July 16, 2008
A identidade secreta de Bansky
Do Hermenauta:
O Guardian informa que uma meticulosa investigação do jornal The Mail on Sunday descobriu a verdadeira identidade de Banksy, artista britânico famoso pelos seus graffitis em Londres e alhures (Israel, por exemplo).
Aparentemente alguns fãs ficaram chocados ao saber que Bansky é um mero Robert Gunningham, inglês, classe média, estudou, mora no subúrbio. Provavelmente esperavam um grafiteiro rebelde.
É como Hakim Bey, e vários outros: de que serve descobrir a "identidade secreta"? Isso desvalida o que se tem a dizer? Nada há por trás das cortinas!







5 Comments »
Adriano Says —
Isso me lembrou Foucault na aula inaugural, não sei se no College de France, defendendo que que falava ali não era quem, mas o discurso, por conta própria.
Mas é uma pena que haja uma auto-defesa e também a defesa do anonimato por trás desse seu discurso. Pessoalmente, discussão entre pessoas físicas, que não têm por que esconder o nome, são muito melhores.
Made on July 16, 2008 @ 6:33 pm
Catatau Says —
Gotcha!
E porque o nome faria diferença? “Bansky é um mero cidadão comum; ora, então o que expressa não tem valor nenhum”. O que seria necessário, para que o “valor” fosse restituído? O que fez seu discurso perder o valor?
Made on July 16, 2008 @ 7:06 pm
Adriano Says —
Valores? Valores, em todos sentidos, são uma ficção burguesa! (só para descontrair.)
Não, eu não disse que não assinar o nome faz com que o discurso perca o valor.
Talvez seja uma questão pessoal mesmo: amigos têm nomes e nos relacionamos com pessoas, as quais têm nomes.
Um blog ou uma peça discursiva qualquer não têm só valor objetivo-discursivo, mas, do ponto de vista de um realista reacionário, expressam também uma pessoa, uma alma, etc.
Mas falar em alma em seu sentido original é feio. De qualquer maneira, o ponto é: nomes definem almas e são essas almas (ou como queira chamar) que expressam o discurso, que não existe por conta própria não. O Discurso não é o Espírito Santo, seu catatau.
Made on July 16, 2008 @ 7:41 pm
Catatau Says —
Mas que barbaridade, quem é esse niilista inconsequente que disse ser todo valor possível uma criação burguesa?
O grande problema, Adriano, é o grande abismo e o gigantesco jogo de conveniências que separa o discurso daquele que o enuncia.
Discurso por si não é nada, e para isso basta ver diversas manifestações populares dos últimos anos, que não surtiram efeito algum. Outras, surtiram: mas por que economia? Por que jogo de conveniências?
Discurso também não é nada, porque em todo lugar todo mundo diz muito, tem muita razão, e o que se vê de mudança não tem ligação necessária com esses discursos, mas apenas com o jogo que liga, quano oportuno, certo discurso a certa ação.
O fato é que hoje em dia, no ápice da individualidade, não se tem voz ativa, não se evita uma guerra, não se contrapõe o “discurso” à “barbárie”… a não ser que, por um jogo complexo, a voz se torne “privilegiada”. Mas o privilégio não vem de uma “razão”: ou provém da força, ou da autoridade.
Por isso é que no fundo não importa quem diz. Ele é reduzido a um mero ponto, apenas ativado quando convém, a quem convém, e segundo forças convenientes.
Some-se a isso nosso Brasil varonil, com a gigantesca confusão entre as esferas pública e privada, os bons relacionamentos públicos com dinâmicas privadas, e todo o conjunto de jeitinhos e cunhadismos que permite alguém - via de regra um imbecil - ter direito à palavra…
Tudo isso é o que faz um Bansky ser interessante. De repente, aparece uma expressão pura no muro. Quem fez? Ninguém sabe. Mas aquilo diz, e tem a dizer. Ou não tem nada a dizer, e é mera pichação…
Made on July 16, 2008 @ 8:33 pm
Fred Says —
Lembrou-me a famosa entrevista de filosófo Anônimo, na verdade, Foucault, para o Le Monde, se não me engano, em que ele indagava o que aconteceria se durante um ano, todas as publicações fossem anônimas.
Made on July 17, 2008 @ 5:37 pm
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