July 25, 2007
Como obter um emprego público na mamata
Diante de recentes denúncias da putaria dos Cargos Comissionados, no Paraná, não custa montar um pequeno roteiro sobre como obter um emprego público de assessor, sem pré-requisitos prévios (nem um cérebro):
1) Invista, desde cedo, em contatos políticos, não em competência. "Política", nesse sentido, não quer dizer vida pública. No Brasil, são redes de influência que contam para a obtenção de um emprego. A competência fica sempre em segundo lugar, quando não se pode colocá-la em último.
2) Afilie-se em algum partido: Mas lembre-se que não se pode entrar em qualquer partido político. Dê preferência àqueles com grandes empresários, radialistas, comunicadores, enfim, os partidos dos peixes grandes. Partidos que sempre viram a casaca, por exemplo, são os mais propícios.
3) Dê preferência ao poder local. Para quê aliar-se a projetos ideológicos, por exemplo, quando se tem um grande fazendeiro ou empresário no comando local? Se foi eleito, e é situação, dinheiro é o que não falta para que seja eleito novamente.
4) Saiba localizar a malandragem. Nem todo político é malandro. Mas um bom e fácil emprego público pode ser obtido por bons malandros que comandam o país. Aliás, não é necessário ter contato direto com um parlamentar, por exemplo. Basta ser costa quente de um dos assessores. Sempre há uma cota de cargos comissionados, de salários médios até astronômicos, e um deles pode ser seu.
5) Dê provas de fidelidade. Para receber o tão sonhado emprego, seja fiel aos políticos-chave. Tenha a consciência de que, em algum momento, você poderá servir de boi de piranha. Mas esse perigo pode ser evitado, com uma boa dose de puxa-saquismo, misturada com outra de bons serviços prestados ao patrimônio… do político.
6) Pague sempre o "dízimo". Muitos cargos comissionados servem para arrecadar dinheiro para os mais diversos fins (campanhas eleitorais, por exemplo). Você receberá parte do salário, e outra parte ficará com o seu bem-feitor. Mas isso não é problema algum, já que basta não fazer nada, para que todo mês caia um dinheirinho (ou dinheirão).
7) Tenha exemplos. Maluf e Clodovil são ótimos exemplos da obtenção de privilégios sem qualquer necessidade de competência. Mas outros políticos são bem mais exemplares: conseguem até mesmo passar um ar de competência, quando na verdade não fazem nada. Pense na quantidade de pessoas, durante tantas décadas, que frequentaram o Planalto. Agora, veja quanto o Brasil evoluiu, nessas mesmas décadas. É isso.
















6 Comments »
Marcio Pimenta Says —
Hahahahaha um verdadeiro guia Catatau! É melhor registrar, por que logo será impresso, copiado e colado em manuais do candidato.
Adorei!
Abraços.
Made on July 25, 2007 @ 5:20 am
_Maga Says —
O Sr. Pimenta observou bem… logo virará cartilha de partido politico, é bom registrar logo…
Normalmente eu dou risada com esses absurdos… mas hoje deu vontade de chorar… de raiva! ah, se deu…
beijos
Made on July 25, 2007 @ 4:05 pm
Renato Says —
É a mais pura expressão da realidade.
Mas, será que ainda dá tempo de conseguir um tão sonhado emprego público? Ou é melhor se colocar em algum partido e se eleger deputado estadual e conquistar uma senhora aposentadoria?
Dá nojo!
Renato
Made on July 25, 2007 @ 5:54 pm
Catatau Says —
É, Renato, Marcio e Marcela,
O negócio é fazer força pelos concursos, e extinguir esses cargos nomeados.
Quanto à “cartilha” dos políticos, será que esses ensinamentos não são tácitos, indicados já por tapinhas nas costas?
Made on July 26, 2007 @ 1:28 am
João Varella Says —
Os chamados cargos de confiança sempre existirão. O problema não são eles e sim o distorcido critério das nomeações -muito bem tratado no post, btw.
Made on August 11, 2007 @ 7:51 pm
Maré Mansa Says —
Poxa muito bom o artigo, parabéns mesmo, deu vontade até de copiar, hahahaha, muito bom cara, é a realidade! Infelizmente.
RE: Oi Maré,
Pode copiar à vontade, mencionando a fonte, ok?
abração!
Made on August 18, 2007 @ 7:57 pm
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