July 25, 2007
O acidente da TAM, os estereótipos, e Lula.
Independente da ideologia adotada, todo político brasileiro parece sofrer de um tipo de imputação irremediável: os chavões. A "direita" brasileira parece agora empregar os mesmos enganos que aludia à própria esquerda, no período FHC: padece de estereótipos. Como o "Fora Lula", organizado por alguns grupos. Dentre outras coisas, alardeiam que o "Fora Lula" se justifica pela culpa do presidente diante do acidente aéreo da TAM.
Lembro-me que há pouco já culpavam Lula por outras coisas. Na ocasião da morte de Jean Charles de Menezes, lá estavam alguns oportunistas afirmando que no gatilho dos ingleses figurava também o dedo de Lula. Sem contar outros termos generalizadores, como ‘mensalão’, e afins.
Penso, entretanto, que de generalização em generalização, aparece um desequilíbrio, caso comparemos os estereótipos conferidos a Lula, e a FHC. Quando a "esquerda" falava mal de FHC, os temas gerais eram as posturas políticas abertamente defendidas pelo presidente. O "Fora FHC e o FMI", uma das palavras de ordem, era estereotipada, mas não era por acaso.
Já no caso de Lula, há todo um sistema de estereótipos que buscam conduzir à sua imagem as coisas mais inusitadas: desde a imagem de bêbado, passando por ironias com seu dedo amputado, um suposto populismo, até sua culpa em certos acontecimentos trágicos.
A diferença dos pastiches parece bem clara: em FHC, deviam-se à atitude economico-política; em Lula, a certos compromissos pessoais, passionais. "Lula sabia", "é um bêbado", e dizeres do gênero, são bem diferentes do "FHC abre as pernas para o FMI". Dois estereótipos de peso e origem bem distintas.
Retornando à "culpa" de Lula no acidente aéreo da TAM, as opiniões mesmas se dividem. Como o Hermenauta mostrou, as interpretações são diferentes no mundo dos "sem avião". E como sugeriu também Mino Carta, as últimas estatísticas do Vox Populi/Carta Capital sobre a popularidade de Lula distoam de outras vertentes, que conduzem a "culpa" à figura do presidente.
Insisto: será que a questão toda resume-se a culpar o presidente, ou se trata de outra coisa (que não descarta a possibilidade do governo estar envolvido)?
***
Sobre o jogo político diante das catástrofes, é muito interessante ler esse artigo, publicado há pouco no blog do Nassif.
Cai como uma luva em vários assuntos que buscamos discutir por aqui… Mas deve ser lido até o fim







Rafael Says —
Mas este é um preço que os próprios políticos escolheram pagar. As campanhas eleitorais são esteriotipadas, enquanto planos de governo sequer são entregues.
O brasileiro vota pela imagem ideal e depois julga pela imagem, na maioria das vezes, real.
O jornalismo superficial tem muita culpa nisto, mas esta é uma oooutra discussão!
Mto bom o seu blog. Já entrou pro meu feed.
Incrível como esta blogosfera nos leva a lugares inusitados! hehehe
Uma curiosidade: como você chegou ao meu blog?
Re: É verdade, Paulo: imagem na hora de escolher - imagem na hora de julgar. Como numa campanha de marketing, ou quando se precisa ter o julgamento rápido. Só que o julgamento rápido, nesse caso, é sobre o próprio mundo em que vivemos…
Made on July 25, 2007 @ 3:11 pm
_Maga Says —
Isso lembrou-me de um “ditado”: “errar é humano, saber em quem por a culpa estratégico!”.
Acredito que quando fala-se de politica, muito se ganharia caso fosse adotada a mesma postura adotada pela ciência: debater-se argumentos e não o próprio debatedor.
Beijos
Made on July 25, 2007 @ 4:10 pm
Robson Says —
Você está certo.
Sempre se trata da posição em que se está.
As estratégias são filhas da posição.
Abraço.
Made on July 25, 2007 @ 6:09 pm