February 27, 2008
Do mais novo professor espancado em sala de aula
A professora de português Paula Aparecida Alves, 37, foi agredida na tarde de anteontem com socos e pontapés por um aluno de 14 anos, da 7ª série do ensino fundamental, na escola estadual Professor José Lima Pedreira de Freitas, na Vila Virgínia, em Ribeirão Preto (interior de São Paulo).
De acordo com o relato da professora, o aluno a ofendeu após ser repreendido por atrapalhar a aula. Quando estava sendo retirado da sala por uma inspetora da escola, o estudante se soltou e deu dois socos no rosto da professora. Paula tentou correr, mas foi derrubada e levou chutes no estômago. (…)
Curiosamente esse tipo de relato só muda de endereço. Podemos imaginar, para cada dado formalizado, quantos permanecem sem apuração alguma.
Saltam aos olhos as questões: como a reportagem se concentrou no papel individual do aluno (seus "problemas anteriores com outros professores"); a "suspensão" (medida considerada branda pelos outros professores, que paralisaram a escola); a fácil e quase inocente defesa do agressor, e assim por diante.
No entremeio, uma multidão de outras questões não esclarecidas. Principalmente, a relação professor-aluno.
Diz-se muito nos ambientes pedagógicos que a produtiva relação entre professor e aluno pode mudar uma sociedade. Mas no cotidiano, o papel do professor está em crise: de um lado, o salário baixo e a dúvida sobre seu papel na educação pública; de outro, a confusão entre papel pedagógico e relação cliente x prestador de serviços nas instituições particulares.
Nas duas esferas, o professor é muitas vezes desrespeitado, e destituído de seu lugar. Isso porque a relação pedagógica exige tanto condições mínimas de existência (boa formação, bom salário, bom background institucional), quanto evitar relações de clientela.
Professor não é pau-pra-toda-obra, e nem funcionário. Claro que é os dois, mas no Brasil de um modo não muito produtivo. No país do jeitinho, sempre ocorre um mal começo, quando se deve "dar um jeito" para conseguir ser professor.
***
E certa vez um colega me deu uma receita interessante para não passar por esse tipo de situação. Recomendou que um bom professor deve se "impor" na sala.
Como existem vários tipos de imposição, a que ele se referia era essa mesma: fatores como o tamanho do professor, sua força física, ou modo de lidar impositivamente com os alunos, podem auxiliar no "respeito".
O que mostra no mínimo uma coisa: em muitos lugares, e para muita gente, a relação professor x aluno parte de qualquer coisa, menos de pressupostos pedagógicos.





4 Comments »
Enio Luiz Vedovello Says —
Daqui a pouco vão culpar os professores agredidos. Não basta a carreira de professor ser cada vez mais aviltada, agora virou moda eles serem agredidos. E com isto, por causa de um bandidinho saem prejudicados o professor e todos aqueles que pretendem estudar de verdade.
Made on February 27, 2008 @ 4:45 pm
Ricardo Cabral Says —
Se nunca fui agredido fisicamente, o desrespeito nesses termos, isto é, desvalorização via salários ridículos, alunos com atitude de cliente (mas ninguém bancou ainda de dizer que paga o meu salário… se bem que o “ainda” não está aí por acaso!), entre outras coisas, fazem qualquer um nessa função sentir-se não mais do que um peão do ensino (porque operário é palavra nobre demais, não cabe). Qual o estímulo, fora o gosto pelo estudo, pra tentar um doutorado, se a carreira acadêmica anda tão na lata de lixo?
Made on February 28, 2008 @ 8:21 pm
Mary-Lanny Says —
thake you make is from namber is name make bathroom in bad for answer and quenstions one two tree friends or best friends
bye bye
and
good-night
Made on April 22, 2008 @ 2:03 am
Karina Says —
Nem sempre a culpa pode ser toda do aluno mas sim,como ele pode ter sido educado em casa.Ele pode ter sido mimado pelos pais e quando o professor chamou a atenção ou retirou algo do aluno ele pode ter se estressado e partiu pra cima dele.
Made on April 22, 2008 @ 2:06 am
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