December 10, 2007
Confiança e ignorância
Estava às voltas com aquele livrinho do Robert Heilbroner (A História do Pensamento Econômico), quando me deparei com um assunto sobre o qual há muito pensava. Lá vai:
(…) apressei-me a falar ao professor Lowe sobre minha intenção de escrever um livro que focalizasse a evolução do pensamento econômico.
Exemplo típico do mestre alemão em sua melhor fase, Lowe irritou-se:
- Você não pode fazer isso! - declarou, com firmeza professoral.
Mas eu tinha a forte convicção de que podia fazê-lo, convicção essa nascida, como escrevi em algum lugar, da necessária combinação de confiança e ignorância que apenas um estudante pode ter. (…)
Pelo jeito, a fórmula é universal
Aí o Artur veio com um comentário, a respeito de mantermos o bom humor como instrumento de "combate". Bom humor e docta ignorantia: que bela combinação!
(lembrando ainda que, sem a tal ‘confiança’, o fulano acima não terminaria de escrever o livro)





_Maga Says —
Eu sei que já deixei essa frase aqui, mas ela cabe como uma luva neste post, não?
“Ignorar convida a tentar. A ignorância é um devaneio e o devaneio curioso é uma força. Saber, desconcerta às vezes, e desaconselha muitas.”. p.230, Os Trabalhadores do Mar, Victor Hugo
Mais uma que conheci este final de semana, e apaixonei-me por ela (assim como aconteceu contigo, também costumo achar frases que expressão o que penso por ai rs):
“Não me deixe viver
o que posso,
Que me seja permitido
desaprender os limites.”
Fábricio Carpinejar
Genial, não é? Acho que uma das principais funções dos professores universitários hoje é “desensinar” limites aos seus alunos. Deixar de ser quem diz “não” e passar a dizer “vai”, “arrisque”. “experimente”, “tente”… estamos precisando de mais incentivadores e menos boicotadores.
Lógico que as vezes alguém precisa avisar ao calouro desatento de alguns detalhes… hehehehe
beijos
RE: Opa, com certeza, muito boas frases, como sempre!
É, a questão parece sempre ser essa dubiedade: o fulano acima escreveu o livro porque era confiante e ingênuo demais; mas se não fosse assim, não escreveria o livro. Que limite impor?
bjs,
Made on December 10, 2007 @ 10:55 pm
Adriano Says —
Talvez as grandes filosofias tenham sido esse misto de saber x não saber, mesmo porque quem pode assegurar que sabe?
Ao contrário de todos os impulsos que me limitam, prefiro ficar com a ousadia de tentar, mesmo que eu não não esteja pronto desde já, pois como raios poderia estar pronto? E qual é o último grão que completa o sábio, o cientista, o filósofo?
RE: Boa Adriano, gostei especialmente o “mesmo porque quem pode assegurar que sabe?”
Aí começa o ocidente…
abração,
Made on December 11, 2007 @ 11:09 am
Artur Says —
Manter o humor é uma proeza nesse mundo velho e enfadado. Só de pensar nisso fiquei de mau humor.
Made on December 11, 2007 @ 4:22 pm