July 27, 2007

ACM e o fim do coronelismo

Segundo texto do Economist (comentado na BBC), ACM seria um dos últimos "coronéis", ao lado de figuras como Sarney:

(…) Several trends explain the weakening of the colonels. Brazilians are better educated and informed than ever before. Social programmes, such as Bolsa Família, a federal scheme that gives cash payments to the poorest, have made voters less dependent on the favours of the local political boss, while also increasing support for the PT in the north-east.

But Brazil is not yet free of the influence of African-style “big men”. In the more backward parts of the country, personality and patronage can still trump ideology and organisation. The party system is weak, with 21 different parties represented in Congress. Legislators regularly switch between them. In a large country, where each state is a single electoral constituency, name recognition is crucial.

(…) A political-reform bill is wending its way through Congress, but few expect it to produce radical change. Nevertheless, Brazilian politics are far more competitive than they were. (…) Evolution, not revolution, is slowly wiping out the Brazilian political boss.

(Cortei algumas passagens, indo ao que interessa) Deixando de lado questões relativas à educação (certamente não se pode sustentar que foi efetivamente isso que mudou o jogo político), o autor sugere que o regime dos "coronéis" está mudando. "Evolução, não revolução", é o veredicto.
 
Hipótese interessante, diante da pergunta que enunciamos: ACM seria algo como uma peça-chave no jogo político brasileiro, ou apenas um nó em uma teia de relações?
 
Dizer "evolução, não revolução", responde pela segunda alternativa: ainda existem figuras preponderantes que comandam o jogo político; esse jogo, entretanto, não é feito por essas figuras sozinhas, mas por toda uma rede de relações que as suporta. Rede de relações que estaria mudando.
 
Segundo o articulista do Economist, novas figuras como Ciro Gomes despontariam no horizonte, consoante a "evolução". Mas é interessante notar, nisso tudo, o que observou o Marcio Pimenta: ACM soube ser, mais do que um coronel tradicional, um oportunista. Acompanhou - e comandou - boa parte do "progresso" brasileiro durante o século XX.
 
Em suma, não era apenas um "coronel" em sentido antigo. E o sentido próprio em que o foi, já parece mudar…

1 Comment »

  1. Rafael Says

    Realmente, o coronelismo se esvai do país lentamente. Agora estamos nas mãos de bons jogadores de xadrez. Um esquema ilícito lucrativo, no qual ACM era só o Rei.

    As tramas complexas, as concessões políticas “necessárias” de aqui e acolá que acabam por comprometer todo um grupo. Uma máfia difícil de entrar e fácil de sair. Não limpo.

    Não que todos os políticos sejam corruptos. Mas só a simples união de dois partidos já começa a criar manchas, que posteriormente se transformam em muita sujeira.

    Made on July 27, 2007 @ 2:45 pm

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