August 5, 2007
Livros em lombo de mula
Uma universidade no interior da Venezuela implementou um projeto inusitado para levar livros e incentivar a leitura em vilarejos remotos do interior: criou bibliotecas itinerantes em mulas, ou “bibliomulas”.A iniciativa atende comunidades remotas na região do Vale do Momboy, no leste da Venezuela, onde fica a região andina do país.
Pelo menos duas mulas são usadas atualmente no projeto. Elas levam, amarradas ao corpo, porta-livros com títulos diversos, que agradam em cheio principalmente às crianças das cidades nas montanhas.
O projeto tem feito tanto sucesso que a instituição responsável pelo projeto, a Universidade do Vale do Momboy, já está transformando as mulas em “cybermulas”, incorporando elementos eletrônicos como laptops e projetores. [BBC]
Sou meio suspeito ao elogiar projetos desse tipo. Em primeiro grau, são empreendimentos individuais, localizados, fruto de boas vontades. Não refletem melhorias estruturais, que de fato melhorariam a vida dessas pessoas.
Mas há também um componente romântico nisso. Como certos poetas, que largam tudo em busca do sonho de escrever. Kavafis tem uma passagem bem interessante, nas Reflexões sobre Poesia e Ética, a esse respeito. Refere-se a um pobre poeta que em uma ocasião o visitou. Kavafis, burocrata e com boas condições de vida; o poeta, pobre, e poeta:
mas como me custavam caro os meus pequenos luxos. Para garanti-los, eu abandonara meu pendor natural e me tornara um funcionário público (quão ridículo!), que gastava em pura perda horas preciosas do seu dia, às quais as horas de desencorajamento e fadiga que selhes seguiam. Que malbarato? Que malbarato e traição! Já ele, o pobre, não perdia tempo algum; estava sempre a postos, fiel e cumpridor filho da Arte.
Julgamos que esse tipo de poeta não mais existe. Será que não mais?
Falando em poesia…
O Indigo-Daisy, um blog iraquiano, indicou uma "poetisa" dos dedos, chamada Ivana Yahav. Ela cria imagens sequenciais simplesmente manipulando areia numa tela.





3 Comments »
_Maga Says —
Olá Catatau, também acredito que mudanças mais profundas são necessárias, mas não dá para dizer que esse tipo de atitude não muda a vida das pessoas que, pelo menos por algum tempo, tem acesso a elas.
O “hábito” da leitura depois de instalado é de muito mais fácil manuntenção. Outra: se de repente as pessoas começam a ler, e a pedir livros e bibliotecas, uma estrutura que antes não era necessária e não fazia falta, passa a ser necessária.
No caso de arte, é preciso dar algum tipo de acesso a ela. Depois que conhece uma vida com arte - e informação - é difícil viver sem ela.
Mas concordo contigo: é necessário que o estimulo se torne um projeto permanente.
Beijos
Made on August 5, 2007 @ 11:15 pm
Robson Says —
Bah, adorei a iniciativa.
Livros bons vão de boca a boca. Espero que os andinos indiquem livros uns aos outros. Talvez algumas pessoas se interessem em adquirir mais e mais cultura.
Abraço.
Made on August 6, 2007 @ 1:07 pm
sandra Says —
ola
Made on November 23, 2007 @ 10:26 am
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