June 3, 2008
Maio de 68, segundo Negri e Cocco
Dois motivos a mais para ler a entrevista de Negri e Cocco sobre maio de 68:
O estatuto das esquerdas
A alegria do agir em comum como mecanismo da experiência que define nossa relação ao mundo: a possibilidade de mudar continuamente essa relação, de criar sempre novas situações. Os tradicionais partidos e sindicatos de esquerda apontaram a ausência de reivindicações específicas e estigmatizaram o movimento [de 68] como não revolucionário nem reformista. A esquerda tradicional não enxergou o que havia de criativo: um movimento que não pretendia conquistar o poder, mas que o transformava.
E o ponto de apoio efetivo das novas lutas
A sociedade disciplinar funcionava pela relação linear entre exclusão (cujo mecanismo era o estatuto “privativo”, quer dizer, excludente da propriedade) e inclusão na relação salarial. A sociedade de controle articula-se sobre o paradoxo de uma inclusão excludente: a vida toda, todo o mundo é subsumido dentro do processo de valorização e, ao mesmo tempo, essa mobilização se faz pela modulação infinita das linhas de fragmentação social, segregação espacial e precarização do trabalho. A exclusão parece aumentar, quando na realidade todo o mundo é incluído, desde seu nascimento até sua morte. E isso pelo fato de que essa inclusão passa por infinitas modulações e não implica mais processos de serialização e homogeneização (das massas). Todos podemos ter um telefone celular e continuar sendo favelado, trabalhador informal, camelô etc. Diante disso, é o próprio horizonte das lutas que muda, pois elas dizem respeito não mais a reivindicações (de direitos, de cidadania) internas às condições de inclusão subordinada, mas à própria produção de uma cidadania, independentemente da subordinação prévia. [texto completo]








Comments »
Seja o primeiro a comentar!
RSS feed for comments on this post.
Deixe seu comentário