July 27, 2007
Altruísmo, e o olhar do outro
Quando as pessoas sabem que estão sendo observadas, ou quando se deparam com alguma figura humana enquanto operam no mundo, tendem a ser mais altruístas. Isso é o que sugere um estudo publicado na Science, sob autoria de Manfred Milinski. Não dou o link porque o site é fechado, e deve-se pagar para ler o artigo. Mas pelo menos o Le Monde e o Sapo deram curtas informações a respeito.
Sobre esse assunto, estou tentando lembrar já há um bom tempo sobre um experimento antigo: media algo como a capacidade de um ser humano efetuar estímulos aversivos em outro. Quanto mais próxima a presença do outro indivíduo, maior a relutância do homem efetuar o estímulo (se não me engano, era um choque elétrico acionado por um botão). Quanto mais distante, menor era a "culpa", e poderia-se praticar seguidamente o "inocente" ato de apertar o botão. Alguém lembra de algum experimento semelhante?
Ainda, não é casual notar que a alteração do comportamento é feita porque o olhar do outro é diretamente um controle. Envolve toda uma série de elementos, como a expectativa de eventos aversivos.
Não é por acaso, também, o que ocorre em filmes como Amém, de Costa-Gravas. Lá, mostrava-se como todo o sistema nazista das câmaras de extermínio era encadeado em tarefas parciais; cada soldado ocupava uma dessas tarefas, sem a consciência do que implicava toda a cadeia "produtiva". Lá, no final, pessoas estavam morrendo…








Robson Says —
Faz sentido também para entender por que tantas pessoas não se penalizam com o desastre alheio, quando só ouvem falar dele.
Afora grandes eventos, o que acontece ao outro só choca se chega aos olhos.
abraço.
Made on July 28, 2007 @ 1:50 am
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Made on July 28, 2007 @ 12:15 pm
_Maga Says —
“O inferno são os outros, não é isso?”
O que chamamos de “sentimento de culpa” é uma “construção social”, ou seja: foi aprendido. O sentimento de culpa, seria mais um efeito de uma história de punição. De onde vem a punição em caso de ação em que o sentimento de culpa vem de um comportamento “amoral”? Do outro. De outra forma não existe punição. Um dos efeitos da punição é “fazer coisas escondido”. Afinal, se fizermos algo “escondidos” e ninguém ficar sabendo, não haverá punição. longe da agência punitiva, não há punição. Assim, para manter alguém agindo de certa forma é necessário ter sempre outro alguém vigiando…
Talvez, por isso, seja mais fácil robar em Brasilia, láaaaa longe dos eleitores…
(melhor eu ir dormir, antes que fale mais abobrinhas rs)
beijos
Re: Estava procurando algum behaviorista para ajudar a explicar isso, Marcela. Acho que você está no caminho, heheh
Falando como um não-especialista: não poderiamos falar sobre comportamento de fuga, ou de esquiva? O observado age diante de uma possível punição, então age de modo que não seja atingido por ela… é por aí?
bjs,
Made on July 30, 2007 @ 4:22 am
_Maga Says —
Olá Catatau!
Na procura por um behaviorista achaste dois! hahaha O Robson é behaviorista também, mas deu um comentário contido - tão contido que até deixou-me sem graça na minha prolixidade hehehehe.
Olha talvez esquiva seja uma boa palavra para esse fenômeno, mas eu não acredito que simplesmente nomear o fenomeno seja útil. Melhor seria poder ler a pesquisa, conhecer as variáveis e ai sim, se isso for útil, nomear o “fenomeno comportamental” dentro do qual tal comportamento poderia ser classificado.
A priori, as hipoteses podem ser tão amplas que acabam perdendo o sentido…
beijos
Made on August 1, 2007 @ 2:09 am
_Maga Says —
Acho que meu ultimo comentário não ficou muito bom, então voltei para complementa-lo. rs
Como você disse, esse fenomeno pode ser explicado pelo processo comportamental “esquiva”, contudo esta não é a única hipotese (e talvez nesta pesquisa não seja a que explica).
Hoje, andando, pensei em uma hipótese alternativa, só para usar de exemplo, pode ser: ver o efeito da punição no outro pode ser um reforçador positivo para o aplicador da punição. Contudo, ser elogiado por uma atitude “altruista” pode ter um poder reforçador maior. Quando não tem ninguém olhando e, portanto, o reforçador para o comportamento altruísta não esta disponivel, o comportamento punitivo passa não ter concorrente, e então sua probabilidade de ocorrência aumenta.
O que quis mostrar com este exemplo é que a explicação fica complicada sem analisar as variáveis. E que mesmo muitos processos comportamentais podem estar envolvidos em um comportamento complexo.
Eu sou uma chata mesmo, né? Espero ter tirado qualquer má impressão que possa ter ficado no primeiro comentário…
Beijo
ps.: e você? o que falaria disso?
Re: Com certeza, concordo com você, rsssssss Rigorosamente, não tem como sabermos, sem acessar a pesquisa. Mas em termos gerais, a pesquisa diz: agimos “bem” quando estamos sob o olhar ou a figura do outro. Isso pode ter o conteúdo reforçador (age-se bem porque agir bem traz consequências positivas, reforçadas pelo outro, ou é um cpta/ cujas regras já perduram na história individual), mas também o caráter de esquiva (age-se bem para fugir de uma possível punição).
O que poderia definir a resposta, via de regra, para além do relativismo das histórias individuais, talvez possa ser o que implica a pesquisa: práticas ’sociais’ de vigilância e, portanto, uma probabilidade maior de que ela implique uma possível punição…
Mas não sou behaviorista, e talvez os termos não estejam exatos, rssss
bjs,
Made on August 2, 2007 @ 2:23 am