June 28, 2008
Gagged in Brazil
O pequeno documentário acima não traz muitas novidades. Mas, dentre elas, traz uma eterna: a cumplicidade entre interesses privados e "projetos" de governo.
Salta aos olhos o enquadramento jornalístico de determinadas figuras políticas, como Aécio Neves e Lula. Enquanto para determinados políticos a linha editorial é branda, para outros a cobertura é implacável. Como se a imprensa escolhesse o rigor ou a parcialidade a partir de um jogo que foge aos olhos do espectador.
Há algum tempo se discute sobre a influência do governador Roberto Requião, e de sua "linha" governamental, sobre a TV Educativa do Paraná. O liame entre prestação de contas pública, e interesses eleitorais, em diversos momentos é bem tênue. Nos dois casos, cabe chamar a atenção à visibilidade: enquanto na TV pública pode-se detectar facilmente quando o liame é rompido, na cobertura privada o espectador mais atento pode apenas confrontar os tipos de enquadramento com as ações de cada governo.
Não tem, portanto, um dado objetivo. Apenas o entrecruzamento das coberturas.
Cabe ainda analisar a palavra "censura". Em uma empresa privada não se "censura" o funcionário. Mas precisamente quando as relações entre as esferas privada e pública não é nítida, e o trabalho privado se vincula diretamente a interesses duvidosos, a coação por certos tipos de conduta pode muito bem passar por "censura". Ou melhor, “censura” de direito, e “relação trabalhista” de fato.
E o jornalista não tem muito o que fazer: ou faz uma escolha ética (e é demitido), ou continua em um trabalho no qual a liberdade de expressão é duvidosa.






2 Comments »
Renato Says —
Nojento! O mais engraçado é que a ética se submete à sobrevivência: o medo de perder o emprego nos faz cúmplices do sistema. É triste, muito triste.
Made on June 29, 2008 @ 2:52 pm
Ewaldy Marengo Says —
Infelizmente a máxima: “quem pode manda, quem tem juízo obedece” se faz valer em áreas onde isso não deveria sequer ser cogitado, como no jornalismo.
Made on July 1, 2008 @ 4:26 am
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