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July 17, 2007

Robert Fisk e Lawrence Wright no Roda Viva


Ontem ocorreu um dos melhores "Roda Viva" dos últimos tempos. Na FLIP, foram entrevistados os jornalistas-escritores Robert Fisk, e Lawrence Wright.
 
Robert Fisk é inglês, e trabalha como correspondente do Oriente Médio no The Independent. Escreveu recentemente "A Grande Guerra pela Civilização: a Conquista do Oriente Médio" [pesquisa de preços]. Tem grande mobilidade no oriente médio, e inclusive já entrevistou Osama Bin Laden.
 
Lawrence Wright é norte-americano, jornalista do New Yorker, e recebeu o prêmio Pulitzer por  "O Vulto das Torres - A Al Qaeda e o caminho para o 11/9" [pesquisa de preços].
 
A entrevista começou com os dois jornalistas afirmando bem suas posições. Wright como jornalista mais "factual" e investigador de individualidades; Fisk como estudioso social, e adepto de um jornalismo político mais "participante" e "engajado".
 
Sob uma espécie de crítica geral à atuação norte-americana no Iraque, os dois concordaram. Discordaram, entretanto, nas nuances. Para Fisk, caso não houvesse uma violenta - e demorada - ação dos insurgentes, e a invasão norte-americana obtivesse sucesso, as mentiras da administração Bush para legitimar a guerra não teriam sido contestadas. Para Wright, a mídia norte-americana teria demorado a constatar os problemas.
 
Divergência, também, em relação às saídas do conflito. Wright foi otimista quanto a participação de Tony Blair como mediador no Oriente Médio. Para Fisk, entretanto, Blair apenas faz auto-indugência ao ocupar esse cargo público, e o melhor seria uma retirada vergonhosa, porém radical, da "coalisão".
 
Fisk, em vários pontos da entrevista, é categórico: quanto à questão palestina, não haverá solução enquanto não forem reafirmados antigos tratados, Israel não recuar, e o muro construído na Palestina não for desfeito. Para ele, o jornalismo "factual" peca ao dessemantizar termos como "muro" (trocando por cerca), "conflito" (trocado por disputa), "invasão" (trocada por "colônia" ou "assentamento" israelense), ou mesmo quando meramente acompanha os soldados, como faz a Fox News, por exemplo. Quanto ao "terrorismo", teria um emprego de função dupla: incutir medo, e afastar qualquer possibilidade de conhecimento das motivações dos "terroristas". Fisk foi muito criticado, após o 11/9, por interrogar a respeito das razões dos terroristas. Especialmente em um período em que uma "guerra contra o Terror" seria justificável por si mesma.
 
Fisk foi incisivo em vários momentos, e praticamente dominou a entrevista. O cartunista Paulo Caruso chegou a fazer um cartum com os dois jornalistas se degladiando. Mas isso que é estranho aos brasileiros, parecia bem normal aos anglo-saxões. Por aqui não temos o costume de discussões acaloradas em encontros públicos; elas tendem a ser, para nós, vexatórias. Diferente da postura tranquila dos jornalistas, um para com o outro. Eles sabiam muito bem que não é ad hominem  que um verdadeiro debate se constitui.
 
Enfim, pela participação de dois jornalistas como esses, e de diferentes vieses, vale muito a pena conferir.
 
- pesquisa de preços dos DVD´s do Roda Viva. 

1 Comment »

  1. _Maga Says

    Obrigada por ter feito para nós um resumo de uma discussão tão bacana!!!

    “Eles sabiam muito bem que não é ad hominem que um verdadeiro debate se constitui.” Isso é verdade… como é difícil conseguir uma discussão produtiva por aqui… discussões calorosas implicam em mães xingadas e afins…

    beijos

    Made on July 19, 2007 @ 2:58 am

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