June 30, 2008

Cigarro e celular

Traído do Independent (via Laryff):

Telefones celulares poderiam matar mais pessoas do que fumo, concluiu o estudo de um premiado especialista em câncer. Ele afirma que as pessoas deveriam evitar o uso enquanto possível, e que os governos e indústria deveriam empreender "passos imediatos" para reduzir a exposição à radiação.

O  estudo, do Dr. Vini Khurana, é a mais devastadora acusação já publicada sobre tais riscos à saúde.

Ele apresenta a crescente evidência de que utilizar celulares por 10 anos ou mais pode duplicar o risco de câncer no cérebro. O câncer demora uma década para se desenvolver, invalidando garantias de segurança oficiais baseadas em estudos mais antigos que incluiam poucas, se algumas, pessoas que utilizaram os telefones por tanto tempo.

Anteriormente, o governo francês alertou sobre o uso de celulares, especialmente pelas crianças. A Alemanha também tem advertido para minimizar o uso, e a Agência Ambiental Européia solicitou para que a exposição seja reduzida.  

(…) Ele admite que celulares podem salvar vidas em emergências, mas conclui que "há um significante e crescente conjunto de evidências que relacionam o uso de celulares com alguns tumores cerebrais". Acredita, ainda, que isso será "definitivamente provado" na próxima década. 

Como saúde coletiva ainda não tem relação direta com economia, imaginemos as tarjas do ministério  ;)

Seis decigramas de álcool por litro de sangue

Se for flagrado embriagado, o motorista vai ter que pagar uma multa de R$ 955 e tem suspensa por um ano a carteira de habilitação. Antes dessa lei o teor alcoólico permitido era de até seis decigramas de álcool por litro de sangue. Pela nova lei passa a ser obrigatório também o teste do bafômetro, antes opcional. Se o motorista se recusar a fazer o teste, ele sofre as mesmas sanções aplicadas ao motorista embriagado.
 
Moral da história: se uma lei não funciona, colocamos outra. Mas o problema da aplicação da lei estava na lei, ou na aplicação?

June 28, 2008

Gagged in Brazil


 
O pequeno documentário acima não traz muitas novidades. Mas, dentre elas, traz uma eterna: a cumplicidade entre interesses privados e "projetos" de governo.
 
Salta aos olhos o enquadramento jornalístico de determinadas figuras políticas, como Aécio Neves e Lula. Enquanto para determinados políticos a linha editorial é branda, para outros a cobertura é implacável. Como se a imprensa escolhesse o rigor ou a parcialidade a partir de um jogo que foge aos olhos do espectador.
 
Há algum tempo se discute sobre a influência do governador Roberto Requião, e de sua "linha" governamental, sobre a TV Educativa do Paraná. O liame entre prestação de contas pública, e interesses eleitorais, em diversos momentos é bem tênue. Nos dois casos, cabe chamar a atenção à visibilidade: enquanto na TV pública pode-se detectar facilmente quando o liame é rompido, na cobertura privada o espectador mais atento pode apenas confrontar os tipos de enquadramento com as ações de cada governo.
 
Não tem, portanto, um dado objetivo. Apenas o entrecruzamento das coberturas.
 
Cabe ainda analisar a palavra "censura". Em uma empresa privada não se "censura" o funcionário. Mas precisamente quando as relações entre as esferas privada e pública não é nítida, e o trabalho privado se vincula diretamente a interesses duvidosos, a coação por certos tipos de conduta pode muito bem passar por "censura". Ou melhor, “censura” de direito, e “relação trabalhista” de fato.
 
E o jornalista não tem muito o que fazer: ou faz uma escolha ética (e é demitido), ou continua em um trabalho no qual a liberdade de expressão é duvidosa. 

June 23, 2008

Porque quanto mais escuro,

 Photobucket

Porque quanto mais escuro, mais claro é o canto do grilo
- luiz marenco -

June 21, 2008

Gigantes petrolíferas retornam ao Iraque (e sem concorrência).

Na Folha

Gigantes petrolíferas ocidentais –como a Exxon Mobil, Shell, Total e BP (British Petroleum)– estão em fase final de acertos com o Iraque para voltarem a explorar as reservas petrolíferas do país sob contratos firmados sem concorrência, revela o "New York Times".

As companhias estão há 36 anos longe do país, desde que o ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein, nacionalizou as concessões das empresas. A expectativa é de que os acordos sejam anunciados no próximo dia 30. O jornal cita como fontes funcionários das petrolíferas e do Ministério do Petróleo iraquiano, além de um diplomata americano.

Segundo a reportagem do diário americano, os contratos sem concorrência são raros na indústria, e as empresas deixaram para trás "mais de 40 companhias, incluindo petrolíferas da Rússia, China e Índia". Ainda de acordo com o "NYT", "os contratos terão duração de um a dois anos e são relativamente pequenos para os padrões da indústria, mas, no entanto, dariam às companhias uma vantagem em disputas por futuros contratos".

O jornal cita desconfianças no mundo árabe e entre o público americano, que suspeitam de que os Estados Unidos só foram à guerra no Iraque para assegurar o petróleo que essas empresas agora buscam explorar.

De acordo com o jornal, "não está claro qual foi o papel desempenhado pelos EUA no fechamento dos contratos" e ainda há "conselheiros americanos no Ministério do Petróleo iraquiano".

Altos funcionários de duas das companhias beneficiadas disseram ao jornal, sob condição de anonimato, que "ajudavam o Iraque a reconstruir sua decrépita indústria do petróleo".

Aumento da produção

O governo iraquiano disse, de acordo com o jornal americano, que seu objetivo, ao chamar as petrolíferas é "aumentar a produção de petróleo em meio milhão de barris por dia, atraindo tecnologia moderna e conhecimento técnico".

Atualmente, o barril do petróleo bate na casa dos US$ 140. Os contratos, sugere o jornal, são uma grande oportunidade para que as gigantes petrolíferas reponham suas reservas, enquanto o petróleo dá sinais de esgotamento em todo o mundo.

Segundo um porta-voz do Ministério, os contratos sem concorrência foram uma medida emergencial para trazer "habilidades modernas aos campos de petróleo enquanto a lei petrolífera está pendente no Parlamento".

De acordo com os dois altos funcionários entrevistados pelo "New York Times", "os contratos são uma continuação de um trabalho que as companhias vêm conduzindo junto ao Ministério do Petróleo, ao longo de dois anos de memorandos de entendimento".

Segundo eles, as companhias cederam aconselhamento e treinamento gratuito aos iraquianos e, por isso, os contratos não foram abertos à concorrência pública. Segundo o jornal, 46 companhias mantiveram contatos, através de memorandos, com as autoridades iraquianas, mas não foram beneficiadas.

O texto da Folha é apenas o informe desse outro, do NYT. Merece ser lido integralmente, por um motivo muito simples: momentos históricos que não serão contados nos livros de História merecem alguma atenção, correto?

Outro dado que não ficará para a História, mas tem incrível ressonância com essas novidades, é esse pequeno texto de um blogueiro iraquiano. Trata exatamente do mesmo assunto, mas visto do ângulo dos que deveriam ser os principais interessados nisso tudo.

June 19, 2008

Aquecimento global, segundo a Diesel

O Aquecimento Global, segundo a Diesel:
 
Aquecimento Global, Global Warming 
 
Aquecimento global, Global Warming
 
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June 18, 2008

O cérebro dos gays

Na linha dos últimos posts sobre determinismo biológico, o bafafá sobre a nova pesquisa do cérebro dos gays não poderia passar despercebido por aqui. Ainda não tivemos acesso à pesquisa, mas o Ricardo começou já a discussão. Sem tempo (pelo menos por agora) para saber mais a respeito, algumas boas perguntas se colocam abaixo:
 
- Uma coisa é correlação estatística, e outra bem diferente a determinação biológica. Mas dado que existe correlação estatística entre os cérebros, qual é o fundo dessa correlação? Herança genética, ou formação ontogenética (adquirida, relativa à história individual)?
 
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June 17, 2008

Esquerdista moderado?

O Hedonismos publicou um link para um teste da Veja, que enquadra os indivíduos politicamente nos extremos "liberal/anti-liberal", e "esquerda-direita". O resultado do Catatau ficou

Você está na esquerda moderada liberal. Acredita em um estado forte na economia, mas não concorda com as restrições à liberdade individual. 

Como comentei por , um teste como esse mostra mais o tipo de pensamento do pessoal de Veja, do que perspectivas fiéis ao debate político. Ora, o teste possui 20 perguntas, todas com questões cuja gradação é invariável. Pressupõe que a diferença de gradação entre todas as questões é a mesma, o que supõe que todas as questões de algum modo correspondam, e se direcionem a algum resultado do quadrante.

A revista Veja poderia aprender com a Capricho sobre aplicação de testes de revista, mas… algumas coisas são interessantes nesse teste.

Em primeiro lugar, a palavra "Estado" permanece na Veja como "estado", em minúscula mesmo.

Em segundo, não me parece sempre direta a relação entre intervenção do Estado, e certas questões de liberdade individual. Questões como o aborto ou o casamento homossexual não são da mesma ordem que a "invasão" de terras para legitimar a Reforma Agrária, ou a dos tributos. Do mesmo modo, são perfeitamente concebíveis movimentos de "invasão" tanto em uma economia neoliberal, quanto em um Estado "forte", e assim por diante. Uma distribuição estatística dessas variáveis nunca se colocaria em um quadrante de tal tipo, reduzido às duas variáveis (anti ou liberal; direitista ou esquerdista).

De todo modo, a tipificação mostra uma tendência a simplificar as coisas, e achatar o debate político em extremos.  

June 16, 2008

Iceman

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 O Catatau, segundo o Gerador

E eu que gostava do Wolverine antes dele virar o amigo da garotada e… emoticon 

Novos livros sobre novas guerras

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O Daniel chamou a atenção ao lançamento de um livro intitulado Blackwater - A Ascenção do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo, de Jeremy Scahill. O livro trata da privatização da guerra, no mundo.

Junto a este, vinculamos algum tempo atrás uma entrevista com Frédéric Gros, precisamente sobre novos estatutos de guerra. Na Wikipedia de Gros constam vários outros textos, sobre guerra e outros assuntos.

Como também vinculou o Hermê em um informe sobre Blackwater, no Iraque existem tantos mercenários quanto soldados.

Tudo isso está na ordem da vez. De algum modo as guerras ilegítimas e "preventivas", baseadas em justificativas "humanitárias", tem relação com a ascenção dos mercenários. Essas guerras envolvem pesada maquinaria, focada prioritariamente em missões curtas e fulminantes, tornadas possíveis com pesadíssimo investimento.

Os blogues iraquianos já escrevem: é mais que visível as preocupações por lá se direcionarem mais a outras coisas, que ao povo. 

Como se a existência das empresas de mercenários apontasse que a guerra anda tão lucrativa, relacionada a interesses privados, e à circulação mundial de riquezas, que já se pode investir nela.