Formulamos, em vários momentos, uma hipótese: a de que a grande confusão existente no Brasil entre as esferas pública e privada cede lugar, também, a uma certa impossibilidade de mudança de modelos no Brasil. Dado que um sistema de leis, por exemplo, não funciona por aqui, pouco se aproveita caso tais leis sejam mudadas. Um analista da fundação Conservation International, baseada nos EUA, disse ao jornal [Washington Post] que a taxa de desflorestamento do cerrado é mais alta que da Amazônia, e que se o ritmo for mantido toda a vegetação que caracteriza o centro-oeste do país poderia desaparecer até 2030.
"O governo brasileiro e grandes companhias de agronegócio dizem que a expansão da soja e da cana-de-açúcar não necessariamente significa devastação do cerrado, onde vivem cerca de 160 mil espécies de animais, muitos em perigo de extinção", diz o Post.
"Eles dizem que plantam em terras degradadas e pastos abandonados, melhorando a qualidade e a produtividade do solo."
"Mas grupos ambientais argumentam que, à medida que a soja e a cana-de-açúcar substituem a pecuária e colheitas menos lucrativas, os fazendeiros penetram em áreas virgens do cerrado."
Em outras palavras, o Brasil vive um grande boom da produção de Biocombustíveis, diante de um mercado mundial ainda não definido. Como ocorre também na Reserva do Xingú, essa confusão entre aplicação de novas práticas agrárias, e ausência de fiscalização, resulta em desmatamento e no avanço desenfreado dos gigantescos empreendimentos de agronegócio. Novamente, a questão: uma prática ainda não plenamente desenvolvida já esbarra com a legislação ambiental. Mas qualquer Lei ou fiscalização não é efetivamente aplicada.
Como solução, a outra parte do artigo mencionado mostra outro tipo de sugestão:
Em outra reportagem sobre o meio ambiente no Brasil, o The New York Times afirma que o Brasil está "alarmado" com indicadores de que a mudança climática já causa efeitos na Amazônia, e que por isso o governo Lula já demonstra flexibilidade nas negociações internacionais sobre o tema.
Tradicionalmente "desconfiado do envolvimento estrangeiro em sua gerência da Amazônia, que enxerga como um problema doméstico", o país passa a encarar com mais simpatia mecanismos de mercado que poderiam evitar o desflorestamento, diz o correspondente do jornal.
Para o governo brasileiro, a alternativa mais palatável para evitar a perda da área de floresta seria um mecanismo em que doações fossem feitas a um fundo administrado em Brasília.
Em suma, o discurso é: deixemos a iniciativas mistas ou privadas aquilo mesmo que a esfera pública não consegue gerir. Mas o interessante, nisso tudo, é interrogar a palavra "consegue". Como assim, a esfera pública não consegue gerir aquilo mesmo que determina sob leis ambientais? Como, então, ela determina? A criação de Leis não é correlata ao desenvolvimento de mecanismos que as aplique?
Não se deixa, diante disso, de ter a impressão: o próprio poder de gerir, em algum momento, opta pela incapacidade de gestão.
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Quando as pessoas sabem que estão sendo observadas, ou quando se deparam com alguma figura humana enquanto operam no mundo, tendem a ser mais altruístas. Isso é o que sugere um estudo publicado na Science, sob autoria de Manfred Milinski.
Segundo texto do Economist (comentado na BBC), ACM seria um dos últimos "coronéis", ao lado de figuras como Sarney:(…) Several trends explain the weakening of the colonels. Brazilians are better educated and informed than ever before. Social programmes, such as Bolsa Família, a federal scheme that gives cash payments to the poorest, have made voters less dependent on the favours of the local political boss, while also increasing support for the PT in the north-east.
But Brazil is not yet free of the influence of African-style “big men”. In the more backward parts of the country, personality and patronage can still trump ideology and organisation. The party system is weak, with 21 different parties represented in Congress. Legislators regularly switch between them. In a large country, where each state is a single electoral constituency, name recognition is crucial.
(…) A political-reform bill is wending its way through Congress, but few expect it to produce radical change. Nevertheless, Brazilian politics are far more competitive than they were. (…) Evolution, not revolution, is slowly wiping out the Brazilian political boss.
link: /digital.library.villanova.edu/
The Fable of John Bull e Uncle Sam é um livro escrito em 1900, por Jeremiah O’Leary. Encontrei no BibliOdyssey, junto a outras preciosidades. Uma historinha para relaxar…
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Independente da ideologia adotada, todo político brasileiro parece sofrer de um tipo de imputação irremediável: os chavões. Sobre o jogo político diante das catástrofes, é muito interessante ler esse artigo, publicado há pouco no blog do Nassif.
Cai como uma luva em vários assuntos que buscamos discutir por aqui… Mas deve ser lido até o fim