September 18, 2007
Sobre os tesouros arqueológicos do Iraque atual
As sociedades rurais iraquianas são bem diferentes das nossas. Seu conceito de "civilizações antigas" e "herança" não coincidem com os estabelecidos por nossos próprios estudiosos. História é limitada às estórias e glórias de seus ancestrais diretos, e sua tribo. Então, para eles, o "berço da civilização" é nada mais que deserto com "regiões" de cerâmica, que eles tem o direito de explorar, sobretudo, por serem senhores de sua terra e donos de suas posses. Do mesmo modo, caso fossem capazes, essas pessoas não hesitariam em tomar o controle dos campos de petróleo, poque essa é "sua terra". Pela vida no deserto ser dura e por terem sido "esquecidos" por todos os governos, sua "vingança" nessa realidade é monitorar e aproveitar toda pequena oportunidade de ganhar dinheiro. Um selo, uma escultura ou uma tábua cuneiforme vale $50 (25 libras) e é metade do salário médio de alguém empregado pelo governo, no Iraque. Os saqueadores são notificados pelos compradores que para um objeto ter validade, deve conter alguma inscrição. No iraque, os fazendeiros consideram suas atividades de "saque" como parte de um dia normal de trabalho.
A partir de uma análise antropológica do universo islâmico em comunidades muçulmanas de São Paulo e de São Bernardo do Campo, a antropóloga Francirosy Campos Barbosa Ferreira constatou que o ser muçulmano, além de significar uma entrega total a Deus por meio das orações — e das palavras, gestos e ações que a acompanham —, representa uma entrega corporal que envolve os cinco sentidos.(…) Em sua pesquisa, a antropóloga observou a presença de um “comportamento restaurado” no mundo muçulmano. Esse conceito, criado pelo diretor de teatro americano Richard Schechner inspirado pelos trabalhos dos antropólogos Clifford Geertz e Victor Turner, propõe que a performance teatral é adquirida por meio da experiência, ou seja, da repetição e do constante aprimoramento das ações e do comportamento.(…)São esses comportamentos, ou performances, que irão modelar os cinco sentidos. De acordo com a antropóloga, o paladar é diferenciado porque há uma série de alimentos que não podem ser consumidos. A visão é treinada para um comportamento mais recatado: um homem não deve olhar nos olhos de uma mulher que não seja da mesma família que a dele e vice-versa. O olfato está ligado aos rituais de limpeza (ablução) antes das orações.Já o tato — o sentido menos valorizado na constatação da pesquisadora — está relacionado ao fato de homens e mulheres não se tocarem da mesma maneira como ocorre na cultura ocidental. A audição é o sentido mais valorizado. “O profeta Mohammad [fundador do islamismo] ouviu as revelações do arcanjo Gabriel e passou o conhecimento adiante. É uma cultura que valoriza o ouvir e o falar”, explica.
As autoridades de Nova York rejeitaram um pedido do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para visitar o Marco Zero, local onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center, derrubadas nos ataques de 11 de Setembro de 2001.
Segundo um porta-voz do Departamento de Polícia de Nova York, Paul Browne, o local está fechado para visitantes devido a obras no terreno.
Browne disse que o pedido de visita do presidente iraniano seria negado "por motivos de segurança".
Browne afirmou que Ahmadinejad pediu permissão para a visita ao Departamento de Polícia de Nova York, ao Serviço Secreto americano e à Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey.
Espere aí: o presidente do Irã - supostamente ligado a insurgentes no Iraque, que por sua vez é supostamente detentor de armas de destruição em massa e parceiro da Al Qaeda, que por sua vez supostamente legitimou a invasão do Afeganistão - não poderá acessar o marco zero por motivos "de segurança", é isso?





2 Comments »
Alba Says —
Maravilha de post! Extremamente rico de possibilidades de interpretação.
Acho apenas engraçada essa fúria gaulesa contra o Irã.
De toda forma, desculpe, estou numa fase de me desintoxicar do vício de escrever em blogs, embora o seu seja ótimo!
RE: É verdade, acho muito legal isso no Robert Fisk, ao contrário do que dizem alguns dos seus críticos. Veja só, no mínimo temos dois ‘lados’, e Fisk não está considerando de saída nenhum dos dois como o absolutamente correto (embora seja declaradamente contra a invasão): o dos invasores, e o dos camponeses.
Essa fúria repentina francesa, seria um sintoma da gripe Sarkozy?
E quanto a blogs, esse troço de intoxicação é fogo mesmo, heheh
abração,
Made on September 19, 2007 @ 3:38 am
Inagaki Says —
Logo mais alguém “descobre” armas de destruição em massa no Irã. Em tempo: obrigado pela ótima dica do IW&A!
RE: Às ordi!
E ainda tem esse gancho da energia nuclear… Mas para invadir o Irã (bem melhor estruturado que o Iraque e o Afeganistão), aí quero ver como será. Especialmente porque os EUA dividem forças no Iraque e no Afeganistão. Veremos alianças com mais países, e ainda mais uso de armas de destruição em massa, contra as supostas iranianas? Que futuro!
abração,
Made on September 19, 2007 @ 11:51 am
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