November 15, 2007

A Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira

Uma bela e bem organizada exposição da Biblioteca Nacional (link via PK).

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Comandada pelo naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, a Viagem Filosófica foi a mais importante expedição científica portuguesa do século XVIII. Ela percorreu o interior da América portuguesa durante nove anos e produziu um rico acervo, composto de diários, mapas populacionais e agrícolas, cerca de 900 pranchas e memórias (zoológicas, botânicas e antropológicas).

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 Seu excelente desempenho na Faculdade de Filosofia permitiu-lhe, porém, exercer o primeiro cargo de naturalista na burocracia estatal. Teria ele a tarefa de percorrer as possessões “com a laboriosa comissão de ele ser o primeiro vassalo Português, que exercitasse o nunca visto em Portugal, nem antes do feliz reinado de Sua Majestade, exercitado emprego de Naturalista”.

A exposição traz muitas fotos. Acima, destacam-se duas de Guaikurus. Até o início do século XX a Viagem rendeu algumas polêmicas: as descrições de Ferreira são de cunho meramente utilitarista, mercantil, ou se trata de um verdadeiro naturalista? Ainda, vale destacar as condições precárias do incentivo à viagem, e o fim do autor. Ambiguidades que de algum modo lembram aquela passagem de Pero de Magalhães Gândavo, sobre essas terras: o que enfim é isso? lugar sacro (algum lugar que tem um fim em si mesmo), ou fonte de utilitários (mero meio para objetivos situados fora daqui)? 

1 Comment »

  1. Márcio Pimenta Says

    Creio que há uma mistura dos dois. A oportunidade que teve o naturalista foi única, mas ele tinha que dar retorno a este investimento… a independência não podia ser exercida e o conflito pessoal pode ter se estabelecido. (caramba, acho que viajei hoje Catatu, hehehe)

    Abraços!

    RE: Salve Marcião!
    Poisé, acho interessante chamar a atenção ao próprio estatuto da Viagem, para além de questões pessoais do viajante. Meio como mostrando que os críticos dele com certeza o estavam comparando com outros naturalistas e projetos do séc. XVIII. Como se a questão mercantil fizesse da expedição menos nobre, menos científica, menos filosófica. Ou mesmo, como você disse, se não poderíamos mesmo desvinciliar uma coisa da outra, e aí teríamos uma marca histórica que se repetiria bastante por aqui… Q tal?
    abração,

    Made on November 16, 2007 @ 2:40 am

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