June 6, 2008
Constantine Cavafy: Os cavalos de Aquiles
Ao verem Pátroclo morrer tão jovem,
em todo o seu vigor e bravura sem par,
os cavalos de Aquiles puseram-se a chorar.
A imortal natureza deles se insurgia
contra o feito de morte a que assistia.
Sacudiam as cabeças, as longas crinas agitavam,
e, pisoteando o chão com os cascos, pranteavam
Pátroclo, a quem ali percebiam inerme, aniquilado -
cadáver ora desprezível - o espírito evolado -
indefeso - sem sopro de vivente -
exilado, da vida, no grande Nada novamente.
O pranto dos seus cavalos imortais
fez pena a Zeus. "No casamento de Peleu",
disse, "irrefletido foi o gesto meu;
inditosos cavalos, melhor fora, creio,
não vos ter dado. Que faríeis lá no meio
da mísera humanidade que é joguete da Sorte?
Vós, a quem velhice não ronda nem espreita morte,
infortúnios fugazes padeceis. Às suas
dores os homens vos prendem". - Mas as lágrimas suas
pelo eterno, sem remissão jamais,
infortúnio da morte vertiam os dois nobres animais.
- Constantine Cavafy (Konstantinos Kavafis) -
Traduzido por José Paulo Paes em "Poemas" (RJ, Nova Fronteira, s/d) [livrarias].
O mesmo poema, na tradução de Joaquim M. Magalhães e N. Pratsinis.






1 Comment »
eduardo graça Says —
A propósito lembrei-me de comparar traduções: http://cadernodepoesia.blogspot.com/
RE: Muito bom, Eduardo. Atualizarei o post, mostrando também a outra tradução
Made on June 8, 2008 @ 11:40 pm
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