March 26, 2008

O mundo segundo a Monsanto - livro e documentário

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Diz-se muito que as produções transgênicas são resistentes às pragas. Como se fossem plantas melhoradas, que conservam todas as características, exceto a atratividade a insetos e bactérias.
 
Mas é outra a função das mutações transgênicas: elas servem não para a planta resistir às pragas, mas ao veneno.
 

Outra característica: o agricultor que compra transgênicos não renova a plantação, já que a semente é estéril.
 
Não bastasse isso, as mesmas empresas que produzem as sementes, também vendem o veneno. Transnacionais como a Syngenta e a Monsanto estão entre elas.
 
O resultado, como se prevê, é devastador para o pequeno produtor: ele perde a autonomia diante da própria produção, e torna-se cativo de um setor que não tem concorrência, e nem oferece garantias. 
 
Esse é o outro lado das invasões do MST a diversas fazendas de "pesquisa científica". Se de um lado a cobertura jornalística fala de "pesquisas" e "invasão à propriedade privada", de outro deveria também conceder voz aos ocupantes das fazendas. Especialmente quando elas tem algum tipo de irregularidade, via de regra não anunciado. Quanto às "pesquisas", seu teor também deveria ser discutido.
 
A respeito desses assuntos, uma jornalista francesa chamada Marie-Monique Robin escreveu um livro intitulado Le Monde Selon Monsanto. O livro virou documentário, e passou há pouco no Arte.
 
Mais informações, no informe da Unisinos (via Desobediente). 
 
No Youtube, já está disponível.
 

 

13 Comments »

  1. Marília Says

    Belo post!

    Made on March 26, 2008 @ 2:15 am

  2. Ewaldy Marengo Says

    Concordo que deva ser dado espaço ao MST falar. Mas a forma como eles protestam praticamente tira deles esse direito (pelo menos os protestos que chegam na grande mídia).
    Mas não sou contra o MST, tenho um tio que participa do movimento em Mato Grosso do Sul.

    RE: E o que esse seu tio diz, Ewaldy?

    Made on March 26, 2008 @ 5:35 am

  3. Fred Says

    A CartaCapital publicou um artigo a esse respeito na última edição

    RE: Nao tinha dado conta, mas se não me engano o informe do Desobediente menciona também. Encontrei dois textos no site, abaixo.
    Segundo biólogo, pesticida Roundup provoca abortos e nascimentos prematuros
    Sementes do poder

    Made on March 28, 2008 @ 2:39 am

  4. Carla Says

    Não que a Monsanto seja santa, porque não é. Mas tem outro lado dessa história, que o MST não conta:

    1 - O raciocínio (ogm resiste a veneno, não a praga) não é bem esse. A vantagem da soja RR é a resistência ao veneno, usado para matar a praga. (Agricultor nenhum vai comprar veneno pra passar na lavoura de enfeite. É caro. Bem caro.)

    2 - a soja RR (e tem vários OGM além da soja RR) resiste a uma aplicação de Glifosato. O agricultor aplica o glifosato e acaba com tudo que é erva daninha. Nas sojas convencionais, o agricultor faz várias outras aplicações, uma para cada tipo de erva, uma para cada ponto do ciclo. Ou seja: usa mais veneno.

    3 - Lavoura não é plantação de feijão em algodão, que vc pega qualquer semente e coloca na terra. Toda semente é selecionada, regulamentada, classificada. Ou seja: semente é *produzida* industrialmente, por outros agricultores. (E aí vem a questão dos royalties. Hoje paga-se, mas a semente ficou bem mais barata depois dos royalties porque agora só paga quem usa, antigamente todo mundo pagava, mesmo quem não usava.)

    4 - A visão de agricultura do MST é muito romântica. Agricultura familiar, plantação sem veneno, essas coisas não sustentam o mundo urbano que a gente vive. Uma cidade do tamanho de São Paulo exige produção em massa de alimento. E hortinha-no-quintal-de-vovó nenhuma dá conta disso, infelizmente.

    5 - O glifosato (nome científico do roundup) causa tudo isso sim. Por isso que se usa EPI para aplicação. Tem muito medicamento que causa isso tudo também, por isso que a gente lê bula e vai no médico e usa na dose correta. É uma conta de custo-benefício.

    Enfim, a coisa não é tão simples quanto “eu sou contra”, “eu sou a favor”. É uma questão de modelo de produção. E o modelo de produção que a gente tem para viver de agricultura, hoje, é esse. Ou então o modelo MST de pegar financiamento a fundo perdido, ainda assim não pagar e viver de cesta básica porque “esse ano a lavoura não deu” ou então “as grandes corporações não deixam a agricultura familiar se manter”.

    RE: Com certeza Carla, e aí vc coloca o debate na boa direção. Não sou profundo conhecedor do assunto. Mas a respeito do MST, eu chamaria a atenção sobre seus motivos não serem divulgados, conhecidos. Ora, não se mostra algo que incite ao debate, mas sempre à condenação. Mesmo no caso da Syngenta, por exemplo (uma fazenda cujas operações contrariavam a legislação, por plantar transgênicos em faixa muito próxima a uma APA), a cobertura pautou apenas vândalos e arruaceiros; ora, é claro que se derrubaram árvores e quebraram vidros das casas de “pesquisa”; mas tais ações não responderiam a determinados motivos, mesmo que devessem ser revisadas?
    Mas no que você colocou existem duas questões interessantes:
    (1) O cultivo, pesquisa, manipulação, produção e comércio de sementes crioulas não seria muito mais indicado, por (a) quebrar o monopólio de poucas transnacionais, (b) ser de âmbito nacional e (c) favorecer maior controle voltado aos interesses locais?
    (2) O que você disse a respeito da necessidade de produção em massa não seria muito melhor resolvido com comunidades articuladas de pequenos produtores? Tanto em questão de produção, quanto de consumo, não faria circular muito mais capital (e destinar muito mais capital às próprias localidades que produzem), uma dinâmica de cooperativas, por exemplo, ao invés de monopólios da produção e do comércio? Ora, uma transnacional produz alguns empregos diretos e indiretos; mas uma federação de pequenos produtores não resultaria em muito mais, especialmente considerando a circulação do capital?

    Made on March 28, 2008 @ 2:55 pm

  5. Fred Says

    Parece que a coisa perdeu um pouco o foco da discussão. Como bem disseste, Catatau, o comentário da Carla se refere ao assunto MST, mas a discussão toda é mais ampla.
    Discute-se também a questão do Monopólio e até onde eu sei e professam os neoliberais, esse não é o modelo, embora na prática vivamos assim.
    Outra coisa, há sim uma diferença muito grande entre dizer que o OGM resiste a praga ao invés de dizer que resiste ao veneno, principalmente quando normalmente se diz o primeiro e não o segundo. Bem lembrado, não é apenas uma questão de dosagem. Porque os países Europeus resistem a entrada dos OGM, e também têm leis mais claras e específicas quando aqui nós ficamos taxando de ignorante quem pede o mesmo tipo de tratamento as grandes (mas seria melhor dizer A grande) industrias desse setor? Ou você esqueceu que houve sim e há abuso na venda desses pesticidas? Que milhares de agricultores morreram porque indústrias como a Bayer diziam que era bom um veneno que era proibido em países como os EUA, justamente por conta disso?

    RE: De fato, Fred, a Carla mostrou o “outro lado”, precisamente dos argumentos a favor da transnacional. Nisso se manteve no ponto. O assunto foi desviado quando se identificou a posição do MST com a crítica à Monsanto. Mas o que está em jogo é a Monsanto e outras questões relacionadas, como você bem mostrou: monopólio, restrições de mercado, danos às populações locais. Como será que os favoráveis a essas empresas respondem?

    Made on March 28, 2008 @ 6:37 pm

  6. Carla Says

    Fred, Catatau,

    mais que defender a monsanto (ou a Bayer, a Syngenta, a Basf ou seja lá quem for), eu procuro colocar como as coisas são “do lado de cá”. Porque as discussões acabam se polarizando, seja em “mst malvadão x empresa coitadinha” ou “empresa/agricultor malvadona x mst coitadinho”. Ninguém fala, nessas discussões, da posição do agricultor médio (que é onde eu vivo, trabalho e me encontro, e por isso me considero plenamente apta a falar).

    Catatau, as sementes crioulas não se sustentam por uma questão de custo. O lucro do agricultor médio, com sementes produzidas industrialmente e especializadas, já é reduzido. No caso das sementes crioulas a produtividade é consideravelmente reduzida. O que não acontece com os impostos que eu pago, nem com o meu custo de uma forma geral - assim, usá-las me causaria prejuízo. Além do mais, eu não vejo vantagem em usar semente crioula quando eu tenho variedades produzidas para situações específicas (e eu não falo só de OGM, falo de variedades de ciclo precoce, ou que resistem melhor a seca, por exemplo). Da mesma forma, não vejo vantagem em continuar usando antibióticos da década de 50 para tratar das minhas infecções, mas isso é uma postura claramente ideológica (e cada um tem a sua, e eu respeito mesmo as que eu não entendo).

    Quando se fala em “danos as populações locais” eu fico pensndo onde eu entro? Porque eu sou população local da região do Parque Nacional do Iguaçu (que teve a zona de amortecimento reduzida de 10 km para 500m, prova de que foi uma decisão política e não científica) e tenho vivido muito bem (como vivem meu pai e meu avô) trabalhando no agronegócio e usando cada vez mais tecnologia agrícola. O que me espanta é pensar que todas as formas de negócio (ou produção) podem avançar, mas a agricultura parece estar presa a um modelo romântico que não se sustenta na prática. Repito: agricultura é mais que plantar semente na terra, esperar a chuva e colher. Há um processo industrial envolvido nessa produção. E quem não dá conta desses fatores (legislação, financiamento, tecnologia, pragas etc.) acaba fadado a entregar seu patrimônio para o Banco do Brasil. Coisa que aconteceu muito nos últimos anos por aqui (seja com pessoas que não se adaptaram às novas formas de produção, seja com pessoas que usaram o financiamento para comprar aquela caminhonete importada de último tipo).

    Lógico que o ideal seriam pequenas comunidades vivendo de forma autônoma. Mas isso não corresponde a realidade. São Paulo, eu repito, não se sustenta. Não tem nem água pra se sustentar. Vamos acabar com São Paulo?

    Finalizando, que eu já escrevi demais, eu acho importante dizer que, mais que política, essa é uma discussão científica. Façam estudos com OGMs, como são feitos com medicamentos, procedimentos cirúrgicos e testes psicológicos (pra entrar na minha outra área). Se eles se mostrarem danosos, tirem de circulação (como foi feito com o milho BT nos EUA), se eles forem vantajosos, deixe as pessoas decidirem se querem ou não usar e consumir.

    (E agora começamos outra discussão sobre a rotulação - ineficaz e mal feita - dos alimentos? Ou alguém quer falar do frango congelado que tem 30% do peso líquido de água? Ou ainda falar sobre a autonomia da população em um mundo de informação manipulada?)

    Made on March 29, 2008 @ 6:04 pm

  7. Márcio Pimenta Says

    Interessantes os comentários da Carla. Farei ao menos uma ressalva: as produções por famílias não trata de produção de fundo-de-quintal. Ao contrário, há estudos (infelizmente sem o link aqui) que comprovam que há desenvolvimento com a produção feita pelos pequenos agricultores. Aliás, a maior parte do abastecimento interno é feito justamente por eles, portanto, o argumento de que a produção em pequena escala não é suficiente para abastecer o mercado é incorreta.

    Made on March 30, 2008 @ 3:10 am

  8. Catatau Says

    Olá Marcio, Carla e Fred!

    Também acho os argumentos da Carla bem interessantes, tentando porém retornar ao tema do post: o tema é o caráter monopolista e prejudicial de certas transnacionais, como a Monsanto.

    A Carla mostrou algo bem concreto, que é a situação do agricultor médio em um mercado totalmente voltado ao grande agronegócio e seus fatores. Contestou a viabilidade das sementes crioulas, e da agricultura familiar em um mundo como esse (de sementes ‘ágeis’ e produção ‘industrial’). Ainda, disse que, se algum prejuízo dessas grandes empresas é comprovado, que se retirem elas de cena.

    O Marcio argumentou que agricultura familiar tem sim peso produtivo relevante nos dias de hoje, ao contrário do que se propaga; o Fred argumentou que o que está em jogo é precisamente o caráter anti-capitalista de uma empresa como a Monsanto.

    Como não conhecedor do assunto, faria apenas alguns apontamentos: quanto às palavras da Carla, ela toca no ponto quando fala que o agricultor está isolado, e não tem muito o que fazer. Mas esse próprio isolamento é interessante, pois não é um isolamento puro e simples. Em primeiro lugar, lembrando até do tipo de argumentação do Bautista Vidal, esse isolamento mostra uma certa dependência das circunstâncias do mercado. Ora, a produção sempre é dependente do mercado, essa é uma lei básica do capitalismo. Mas ocorre algo um pouco diferente, já que o fim dessa produçao - o consumo - não é quem regula a própria produção. No capitalismo primitivo, haviam (pelo menos em tese) consumidores detentores de um certo senso ‘utilitarista’, que diante do caráter duvidoso de um bem de consumo, pressionariam outros modos de produção.

    O que ocorre com a Monsanto é algo bem diferente. Não é o consumidor final que dita a produção, mas o próprio volume de capital das transnacionais, que seriam algo como “atravessadores” de matéria-prima. Não há utilitarismo, mas um instrumentalismo da produção em função não do consumo, mas de outros propósitos.

    Ora, se a produção se ditasse pelo consumidor final, deveriam ser postos em conta os caracteres duvidosos da manipulação genética (desde para o consumo, quanto em termos de seu cultivo); ainda, junto com o argumento do Marcio, parece que ocorrem boas pesquisas de seleção e variação de sementes crioulas, que inclusive começam a surtir resultados em bancos de sementes para pequenos produtores. Nos termos do consumidor - esse consumidor utilitarista, que avalia os bens em função da utilidade PARA o homem, e não da utilidade DOS outros homens como instrumentos -, e tomando-se em conta livros como o divulgado nesse post, haveriam várias razões para suspeitar seriamente de empresas como a Monsanto.

    O caráter de dependência do produtor ainda denota outro fator: o monopólio econômico. Ora, desvalor da pesquisa local, e desvalor do pequeno produtor local, apenas incentivam grandes empreendimentos, que podem investir mais, e dentro em pouco, fornecer produtos “melhores” e “mais baratos”. O próprio mercado que anteriormente não investiu em sua base, e posteriormente importou outros modelos, acaba dependente de dinãmicas que não controlam, mas que tampouco fazem parte de um capitalismo “justo” (muito mais ‘jogo de forças’ do que ‘mão invisível). Nesse sentido me parece que o agronegócio apenas segue outros setores, como o tecnológico.

    Bom, ficam os apontamentos, especialmente em direção ao que a Carla chamou a atenção sobre serem ou não produtos “danosos”. O caráter científico de serem ou não danosos encontra outro: econômico-político, e talvez isso responda pela dependência do agricultor médio (ou não?) ;)

    Made on March 31, 2008 @ 3:16 am

  9. Fred Says

    Catatau,

    Eu não disse que a Monsanto era anti-capitalista. Eu disse que se, por um lado, há uma idéia de não monopólio que os capitalista gostam de propagar, na prática, suas ações são diferentes. E é o caso da Monsanto. Anti-capitalismo é outra história. Mas deixemos isso, por enquanto. Gostaria de postar outro comentário a respeito, mais tarde, ou assunto encerrado? Talvez continue então lá da Casa, assim que ajeitar as coisas por lá.

    RE: Poisé, também gostaria que o assunto não fosse encerrado. Quanto ao “anti-capitalista”, foi o mesmo que tentei dizer, mas é verdade: da maneira que eu disse talvez soe que não haja uma divisão generalizada entre ‘teoria’ e ‘prática’, embora no comentário trabalhei precisamente com essa separação
    um abraço,

    Made on April 1, 2008 @ 5:58 pm

  10. david Says

    Ok, Carla, vc acha q o MST trabalha para sustentar seu mundinho urbano? fala serio.
    Se alguem tiver a legenda em portugues, por favor, tem como mandar via email david784@gmail.com
    muito grato, abraço a todos e todas

    Made on April 10, 2008 @ 9:47 pm

  11. lo Says

    por favor me disponibilizem a legenda do documentario le monde selon monsanto, obrigado

    Made on April 12, 2008 @ 11:49 pm

  12. kaiki Says

    por favor gente, alguem me disponibilize a legenda do documentario LE MONDE SELON MONSANTO

    Made on May 14, 2008 @ 11:01 pm

  13. kaiki Says

    O administrador do blog por favor entre em contato comigo, se vc pode ou nao me desponibilizar esta legenda, obrigado e parabens pelo blog é fantastico

    Made on May 14, 2008 @ 11:04 pm

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