July 24, 2007
Brasileiro, e não desiste nunca
Tenho um amigo, qualificadíssimo, que concorreu a uma vaga de emprego, alguns dias atrás. Correspondia perfeitamente à função, tem qualificações e referências admiráveis (até superiores às dos concorrentes), e se submeteu à seleção. Ficou em… último lugar.
De pronto vem aquela pergunta: o que deu errado? Os outros candidatos eram melhores? Ou faltou alguma competência - subjetiva ou mesmo "objetiva" - ao azarado colega?
Espera aí: "azarado" não é palavra que se utilize em ranking de seleção. Se existe uma seleção, não existe ninguém azarado. Apenas candidatos melhores e piores. É para isso que a seleção serve, certo?
Mas se uma seleção não pressupõe sortudos e azarados, deve haver um critério que permita delimitar os "bem" e "mal" sucedidos. Inclusive, explicar como alguém mais competente obtém resultados piores que todos os outros. Uma seleção deve ter critérios objetivos, que permitam aos próprios candidatos visualizarem os motivos de eventualmente não serem aprovados.
Não foi o que ocorreu com o meu colega. O "último lugar" não foi explicado, de forma alguma. Apenas apareceu o resultado, como se os avaliadores não tivessem mais nada a declarar.
Curioso notar que a função "avaliada" era a mesma que exercem os próprios avaliadores. Estavam selecionando candidatos para serem novos colegas de trabalho, sem mediação alguma. E, nesse meio, meu amigo é até melhor gabaritado que alguns dos avaliadores.
Ficou em último. E, por incrível que pareça, ficou em último segundo critérios obscuros, não revelados, não públicos. Critérios que envolveram elementos alheios ao conjunto de competências que realmente interessavam. Outras coisas estavam em jogo, não apenas a competência - e isso explica a última colocação. Mas espera aí, se é uma avaliação de emprego, não é de competências?
O Brasil, definitivamente, tem dessas coisas. Seleções de competências que… não selecionam apenas competências. Mas, como brasileiro, meu colega aprendeu a lição. É, enfim, "brasileiro", e "não desiste nunca" - ou, em outras palavras, descobriu que por aqui são necessárias coisas adicionais para se conseguir qualquer coisa.





_Maga Says —
“… meu amigo é até melhor gabaritado que alguns dos avaliadores.” pode ser uma pista…
beijos
Re: E era mesmo, hehehhe
Made on July 24, 2007 @ 5:20 am
Robson Says —
A seleção de pessoal é quase sempre obscura.
Nesse caso, os futuros colegas foram os culpados.
Na maioria das outras vezes, são processos de seleção e critérios de avaliação sem sentido. Sou um psicólogo e tenho vergonha de ver colegas utilizando tais estratégias.
Abraço.
Made on July 24, 2007 @ 2:37 pm
sacanagem Says —
sei não… o brasil definitivamente tem dessas coisas, mas acontece que o conjunto de saberes “gerenciamento de recursos humanos” é bastante questionável por si só!
Made on July 24, 2007 @ 4:29 pm
_Maga Says —
Que legal! O Robson por aqui! rs
É ninguém contrata alguém que ameaça a sua posição, né?
beijo
Made on July 24, 2007 @ 4:37 pm
Catatau Says —
Opa,
Vocês se conhecem, Marcela e Robson?
Visitei o blog do Robson, e achei muito legal. Já fiquei procurando “Depois da Chuva”, rssssss
abração,
Made on July 24, 2007 @ 5:09 pm
Robson Says —
Então, Catatau,
Eu e a Marcela nos conhecemos em um congresso de Psicologia. Ela é gente boa, né, não?
Valeu pela visita. E pelo apreço!
Abraço.
PS: “Depois da Chuva” é realmente bom. Depois me conta o que achou.
Made on July 24, 2007 @ 9:00 pm