October 31, 2007

Halloween e os monstros, de longe e de perto

Comemoramos o halloween brasileiro. Está quase virando tradição. ;)

Nesse ano especial, falemos não dos heróis ou datas brasileiras esquecidas e desmerecidas em prol dessas modas tão… distantes. Falemos daquilo que nos é muito próximo, mas que por tudo isso se torna muito distante. Mais ainda do que certas bruxas e abóboras.

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October 29, 2007

A direita e o inferno

Inglaterra, 1987 (para ler melhor clique nas imagens)


Moral da história…?

A História da Lei de Murphy

Se o caro leitor é fascinado sobre porque o pão cai sempre com a margarina para baixo, o ônibus sempre chega quando não se espera (e nunca quando precisa chegar), o táxi atrasa apenas quando necessitamos, e coisas do gênero, criaram um livro intitulado History of Murphy’s Law (História da Lei de Murphy).
 
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Vários excertos do livro figuram aqui. Quem sabe conseguiram descobrir onde a Lei se originou (não apenas quem a nomeou). Embora por sua poderosa natureza ela mesma deve afastar qualquer tipo de conclusão sobre si! ;)

October 24, 2007

No Paraná, denúncia anônima não valerá

O deputado estadual paranaense Ademar Traiano (do PSDB) criou um projeto de lei que que proíbe o poder Executivo, Legislativo e Judiciário de instaurar procedimentos administrativos contra funcionários públicos baseados em denúncias anônimas. A Assembléia Legislativa do Paraná aprovou.

O deputado entende que esse projeto formaliza as denúncias e termina com o simples denuncismo. Crê também que existem mecanismos suficientes na lei para proteger um denunciante identificado, caso seja comprovada a denúncia.

Ainda, o deputado vê a denúncia anônima como um retrocesso. Diz que esse procedimento evoca antigas práticas do regime militar. Formalizando a denúncia, o denuncismo seria evitado, e o denunciante se comprometeria com o que fala.

O Sr. deputado esquece de algumas coisas muito sérias. Em primeiro lugar, que atualmente - ao contrário do Regime Militar - uma denúncia anônima favorece em tese a coletividade, e não o Regime. Apenas esse elemento já é decisivo.

Mas o deputado esquece também que está propondo a transformação efetiva de um procedimento administrativo dentro de um contexto onde os outros procedimentos diretamente implicados não funcionam, ou funcionam muito mal. A alteração no procedimento das denúncias será efetiva; mas será também a proteção às testemunhas, e a apuração dos dados? A mudança de fato dos trâmites da denúncia só pode acarretar de fato outro efeito: os denunciantes reais agora pensarão duas vezes antes de denunciar. Se a lei acaba com o denuncismo, coibe mais ainda as denúncias reais.

Sem contar que a formalização da denúncia não implica a necessária resolução da questão denunciada. A investigação e o possível arquivamento são variáveis flexíveis. Mas a exposição do denunciante é absoluta.

Finalmente, denúncias anônimas são muito bem medidas por sua plausibilidade. Não é difícil para ninguém ver que basta um pouco de rigor para filtrar denúncias prováveis, de outras fictícias. Mínima competência nos órgãos responsáveis já resolve o problema.

De direito, esses deputados do Paraná, "defensores" do povo, compraram a idéia de que só pode haver denúncia formal, assinada, identificada. É o sujeito de direito quem deve denunciar. Esquecem, portanto, do sujeito social. E todos sabemos de fato, efetivamente, sobre a sociedade que vivemos. Sabemos que o denunciante, pela própria posição de denunciante, incorre em uma série de intimidações negativas (desde morais até ameaças). Diante da ausência de garantias reais, não é difícil imaginar quantos permanecerão calados.

October 23, 2007

A Syngenta e o MST

O MST tentou ocupar novamente uma fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste/PR. Já havia ocupado essa fazenda, e em julho deixaram o local mediante liminares da justiça que multavam o governador Roberto Requião.
 
Divulga-se a fazenda como um centro de pesquisas. Mais especificamente, lida com experimentos transgênicos de soja e milho. Os transgênicos ainda estão sob suspeita, a respeito de seus efeitos no organismo humano. As sementes são alteradas de modo a suportarem altas doses de agrotóxico, ou a agirem elas mesmas como inseticidas. Não servem para produzir mais, mas para terem maior resistência. Com a planta transgênica, o mato que atrapalha as plantas tende a ser selecionado e tornar-se mais resistente a cada geração; por conseguinte, deve-se aumentar a dose do agrotóxico.
 
Há mais: as mesmas transnacionais produtoras dos transgênicos são também as maiores produtoras de agrotóxicos; e várias pesquisas desenvolvem as sementes para se tornarem estéreis. Isso significa em um horizonte futuro uma dupla dependência do agricultor, que deve comprar novas sementes (não se reaproveita o cultivo), e mais agrotóxicos.
 
Tal é o primeiro ponto da briga do MST com a Syngenta. O segundo refere-se ao Movimento possuir um assentamento (chamado "Olga Benário") vizinho à propriedade da transnacional, segundo a CPT. Nesse local ocorre o cultivo de sementes crioulas, selecionadas naturalmente, e que portanto não poderiam ser misturadas às transgênicas.
 
Um terceiro ponto da contenda implica a multa de 1 milhão de reais que essa fazenda recebeu do IBAMA em abril de 2005, por contrariar a Lei de Biossegurança. O cultivo dos transgênicos se situa em uma "zona de amortecimento" (cuja extensão foi reduzida em lei por decreto do presidente Lula), próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, área considerada próxima demais de uma APA.
 
Esse é o panorama dos acontecimentos dos últimos tempos, que implicaram as múltiplas ocupações da fazenda pelo Movimento. Domingo, morreram um integrante do MST e um segurança. Conforme o site do MST, os acontecimentos ocorreram da seguinte forma:
1. A reocupação da área da Syngenta aconteceu às 6h de ontem (21), por cerca 150 agricultores. Na ação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma das armas dos seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi hospitalizado. Os agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida abandonaram o local. As armas foram apreendidas para serem entregues para a polícia.

2. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de entrada e uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que continua hospitalizada em estado grave.

3. A milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos trabalhadores. Os dirigentes do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos pistoleiros, mas conseguiram escapar durante o ataque.

4. A Syngenta utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através da empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao agronegócio.

 
5. A denúncia da atuação de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi reforçada durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18), para a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR). [informe completo]
Conforme a Gazeta do Povo,
De acordo com a polícia, os seguranças particulares teriam sido expulsos durante a madrugada e voltaram ao local. Houve, então, troca de tiros, na qual duas pessoas morreram e pelo menos seis ficaram feridas.
Os seguranças presos teriam confirmado a participação no conflito. Eles afirmaram para a polícia terem sido contratados pelo Movimento dos Produtores Rurais para retirar pessoas que tentassem invadir a área.
Ainda, em nota a Syngenta "reforça que a política global da companhia determina que não se use força ou armas para proteger suas unidades".
 
Nove pessoas ligadas ao MST foram apresentadas, pelo próprio movimento, prestaram depoimento e foram liberadas em seguida. Os sete seguranças detidos no dia da invasão permanecem detidos. A arma usada pelos sem-terra no confronto ainda não foi apreendida.
A polícia ainda não identificou o sem-terra que, durante o confronto, matou o segurança. "Estamos trabalhando para identificá-lo e prendê-lo, o que pode acontecer ainda hoje (segunda-feira). Nos depoimentos, seguranças e sem-terras se acusam mutuamente sobre a responsabilidade do início do confronto”
Não deve ser difícil deduzir o que ocorreu: expulsos de madrugada, os seguranças retornaram armados para expulsar os integrantes do movimento. Os ânimos ultrapassaram os limites, algum indivíduo do movimento também tinha arma e…  
 
***

Dia 23/10: 

O delegado-chefe Amadeu Trevisan acredita que, provavelmente, os seguranças iniciaram a confusão. “Já estamos bem próximos dessa realidade, porque os seguranças voltaram na fazenda para tentar uma reocupação. Nós assistimos parte do vídeo, houve o início de uma discussão naquela guarita e dessa discussão iniciaram o tiroteio”, disse Trevisan em entrevista ao Bom Dia Paraná desta terça-feira (23).

Segundo ele, o vídeo será avaliado integralmente e as imagens devem colaborar para a extração de provas. “Ele será assistido e reassistido diversas vezes até que posssamos tentar identificar os autores dos disparos não só dos seguranças, mas também dos sem-terra que atiraram”, disse. A polícia ainda não sabe informar quantas armas foram utilizadas no confronto, nem de quais tipos. “Tanto os estojos como os cartuchos deflagrados estão na perícia. Nós estamos aguardando ainda para esta semana a separação e a discriminação pela perícia”, complementa.”

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Dia 24/10:

A coordenadora da Via Campesina, entidade que congrega movimentos de trabalhadores rurais sem-terra, Janete Brites, confirmou nesta terça-feira (23) que os sem-terra usaram uma das armas dos seguranças contratados pela multinacional Syngenta Seeds. O revólver foi usado no tiroteio entre sem-terra e seguranças durante a reocupação da fazenda experimental da empresa, em Santa Tereza do Oeste, no domingo. Duas pessoas morreram. 

Em entrevista à reportagem do Paraná TV, Janete disse que os seguranças deixaram algumas armas na fazenda e que só as utilizaram para se defender. "Naquela hora de desespero a gente tenta se defender", contou.

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Dia 31/10:

 Há indícios de tentativa de execução de sem-terra
 
As investigações sobre o tiroteio na fazenda experimental Syngenta Seeds, conduzidas pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), derrubaram a versão dos seguranças da empresa NF, que alegaram apenas ter reagido a ataque dos trabalhadores sem terra. A notícia é do jornal Folha de Londrina, 31-10-2007.

No fim de semana, a polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, nas casas dos seguranças, na sede da fazenda, e na empresa de segurança. Na casa de um dos seguranças foi encontrada uma pequena quantidade de maconha. Na NF, a polícia encontrou três revólveres calibre 38.

Na manhã de ontem, 11 trabalhadores rurais reconheceram três dos sete seguranças que estão presos como os mesmos homens que estiveram na área da fazenda da multinacional Syngenta. A Justiça determinou que a NF apresente todas as suas armas num prazo de 24 horas a pedido do Cope. Segundo a Polícia Federal, a empresa tem 18 armas registradas.

A polícia encontrou provas que não houve segurança refém e conseguiu fortes indícios que a sem-terra Izabel Nascimento de Souza, ferida gravemente com um tiro no olho, teria sido vítima de tentativa de execução. Além disso, o mesmo segurança acusado de atirar em Isabel teria várias passagens pela polícia, entre elas a de formação de quadrilha e roubo.

Segundo informações do delegado do Cope, Renato Bastos Figueiroa, Izabel teria sido obrigada a se ajoelhar antes de ser baleada. Ela teria sido confundida pelo segurança, com Célia Aparecida Lourenço, uma das líderes da Via Campesina, jurada de morte desde março deste ano.

Sobre o caso de Izabel, o delegado aguarda agora o parecer de um médico legista para apontar a trajetória da bala no corpo da sem-terra. "Se o laudo do legista mostrar que o tiro foi dados de cima para baixo ficará comprovado que houve intenção de executar a Izabel", explicou o delegado. Outra testemunha reconheceu o segurança Rodrigo de Oliveira Ambrósio como a pessoa que matou o agricultor Valmir Mota de Oliveira.

October 22, 2007

Abou Fatma e o acontecimento

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 The Four Feathers (do romance de Woodley Mason, intitulado Honra e Coragem por aqui) conta a história de um soldado imperial inglês que, ao recusar a convocação para a guerra, é taxado de covarde. Perde tudo: o apreço dos familiares, os amigos, a vida social, e por fim a noiva. Com tudo perdido, parte para recuperar a honra.
 
O enredo do filme de 2002 não difere nada dos famosos longas em que o herói anglo-saxão enfrenta os malvados orientais (no caso, sudaneses). No meio da história, o amor de uma mulher, um ou outro elemento antagonista…

 Até aí, os clichês. E ainda aparece repentinamente Abou Fatma, um selvagem. Ele surge da mesma maneira que vai embora: sem motivo, sem data, sem terra natal ou história. É um nômade, como vários dos povos "colonizados" pelos ingleses na Áfica. Nada além da imagem de Sexta-Feira, e o clichê continua.

 
Mas algo em Abou Fatma faz repentinamente o filme fugir dos clichês. A abertura é breve, ocorre em algumas cenas. Ao invés de representar apenas o bom acompanhante, Fatma desmancha a bagagem cultural de Harry, o mocinho. Do sorriso aos velhos hábitos, tudo se transforma em irrisão e falsas pretensões. O próximo cede lugar ao distante, o familiar à diferença. Harry se depara com um outro que não é o selvagem domesticado.
 
A abertura é breve. Fecha-se logo depois para um final previsível, que reaproxima tudo aquilo que era distante. Entretanto, ela permanece:

- Por que me está protegendo?
- Deus te pôs em meu caminho. Não tinha nenhuma opção.

- Deus? Deve ter feito algo terrível para ofendê-lo.
- Ri-te como um Inglês.

- E como ri um Inglês?
(após a imitação, gargalhadas)

*** 

Parabéns aos finalistas do concurso BOB´s 2007. Especialmente ao Inagaki, Ao Mirante, Donizetti e Carlos Serra. Palpite: pelo padrão diferente dos outros blogs selecionados, o prêmio do júri vai para o Carlos Serra, no seco e no molhado. california fires san diego

***

E o Giornale Nuovo avisou que vai encerrar seus posts. Que pena! Deve ter seus motivos. Mas tomara que ele faça como o Romário: avise, faça o maior alarde, e depois retorne ;)

October 20, 2007

BibliOdyssey, o livro (queeeeeeeeeerooooo!!!)

O BibliOdyssey lançou um livro sobre os próprios conteúdos do blog:

 BibliOdyssey - the book cover

No link acima figuram as informações para comprar. Em uma entrevista com o autor, PK nos ensina muito sobre a relação blogueiro x blog.
Já encomendei o meu.   emoticon

October 18, 2007

Veja, Tropa de Elite, e o lixo da Filosofia

Reinaldo Azevedo publicou um texto na Veja, sobre o filme Tropa de Elite. Alguns dias atrás, dizia em seu blog que não via o filme com bons olhos. Algo fez ele mudar de idéia, e provavelmente foi a suposta reação de alguns setores de "esquerda". Para isso, pretendeu comentar sobre Kant e Foucault.

É constrangedor falar sobre essa situação do artigo da Veja. Certa vez esse jornalista mencionou como é adepto do debate "de idéias", e não de imputações gratuitas. Duas coisas então: deve-se comentar como o adepto ao debate "de idéias" não teve respeito algum no texto por elas; e como se pode conceder voz a quem expõe "idéias" tão mal colocadas, beirando a má fé. O debate público deve ser um debate de idéias, e não apenas absurdos jogados na esfera pública. Uma pessoa comum escrevendo o mesmo texto de Reinaldo Azevedo seria ignorada pelas imprecisões. Idéias ruins tendem a ser ignoradas. O problema é quando o país concede voz privilegiada a esse tipo de posição.

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October 17, 2007

Lula, a anta de Mainardi

Com surpresa vejo o título do novo livro de Diogo Mainardi, Lula é minha Anta. Com surpresa porque não vi nada igual antes, sobre outros presidentes. Pelo menos vindo de jornalistas que apreciam alguma credibilidade.
 
Independente de qualquer presidente que imaginamos ter, atentemos ao título. Mainardi já na orelha faz questão de separar a importância pública da privada:
Há quem me acuse de ter motivos pessoais para amolar Lula. Bobagem. Tenho tanto interesse por Lula quanto pelo zelador do meu prédio. O motivo de minha implicância é público.
Lê-se: Lula é tão importante ao Mainardi privado quanto qualquer outra pessoa. Mas o jornalista Mainardi, homem público, não poderia deixar de se implicar com o papel público do presidente.
 
Corretíssimo: o papel do jornalista deve ser sempre o do homem público, que apresenta à esfera pública implicações de ordem pública. Ou mesmo confusões entre as esferas pública e privada, aspecto marcante da cultura brasileira. 
 
Mas é aí que Mainardi dá com as ‘antas’ na água. Se sua preocupação de jornalista é pública, o título já confunde a postura pública com um juízo privado. Conteúdo público, forma privada. Para ele, Lula é uma anta, sua anta.
 
E se os novos livros publicados no "outro lado", pelos opositores ideológicos de Mainardi, fossem solidários para com tal estilo? Por exemplo, imaginemos se o novo livro de Venicio de Lima, A Mídia nas Eleições de 2006, fosse chamado As Antas da Mídia e do PSDB nas Eleições de 2006. Ora, o horizonte de análise de Lima não é tão diverso do livro de Mainardi. Trata-se de uma posição contrária. Mas imaginemos a reação do jornalista da Veja diante de um livro com esse título.
 
Percorrendo o site da Perseu Abramo, encontramos outro título: O Brasil Privatizado, de Aloysio Biondi. E se fosse chamado Os privatistas, minhas antas? Não é difícil imaginar uma nova guerra de palavrões e processos, resultantes dos embates posteriores. Sem contar o quanto isso tudo é cômico
 
Ainda na orelha, Mainardi comenta:
Quem melhor definiu Lula foi o próprio Lula. Ele disse: "Não fui eleito presidente por méritos pessoais ou como resultado da minha  inteligência". Eu, que sempre falei mal dele, fui obrigado a aplaudir.  Ele realmente não foi eleito por méritos pessoais ou como resultado de
sua inteligência.
O Lula inculto, não eleito por méritos pessoais ou por inteligência, declara aquilo mesmo que Mainardi sempre suspeitou. Presidente que não serve para nada, apenas para corrupção e ações duvidosas. Mas que talvez concorde bem (nesses termos) com os critérios de Mainardi para presidente:
O motivo de minha implicância é público. Acho que os  brasileiros, por falta de experiência democrática, atribuem uma importância exagerada ao presidente da República. Um presidente é só um burocrata medíocre que a gente contrata por quatro anos para  desempenhar uma tarefa que nenhuma pessoa minimamente sensata estaria disposta a desempenhar. Ele não é nosso chefe: nós é que somos chefes dele.
Trecho do livro aqui, informe aqui

Os “Evangelhos Perdidos”

 Terminei de ler Os Evangelhos Perdidos, de Darrell Bock, presenteado pelo Batista. Pequena brecha no tempo cheio…

O panorama geral são os novos resultados das pesquisas sobre os textos encontrados em Nag Hammadi. Descobriram-se lá vários evangelhos Gnósticos ou com traços gnósticos. Segundo a moda recente de livros como o Código Da Vinci, esses livros revisariam tudo o que conhecemos sobre o cristianismo. Por exemplo, contra idéias "machistas" dos evangelhos tradicionais, os novos evangelhos mostrariam também a importância das mulheres.

Junto a esses modismos, uma série de acadêmicos sustentariam as novas teses. Bock pretende refutá-las. Para isso, empreende dois critérios centrais na argumentação. O histórico julga os textos conferindo uma autoridade "relativa" com base na própria antiguidade. Textos mais antigos teriam maior valor por se aproximarem dos ensinamentos mais antigos. O segundo critério seria o da coerência dos textos entre si, não apenas na forma, mas no conteúdo. Textos mais coerentes e antigos tenderiam a se aproximar mais das idéias e práticas dos "fundadores" do movimento.

Quanto à forma, textos tradicionais e ‘apócrifos’ coincidiriam em vários pontos e temas, tais como a ressurreição e a divindade de Jesus. Quanto ao conteúdo, haveriam diferenças marcantes, e mais: separadas em momentos históricos distintos. Bock situa os evangelhos tradicionais no século I, enquanto os textos de Nag Hammadi datariam do fim do século I (partes do Evangelho de Tomé) ao IV. Ainda, enquanto os textos apócrifos não teriam grandes princípios de coerência no conteúdo, uma certa coerência é encontrada em todos os textos tradicionais.

Conclusão: os textos considerados "tradicionais" são para Bock mais antigos, e mais coerentes entre si, do que os outros textos. Isso permitiria concluir que estariam mais próximos dos ensinamentos dos primeiros cristãos. Ainda, se a ortodoxia cristã foi criada apenas no século III, haviam elementos prévios que a tornaram possível; não foi apenas um gesto arbitrário de padres que "ganharam" poder.

Pontos negativos (como já comentamos): o livro tem uma série de declarações em tom de "instrução", subestimando a inteligência do leitor. Apela também às vezes a analogias bem indigestas com dinâmicas das empresas. Como chamariz editorial, comete logo na capa um pecado: Trata da "verdade por trás dos textos que não entraram na Bíblia".

Pontos positivos: o autor apresenta preliminarmente o debate acadêmico no qual vive. Cita muitos autores, percorre várias hipóteses dos estudiosos, menciona versões e traduções. Enfim, não apenas apresenta, mas também problematiza (mesmo que en passant) o que apresenta.