November 6, 2007
Entrevista com Robert Fisk

Créditos do História Viva. Vale muito a pena conferir. Atenção às definições de "terrorismo", terror, como ele situa a Al Qaeda e os radicalismos islâmicos, e afins.
“Terrorismo” hoje é uma palavra usada para eliminar toda a discussão a respeito dos motivos que levam os indivíduos a uma ação armada. Isso acontece, por exemplo, quando se analisa a questão do Oriente Médio sem discutir o papel dos Estados Unidos na região. É por isso que depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 publiquei um artigo no qual afirmava que “a única pergunta que não podemos fazer é ‘por quê?’”, pois fazer essa pergunta quer dizer que talvez haja um motivo que tenha levado à realização do atentado. O discurso oficial afirma que é “porque eles são maus, odeiam a democracia, etc.”, mas 19 assassinos eram árabes. Logo, deve haver uma relação entre o que acontece no Ocidente e a nossa política para o Oriente Médio, certo? A palavra “terrorismo” serve hoje para excluir qualquer explicação racional ou contextualização histórica dos fatos. Seu uso se tornou uma espécie de droga, e tem dois objetivos: o primeiro é eliminar toda a discussão sobre um assunto, e o segundo é assustar pessoas comuns. Assustadas, essas pessoas passam então a aceitar que seu governo adote medidas que, em essência, não são nem de direita, mas sim, de certa maneira, ditatoriais, e certamente contra os direitos humanos. Com isso, os governos podem fazer o que quiserem: eliminar a Convenção de Genebra, rasgar as garantias do Conselho de Segurança da ONU, permitir tortura, prisões subterrâneas, assassinato de prisioneiros, Guantanamo, etc.





Alba Says —
Muito bom, catatau!
Aliás, o 11/09 serviu maravilhosamente à época, para que várias administrações, digamos, “autoritárias” fossem correndo classificar suas minorias ou seus movimentos separatistas como “terroristas”. Assim foi com os chechenos na Rússia, os uygures, na China, os curdos na Turquia. Isso é que se chama um conceito utilitário! (refiro-me à guerra ao terrorismo, claro)
Por outro lado, e isso foi bem observado, o combate à “ameaça islâmica” também é bastante interessante por embutir, também muito convenientemente, a diminuição das liberdades e direitos civis, coisa para a qual os americanos parecem estar acordando agora.
RE: Um bom paradoxo, não é mesmo? Para ser livre, deve haver uma vigilância constante, nos mínimos detalhes, e atentando a certos elementos que interferem diretamente nas liberdades.
Teu comentário me fez pensar no livro da Naomi Klein. Mais curioso ainda para conhecer
abração,
Made on November 6, 2007 @ 6:33 pm
_Maga Says —
Essa semana vi uma entrevista médico Path Adams e ele falava de uma educação para o amor (entre outras coisas interessantes, acho que você ia curtir a entrevista). Falar em educação para o amor no atual contexto soa estúpido e utópico. mas não deve ser mais estúpido do que esta educação para o ódio em que vivemos. E se é utópico, que mal há em sonhar com a paz?
O que mais fazemos hoje é perseguir semelhantes, olhando o mundo com aquela lógica de contos de fada: bem X mal. Ou você está de um lado ou de outro, não existe contexto, não existe razões, existe alguem errado e alguem certo, e os “errados” devem ser eliminados.
O Fish trás uma reflexão ótima sobre isso. Vou repetir-me e falar mais uma vez do Suassuna no O Auto da Compadecida: no final a Compadecida, percebe que os “pecados” pelos quais os personagens da peça são julgados é fruto do contexto em que vivem e, por isso, merecem outra chance.
Quando, afinal aprenderemos a sermos mais compreensivos?
Beijos
Made on November 11, 2007 @ 7:41 pm