weak, with 21 different parties represented in Congress. Legislators regularly switch between them. In a large country, where each state is a single electoral constituency, name recognition is crucial.

(…) A political-reform bill is wending its way through Congress, but few expect it to produce radical change. Nevertheless, Brazilian politics are far more competitive than they were. (…) Evolution, not revolution, is slowly wiping out the Brazilian political boss.

(Cortei algumas passagens, indo ao que interessa) Deixando de lado questões relativas à educação (certamente não se pode sustentar que foi efetivamente isso que mudou o jogo político), o autor sugere que o regime dos "coronéis" está mudando. "Evolução, não revolução", é o veredicto.
 
Hipótese interessante, diante da pergunta que enunciamos: ACM seria algo como uma peça-chave no jogo político brasileiro, ou apenas um nó em uma teia de relações?
 
Dizer "evolução, não revolução", responde pela segunda alternativa: ainda existem figuras preponderantes que comandam o jogo político; esse jogo, entretanto, não é feito por essas figuras sozinhas, mas por toda uma rede de relações que as suporta. Rede de relações que estaria mudando.
 
Segundo o articulista do Economist, novas figuras como Ciro Gomes despontariam no horizonte, consoante a "evolução". Mas é interessante notar, nisso tudo, o que observou o Marcio Pimenta: ACM soube ser, mais do que um coronel tradicional, um oportunista. Acompanhou - e comandou - boa parte do "progresso" brasileiro durante o século XX.
 
Em suma, não era apenas um "coronel" em sentido antigo. E o sentido próprio em que o foi, já parece mudar…

July 26, 2007

Quando Tio Sam encontrou John Bull

link: /digital.library.villanova.edu/

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The Fable of John Bull e Uncle Sam é um livro escrito em 1900, por Jeremiah O’Leary. Encontrei no BibliOdyssey, junto a outras preciosidades. Uma historinha para relaxar…

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July 25, 2007

O acidente da TAM, os estereótipos, e Lula.

Independente da ideologia adotada, todo político brasileiro parece sofrer de um tipo de imputação irremediável: os chavões.
 
A "direita" brasileira parece agora empregar os mesmos enganos que aludia à própria esquerda, no período FHC: padece de estereótipos. Como o "Fora Lula", organizado por alguns grupos. Dentre outras coisas, alardeiam que o "Fora Lula" se justifica pela culpa do presidente diante do acidente aéreo da TAM.
 
Lembro-me que há pouco já culpavam Lula por outras coisas. Na ocasião da morte de Jean Charles de Menezes, lá estavam alguns oportunistas afirmando que no gatilho dos ingleses figurava também o dedo de Lula. Sem contar outros termos generalizadores, como ‘mensalão’, e afins.
 
Penso, entretanto, que de generalização em generalização, aparece um desequilíbrio, caso comparemos os estereótipos conferidos a Lula, e a FHC. Quando a "esquerda" falava mal de FHC, os temas gerais eram as posturas políticas abertamente defendidas pelo presidente. O "Fora FHC e o FMI", uma das palavras de ordem, era estereotipada, mas não era por acaso.
 
Já no caso de Lula, há todo um sistema de estereótipos que buscam conduzir à sua imagem as coisas mais inusitadas: desde a imagem de bêbado, passando por ironias com seu dedo amputado, um suposto populismo, até sua culpa em certos acontecimentos trágicos.
 
A diferença dos pastiches parece bem clara: em FHC, deviam-se à atitude economico-política; em Lula, a certos compromissos pessoais, passionais. "Lula sabia", "é um bêbado", e dizeres do gênero, são bem diferentes do "FHC abre as pernas para o FMI". Dois estereótipos de peso e origem bem distintas.
 
Retornando à "culpa" de Lula no acidente aéreo da TAM, as opiniões mesmas se dividem. Como o Hermenauta mostrou, as interpretações são diferentes no mundo dos "sem avião". E como sugeriu também Mino Carta, as últimas estatísticas do Vox Populi/Carta Capital sobre a popularidade de Lula distoam de outras vertentes, que conduzem a "culpa" à figura do presidente.
 
Insisto: será que a questão toda resume-se a culpar o presidente, ou se trata de outra coisa (que não descarta a possibilidade do governo estar envolvido)?
 
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Sobre o jogo político diante das catástrofes, é muito interessante ler esse artigo, publicado há pouco no blog do Nassif.

Cai como uma luva em vários assuntos que buscamos discutir por aqui… Mas deve ser lido até o fim ;)

Como obter um emprego público na mamata

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Diante de recentes denúncias da putaria dos Cargos Comissionados, no Paraná, não custa montar um pequeno roteiro sobre como obter um emprego público de assessor, sem pré-requisitos prévios (nem um cérebro):
 
1) Invista, desde cedo, em contatos políticos, não em competência. "Política", nesse sentido, não quer dizer vida pública. No Brasil, são redes de influência que contam para a obtenção de um emprego. A competência fica sempre em segundo lugar, quando não se pode colocá-la em último.
 
2) Afilie-se em algum partido: Mas lembre-se que não se pode entrar em qualquer partido político. Dê preferência àqueles com grandes empresários, radialistas, comunicadores, enfim, os partidos dos peixes grandes. Partidos que sempre viram a casaca, por exemplo, são os mais propícios.
 
3) Dê preferência ao poder local. Para quê aliar-se a projetos ideológicos, por exemplo, quando se tem um grande fazendeiro ou empresário no comando local? Se foi eleito, e é situação, dinheiro é o que não falta para que seja eleito novamente.
 
4) Saiba localizar a malandragem. Nem todo político é malandro. Mas um bom e fácil emprego público pode ser obtido por bons malandros que comandam o país. Aliás, não é necessário ter contato direto com um parlamentar, por exemplo. Basta ser costa quente de um dos assessores. Sempre há uma cota de cargos comissionados, de salários médios até astronômicos, e um deles pode ser seu.
 
5) Dê provas de fidelidade. Para receber o tão sonhado emprego, seja fiel aos políticos-chave. Tenha a consciência de que, em algum momento, você poderá servir de boi de piranha. Mas esse perigo pode ser evitado, com uma boa dose de puxa-saquismo, misturada com outra de bons serviços prestados ao patrimônio… do político. 
 
6) Pague sempre o "dízimo". Muitos cargos comissionados servem para arrecadar dinheiro para os mais diversos fins (campanhas eleitorais, por exemplo). Você receberá parte do salário, e outra parte ficará com o seu bem-feitor. Mas isso não é problema algum, já que basta não fazer nada, para que todo mês caia um dinheirinho (ou dinheirão).
 
7) Tenha exemplos. Maluf e Clodovil são ótimos exemplos da obtenção de privilégios sem qualquer necessidade de competência. Mas outros políticos são bem mais exemplares: conseguem até mesmo passar um ar de competência, quando na verdade não fazem nada. Pense na quantidade de pessoas, durante tantas décadas, que frequentaram o Planalto. Agora, veja quanto o Brasil evoluiu, nessas mesmas décadas. É isso.