July 15, 2007

O triunfo da vontade (1934)

link: video.google.com 

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Assisti O Triunfo da Vontade [pesquisa de preços do DVD], documentário de Leni Riefenstahl, cineasta alemã que documentou tambem as Olimpíadas de Berlim. Várias coisas impressionam nesse filme feito em 1934, desde as técnicas de filmagem (som sincrônico com a imagem, músicas folclóricas e clássicas alemãs, recursos de montagem complexos), até o simbolismo envolvido na propaganda hitlerista. Hitler é ali retratado como um ídolo, em meio a elementos messiânicos e heróicos. A cidade inteira de Nuremberg é decorada com elementos nazistas, acompanhados por imagens que mostram um povo idólatra. Tudo é grande, colossal, sempre atribuído à figura de Hitler. O título do filme foi sugerido pelo próprio Führer, numa provável alusão a  Nietzsche. Presenciamos ali uma das maiores expressões da cultura de massa nascente.

No wikipedia, o filme é descrito passo a passo. Gostei da resenha de Voltaire Schilling, e da análise da propaganda nazista por Talita Rebouças de Freitas.

***

As bestas de carga da vontade

Há pouco preparei o post sobre O Triunfo da Vontade, comentando um pouco sobre o filme. Agora, gostaria de comentar a respeito de algo estarrecedor, que não sei se é uma grande piada, ou ao mesmo tempo coisa muito séria.
 
Alguns dias atrás, logo após assistir o filme de Leni Riefenstahl, encontrei várias turmas de skinheads, ‘carecas’, ou coisas do gênero, andando livremente no centro de Curitiba. Um dos grupos tinha mais de 10 pessoas. Para quem não sabe, nazismo, e manifestações pró-nazismo, caracterizam crime, no Brasil. Não vejo como poderia ser diferente, pelo caráter agressivo e segregador de tais idéias.
 
Aliás, visitando um pouco sites do gênero na internet, e vendo escritos a respeito, podemos ver como se constitui um gigantesco engano.  Sobre isso, possui valor histórico o suposto "conhecimento" de Hitler sobre as tradições germânicas, grosseiramente amalgamadas para o ‘bom’ gosto popular. Um grande exemplo é o próprio "Triunfo da Vontade", título dado por Hitler, e supostamente inspirado pelas idéias de Nietzsche. Associação Nietzsche x Nazismo,  que nada devia aos próprios escritos do filósofo, mas a palavras do punho da irmã e do cunhado. O ’super-homem’ nunca teve nada a ver com questões nazistas.
 
Para além do interesse histórico - a existência do nazismo serve para que o homem aprenda com seus erros, especialmente por ver lá encarnado de modo grosseiro muitos aspectos que trazemos conosco até hoje (propaganda, políticas de massa, discriminações, etc.) - é notável o anti-aprendizado que possuem os skinheads e coisas do gênero. Nesse contexto, os que conseguem ativar alguns neurônios se revoltam contra prováveis erros históricos (omissões, realces, e afins) provocados pela redação da História pelos vencedores. Até aí, tudo bem, é perfeitamente concebível o revisionismo de dados frente a novas pesquisas. Mas daí a afirmar que o nacional-socialismo estava correto, é uma grosseria sem igual.
 
Mas as grosserias e equívocos pululam. Da noção de "raça", passando da analogia equivocada raça X tradição X nação, ao mito de uma unidade ou ideal "ariano" (que teria sobrevivido à miscigenação de milênios), e assim por diante. Enorme disparate: uma ‘nação’ brasileira ‘pura’ (nação no sentido dado de nascimento, filiação racial), que devesse corresponder aos ‘ideais arianos’, tais quais propagam esses indivíduos, apenas seria pura caso composta de índios. Em minhas leituras, parto do seguinte princípio: quando você começa a ler um texto e encontra uma idéia muito extravagante (e ao mesmo tempo inaceitável) pela frente, ele perde o atrativo na hora.
 
O que esses textos todos, de ‘militantes NS’ mostram? Junto à desinformação geral, o fato de que grupos desse tipo perambulam, ainda hoje, até - vejam só - no Brasil. O que pode haver de interesse histórico e de aprendizado, sobre a existência do nazismo, é atualmente confundido, por alguns grupos de jovens bem nascidos (boa parte é de classe média alta) ou perturbados, em nome de um conjunto de enormes preconceitos. O que havia de equivocado no regime de Hitler, encontra-se assumido nesses grupinhos: o equívoco do "triunfo da vontade" torna-se nada mais nada menos do que a aceitação deliberada de ser uma besta de carga de idéias ultrapassadas, e errôneas.
 
Mas uma coisa permanece certa, para esse pessoal. É a frase de Goebbels: "Uma mentira muitas vezes repetida, torna-se verdade".

2 Comments »

  1. _Maga Says

    Estupidez parece ser uma boa palavra para definir isso. Ainda mais vendo ideais arianos tentando ser aplicados no Brasil, pais mestiço por excelência. Gostei do seu apontamento de que no pais raça original seriam os índios.

    O texto foi muito propicio. Alias essas pessoas que se filiam a estes grupos lembram-me muito a forma como as escolas (em especial as norte-americanas) se dividem em grupos que são antagonicos e intolerantes entre si.

    Receita “contra” isso?
    “Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos.” Martha Medeiros

    Beijos

    Ps.: você já viu o filme “bang, bang. Você morreu?”. Apesar do nome não é filme de bang-bang rs. Vale a pena ver, o assunto é outro mas fala de preconceitos e dos resultados da intolerância, também.
    Ps2.: estou sentindo que este meu comentário não é exatamente o que texto pediria, mas eu conheço pouco do assunto para dar uma opinião melhor, e você já escreveu muito bem.

    Made on July 15, 2007 @ 10:13 pm

  2. neimar Says

    muito interessantahistoriapor ser alemãtem um aspecto
    trvadoresco ]
    espero esclarecimentossobre ofilme
    obrigado
    neimarfernando perira

    Made on October 25, 2007 @ 2:56 pm

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