May 15, 2008

Filosofia vivida

(…) pude usufruir de um meio acadêmico ímpar, delineado pela relação entre o mestre e os alunos e marcado pelo respeito, pelo diálogo e pela fidelidade às próprias intenções intelectuais e pessoais. Na verdade, o que ele nos dizia nas entrelinhas era isso: abraçar a filosofia só vale a pena se você puder ser fiel a si próprio. E isso a despeito do que ocorre a partir da incorporação do ideal de profissionalização aos moldes do capitalismo americano pela universidade brasileira, incluindo a valorização quantitativa, senão massificação, da produção acadêmica e o incentivo à competitividade excessiva. Ser fiel aos próprios desejos podia parecer velharia numa época tão pragmática, uma relíquia existencialista datada… Mas essa era a preciosidade adquirida, enfrentar o desafio contra a própria corrente e o espírito do tempo (…)
 
…imensa responsabilidade de zelar por seu legado.

May 13, 2008

Humanis Corporis Fabrica de Vesalius em português

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Em 1543 Andreas de Vesalius publicou uma lição de anatomia intitulada De Humanis Corporis Fabrica. Como Copérnico, Vesalius foi considerado por muitos um "precursor" de formas científicas modernas.
 
Sobre a lição de Vesalius, existem várias edições on-line. Dentre elas, uma tradução em inglês. A Biblioteca da USP também dispõe da edição original, para acesso público.
 
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A boa novidade é a primeira versão da obra em português, produzida pela Ateliê Editorial (pesquisa de preços). Tradução de Pedro C. P. Lemos e Maria C. V. Carnevale.
 
Sobre a nova edição, Eduardo Kickhofel publicou um review, na Scientia Studia: A lição de anatomia de Andreas Vesalius e a Ciência Moderna.

May 12, 2008

Sexo, Psicologia e Propaganda

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Via AHP, um work in progress apresenta uma história da Propaganda de guerra, com base nesse tipo de apelo. Trata-se do Sex and Psychological Operations, de um ex-militar chamado Herbert Friedman. Seu estudo enfoca especialmente sexo e propaganda na Segunda Guerra Mundial, e apresenta fartas referências.
 
As propagandas obedeciam a algo chamado pelos gringos de psychological operations strategy. O emprego da "estratégia psicológica" era motivacional, dirigindo-se à moral dos soldados, tanto inimigos como aliados.
 
A foto acima refere-se a uma propaganda nazista, para público inglês. Entregue em várias versões, como em um pequeno quebra-cabeças, tentava denotar que os ingleses guerreavam apenas "a serviço" dos judeus. O interessante, nisso tudo, é vermos que aquilo que nos parece grotesco hoje era formalmente utilizado, não muito tempo atrás. E pode dizer respeito a coisas bem atuais. 

May 10, 2008

Livro de Jó, descendência e amizade

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Placa com desenho de William Blake, representando o momento em que os amigos de Jó aparecem para vê-lo (todas as placas, coloridas e monocromáticas, aqui)
 
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May 8, 2008

Frédéric Gros, sobre novas noções de Guerra

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A Caros Amigos pulicou uma entrevista com Frédéric Gros, concedida a Gabriela Laurentiis. Reproduzimos, abaixo:

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May 5, 2008

Categorias raciais e sociais, no informe sobre ações afirmativas.

O Marcos chamou a atenção a um recente estudo, divulgado pela revista da FAPESP. Demonstra-se lá a eficácia de políticas afirmativas na inserção de estudantes desprivilegiados, nas universidades.

Consoante um antigo texto ("Raça - entre o argumento biológico e sócio-histórico"), gostaria de chamar a atenção a alguns elementos:

O artigo fala sobre os benefícios fornecidos a "egressos de escolas públicas e grupos étnicos socialmente desfavo­recidos". Isso inclui, portanto, duas questões: a social, e a questão étnica imersa na questão social. É o solo comum das discussões: no Brasil, o desprivilégio racial é, em primeiro lugar, social. Racismos, por aqui, não ocorrem como em outros países, onde a discriminação é sobretudo étnica, e os prejuízos sociais são decorrência disso. No Brasil, não se separa discriminação racial e social.

Portanto, no fundo as duas questões se diluem (ou deveriam se diluir) em uma: a social. "Grupos étnicos socialmente desfavorecidos", no Brasil, inserem-se no grupo mais geral dos "socialmente desfavorecidos".

Logo após, o artigo apresenta outra noção, a de "resiliência educacional". Indivíduos provindos de classes desfavorecidas apresentariam uma maior capacidade de se adaptar às adversidades. Superariam desafios duplos, com a vida difícil, e os estudos. A resiliência dos alunos os levaria inclusive a padrões de desempenho melhores que seus colegas, de classe média e alta.

O que se torna complicado, como observamos no outro texto, é essa justaposição de categorias "raciais" e "sociais", para justificar apenas, ou sobretudo, as práticas raciais. Nesse texto, a noção social de "resiliência educacional" se justapõe às práticas afirmativas, que prioritariamente se focam na raça, e não na condição social. Ou melhor, focam-se na questão social prioritariamente com "lentes" raciais.

Se o argumento se dirige do desprivilégio social ao racial, não se tornaria um constrangimento aludir que os setores contemplados com ações afirmativas detém características psicológicas privilegiadas ("resiliência"), diante dos outros setores? 

É claro que não. Todos sabem que "resiliência educacional" pode ser uma noção social, mas nunca racial. Mas é precisamente isso que mostra todo o desequilíbrio.

Tudo obedece ao fato de que as políticas sociais, no Brasil, fiam-se prioritariamente na raça, e não no socius. Dado que o racismo e o desprivilégio, no Brasil, são sociais, e não uma categoria apenas biológico-étnica, cria-se aqui uma generalização equivocada. Justifica-se um argumento geral para legitimar uma prática parcial, como se a parcialidade por si só resolvesse tudo. Mas seguindo o mesmo raciocínio, se as políticas de incentivo fossem prioritariamente sociais, não atingiriam os mesmos resultados raciais, abarcando inclusive indivíduos que no momento atual ficam à margem das ações afirmativas?

A "generalização equivocada" não se resume a um problema lógico. É social. 

*** 

O artigo da FAPESP se previne, apresentando vantagens de políticas relativas a egressos de escolas públicas, ao invés de apenas cotas. Inclusive apresenta a discussão entre cotistas e outros sistemas, como o de bônus e mérito, em universidades como a USP e a UNICAMP. Mas não se pode deixar de notar o peso ainda conferido à questão da raça, na maior parte das políticas relativas a desprivilegiados.

Unembbed - Sítio e Livro

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Em outro post, publicamos um pequeno informe sobre o site Unembbed. Ele reúne jornalistas iraquianos que exploram regiões onde o trânsito de outros colegas ocidentais seria impossível, sem riscos. Em uma reportagem para o Guardian, Ghaith Abdul-Ahad comenta que, se outro jornalista estivesse cobrindo o mesmo local, seria provavelmente morto ou sequestrado.

O risco traz seus resultados: os quatro jornalistas trabalham próximos à população local, diretamente afetada pelo conflito, e também junto aos insurgentes.

Vinculado ao site, os jornalistas publicaram um livro com o mesmo título. No link, informações sobre cada um deles. Abrindo o livro, um nome de peso: o Prefácio é de Phillip Jones Griffiths (um dos maiores fotojornalistas de guerra do século XX).