May 26, 2008

Livros on-line: aberturas e fechamentos

Empreendimentos como o Archive, a Gallica e a Biblioteca do Congresso norte-americano são cada vez mais frequentes, e dotados de valor inestimável. O usuário pode obter edições raras e antigas, baixá-las escaneadas, e ter acesso a documentos até então esquecidos, ou inacessíveis.
 
Acessar uma revista ou edição antiga não requer mais, como muito ocorria, contatos complexos e viagens a outras instituições. Basta fazer uma busca e lá está o livro, e às vezes com notas do próprio punho do autor.
 
A universalização das obras, entretanto, carrega um perigo: o acesso restrito. Quando se entra na Biblioteca da USP, por exemplo, vê-se a maravilhosa biblioteca de obras raras. Mas também, o anúncio de dois outros empreendimentos. Um deles, a base de dados da SABIN Americana, com obras do século XVI-XX. Outro, o Eighteenth Century Collections refere-se a milhares de edições escaneadas. Mas para acessar o conteúdo, deve-se ter vinculação com alguma instituição, ou senha.
 
O mesmo ocorre com o Periódicos Capes. Se de um lado foi lançada uma campanha informal nacional contra o suposto fechamento do site, vários dos periódigos são apenas acessíveis por instituições cadastradas e senha.  
 
Fora do Brasil, sistemas como o do JSTOR exigem ou filiação instituicional, ou um cadastro pago. O mesmo para várias outras edições, vinculadas à rede Athens.
 
Tem-se, portanto, uma dupla discussão. De um lado, muito já se disse sobre o papel estratégico das Bibliotecas Nacionais enquanto agregadoras de dados relativos às identidades nacionais. De outro, à medida que as digitalizações avançam, criam-se redes de acesso restrito. E tudo isso, antes de vencer ainda uma discussão prévia, sobre a acessibilidade.
 
*** 
 
E acessibilidade é uma palavra chave hoje, em termos de pesquisa bibliográfica. Na medida em que as bibliotecas e revistas digitalizam seus acervos, quebram-se as antigas práticas da pesquisa centralizada. Pode-se residir numa cidade distante, e imprimir artigos ou textos do outro lado do mundo, sem precisar ir pessoalmente a um grande centro, ou fazer grandes viagens. Basta conectar-se à net.
 
Algo que resulta novamente em duas idéias: a primeira, acima, é a da necessidade do caráter público das publicações. A segunda, diz respeito aos pesquisadores desfiliarem-se de antigas práticas, e aproveitar uma das melhores coisas que a net pode oferecer.

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