July 30, 2007
Civilização e pluralismo em dois domingos
Domingo passado reproduzimos um texto sobre o novo livro de Edward Said, "Humanismo e Crítica Democrática" [pesquisa de preços], colocando alguns pontos em pauta. O principal, é a constatação de Said de que o termo "humanismo" encontra-se hoje obsoleto: "humanismo", expressa tantas tendências e preconceitos divergentes que chegaria a ser absurdo fiar-se em quem se denomina como tal.
A "raiz" do equívoco "humanista", segundo Said, residiria na projeção feita pelos humanistas de certos temas que dizem respeito apenas a si próprios, e não a toda humanidade. O pretenso humanista simplesmente projeta noções, temas, e conceitos locais, parciais, como se fossem universais. Torna-se, assim, um segregador, silenciando outras manifestações culturais. Daí vermos, no século XX, tantos humanismos quanto posições contrárias e conflitantes (como o capitalismo norte-americano, e o "comunismo" russo).
Como consequência, a solução ao problema do humanismo residiria no pluralismo. Não a projeção de visões parciais, mas a aceitação de um humanismo plural seria o caminho para superar tais visões - e práticas - segregatórias.
Nesse contexto, um outro texto publicado na Folha (sob a autoria de Antonio Cícero) vem, sob outros vieses, completar essa proposta pluralista. Trata-se, segundo Cícero, de sugerir uma verdadeira visão de "civilização", fundada numa "razão crítica". Esta não recairia na simples aceitação das outras culturas sem juízo algum (ou em um chamado relativismo cultural ingênuo), mas na capacidade humana e universal de duvidar.
Enquanto o bárbaro - ou o humanista equivocado - afirma (sem crítica prévia), o verdadeiro homem - o civilizado - duvida. Belíssima fórmula.





_Maga Says —
Realmente, belíssima forma!
Acredito que uma saída bacana, seria trocar as aulas de religião pelas de multiculturalismo…
Beijos
Made on July 30, 2007 @ 4:12 am