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July 8, 2008

A História das Neurociências, de um ponto de vista biográfico


 

A Society for Neuroscience publicou, inteiramente online, um livro em 5 volumes intitulado The History of Neuroscience in Autobiography (org. por Larry R. Squire).
 
Em cada capítulo, um autor escreve a respeito de sua inserção nas neurociências, e das descobertas. Está lá Paul MacLean, dentre outros.
 
Os livros são organizados em arquivos pdf, divididos por volume ou capítulo. (via AHP).

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Aliás, o AHP é um excelente weblog, sobre Psicologia. Faltaria apenas abrir a caixa de diálogos ;)

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Alguém saberia a procedência da imagem acima?
 

July 7, 2008

Nos trâmites, a lei de Eduardo Azeredo


Lembram do Projeto de Lei de autoria de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que grosso modo pretendia acabar com qualquer tipo de anonimato na internet? Algum tempo atrás, rendeu uma tira, que carrega vários de seus significados.
 
Pois agora o projeto de Azeredo será votado no senado. Dentre as várias consequências, está a criminalização do uso de redes P2P (emule, shareaza, kazaa, e outros), e a vigilância total dos provedores sobre a movimentação de cada indivíduo. Converter arquivo para Ipod, por exemplo, pode ser crime. Mais do que dizer que se trata de coibir a pirataria, é uma medida extrema que torna perigosa a situação de qualquer internauta-consumidor.
 
Coibe-se a pirataria, e diversas outras práticas que não se inserem nessa "categoria". Mas no mesmo movimento, abre-se espaço para diversas arbitrariedades de grandes empresas. Como comentou muito bem o Pedro Doria (em um post que deve ser lido), "é coisa de Estado policial e uma franca violação da liberdade". Com a diferença da "polícia" não se referir propriamente ao Estado.
 
Contra a "medida", vale assinar a petição on-line. Todos os dados sobre o projeto, aqui. E o Sergio Amadeu fez uma boa análise.
 
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O Brasil é um país muito engraçado: todo direito do cidadão apenas se garante retroativamente. Qualquer analista do discurso poderia escrever sobre o delicioso paradoxo: "cidadão", no Brasil, não é aquele que tem os direitos garantidos, mas aquele que busca seus direitos. Para que isso ocorra, o cidadão deve primeiro sentir-se lesado; em segundo lugar, conhecer os trâmites para que algo seja julgado; em terceiro, submeter-se à morosidade da justiça para qualquer julgamento.
 
Um belo exemplo é a recente promessa de fiscalização de alguns partidos políticos, sobre políticos com ficha suja. Líderes como Rodrigo Maia "contam com a ajuda" da mídia e da população para denunciar candidatos com situação irregular. Se é assim, quer dizer que não há investigação prévia do partido (que seria o principal interessado em um bom candidato), ou pré-requisitos para uma candidatura efetiva. Sempre se tem que "correr atrás".
 
Algo com resultados bem diferentes de leis como a de Azeredo. Nela, nenhuma empresa precisará correr atrás. 

Mais sete anos de Aquecimento Global e…


Nova previsão (dentre as várias), do IPCC:

"Temos uma janela de oportunidade de apenas sete anos, pois as emissões terão que chegar ao máximo até 2015 e diminuir depois disso. Não podemos permitir um atraso maior", afirmou.

(…) A União Européia quer limitar o aquecimento total desde a época pré-industrial a dois graus, objetivo também estabelecido por muitos cientistas.

Pachauri também alertou para esta meta, pois, segundo ele, estão surgindo provas de que a mudança climática está se acelerando mais do que o previsto. Ondas de calor e enchentes estão aumentando e as temperaturas subindo, o que causa o derretimento das geleiras.

Quem não parece muito preocupado é o povo da Islândia:

 

July 4, 2008

Piso de 950 reais por professor


Da ABN:

O piso de R$ 950 é uma antiga revindicação da categoria. O valor deverá ser pago para professores com carga horária de 40 horas semanais.  Pela proposta, o piso salarial nacional será implantado em todo o país, de forma gradual, até 2010.

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para a categoria, variando entre R$ 315 e R$ 1.400. Está prevista no projeto a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de piso nacional. 

Caso tomemos em conta as estatísticas da Catho, tem-se (dispondo o dado mais próximo do salário líquido):

Vendedor:

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Recepcionista:

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Segurança ("vigilante patrimonial"):

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Inéditos de Santo Agostinho encontrados na Alemanha


 

Presume-se… que os códices originais destes Sermões provenham de círculos muito próximos de Agostinho, tendo sido levados para Inglaterra, quando o Papa Gregório Magno (m. 604) enviou dois monges cultos (Agostinho e Hadriano, também africano) evangelizar a Grã-Bretanha.

Informes do Mare Nostrum e do Núcleo de Beira Interior. Fontes, aqui e aqui.

Iraqi Insights


There are more ideas on earth than intellectuals imagine. And these ideas are more active, stronger, more resistant, more passionate than ‘’politicians'’ think.

É, meu amigo. Só não esqueça que não foram elas que levaram à invasão de seu país, e não serão necessariamente elas que o "libertarão".

O Corvo em duas versões


 

Ilustração do poema, por Gustav Doré 

O Polaco da Barreirinha publicou duas versões do poema "O Corvo": a tradução de Machado de Assis; e sua própria, com Marcos Prado, Roberto Prado e Edilson Del Grassi. Muito boa!

A imagem “http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/Rap_01.gif” contém erros e não pode ser exibida.

 

July 3, 2008

Memória Roda Viva disponibiliza mais de 200 entrevistas disponíveis para pesquisa



Em junho, foi lançado o Memória Roda Viva, um novo canal de pesquisa na Internet. O site armazena o acervo do programa Roda Viva, da TV Cultura, e reúne a transcrição integral de mais de 200 entrevistas. A iniciativa, da Fundação Padre Anchieta e da Unicamp, conta com apoio da Fapesp. Dentre as personalidades que estão presentes no acervo do Memória Roda Viva estão Ayrton Senna, Dom Paulo Evaristo Arns, Drauzio Varella, Fernando Henrique Cardoso, Fidel Castro, Grande Otelo, Luís Carlos Prestes, Oscar Niemeyer, Patch Adams, Paulo Autran, Pedro Almodóvar e Plínio Marcos. O objetivo do site é oferecer o texto completo de todas as 1,2 mil entrevistas realizadas durante os 21 de existência do programa Roda Viva. O endereço do site é http://www.rodaviva.fapesp.br.

Fichas sujas, e pré-candidatos


 Da ABN:

O Democratas promete que vai punir candidatos às eleições municipais deste ano, que estiverem com ficha suja e não estiverem de acordo com o que determina resolução do partido, que trata das candidaturas do DEM. A garantia foi dada hoje (1º) pelo presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). Segundo ele, a resolução não restringe tudo, mas impede certas candidaturas.

“Não é razoável ter candidaturas de pessoas que estejam respondendo processos por crime hediondo. Também não é correto, por uma acusação do Ministério Público, cassar uma candidatura, nesse caso por improbidade administrativa, crime contra  a economia. Nós fizemos a restrição da pessoa já derrotada em segunda instância”, explicou Rodrigo Maia.

De acordo com Maia, o partido vai precisar do apoio da  imprensa e da sociedade para denunciar candidaturas do partido que firam a resolução, até porque o DEM não dispõe de estrutura para fiscalizar as candidaturas nos mais de cinco mil municípios.

“Vamos precisar, a partir do registro das candidaturas, do apoio da sociedade e da imprensa  para que a gente possa, naqueles casos aonde a resolução possa ter sido desrespeitada, tomar a atitude de que se faça cumprir a decisão do Diretório Nacional do DEM”, disse o presidente do partido.

Reconheçamos que não se trata propriamente de um problema exclusivo do DEM, mas… a história é deveras estranha, não? Como se admite uma candidatura para cargo público, partindo do pressuposto que o candidato tem seu histórico público sujo?

Isso apenas é possível se os interesses de uma candidatura não perpassam de saída interesses públicos. Um indivíduo pode se candidatar por outros motivos, que em nada tornam incômodo o candidato estar sob os olhos da Lei. Rodrigo Maia ainda endossa: avise-nos a nós, em tese principais interessados por bons candidatos, se o candidato não for bom.

Isso não é novidade no Brasil, e talvez a crítica pura e simples (isso é errado, então façamos com que apenas entrem candidatos com ficha limpa) não baste. Talvez deveríamos nos perguntar que mecanismo interessante é esse. Elegemos indivíduos potencialmente (ou de fato) criminosos, concedendo ainda diversos privilégios legais. Quando agora se começa a contestar tal procedimento, criamos uma espécie de vigilância, mas sempre retroativa. Não evitemos que candidato sujo se candidate, "sujeira" não é condição prévia. Mas se alguém se incomodar, e esse incômodo for suficientemente visível para que repercuta negativamente na imprensa e na opinião pública, sejamos então "justos". Façamos "cumprir a lei".

Alguma coisa torna bastante difícil os políticos investigarem seus co-partidários, e não é o tamanho de um partido. :D

July 1, 2008

O pedágio de Jacarezinho, e todos os outros


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Nos últimos tempos várias disputas judiciais envolveram uma praça de pedágios controlada pela Econorte (subordinada da desconhecida, mas sempre presente Triunfo Participações e Investimentos), localizada em Jacarezinho (PR), próxima a Ourinhos (SP).
 
Contra a TPI, a professora de Jacarezinho Ana Lucia Baccon criou o movimento "Fim do Pedágio de Jacarezinho". Ela moveu diversos recursos, de abaixo-assinados a ações judiciais.
 
Revisando a legislação, Baccon encontrou diversas irregularidades, como a localização da praça em limite municipal (divindo dois bairros de Jacarezinho), e o fato dessa praça ser transferida de outro local, sem licitação e concorrência, para onde agora está. A mudança da praça foi estratégica: saiu de outro posto com menor movimento, para cobrir o grande fluxo diário de moradores entre Jacarezinho e Ourinhos.  
 
A justiça determinou o fechamento da praça. Pelo que consta, a TPI revisa agora possibilidades de recurso
 
Até fechar, a praça cobrava 9,70 reais por veículo (!). Os moradores que transitavam entre as duas cidades próximas gastavam, portanto, em torno de 20 reais por dia. O movimento criado por Baccon fez uma grande passeata, até a praça de pedágio, para comemorar a nova conquista: muita gente não precisará mais perder 400 reais por mês com a justificativa de que foi pela "manutenção" das estradas.
 
Tudo isso traz vários elementos muito interessantes: em primeiro lugar, o caráter do pedágio, as relações com a legislação, a passeata popular de comemoração… A mídia apresentou o evento quase como uma espécie de pequena revolução, livre de certo caráter despótico.
 
Imagens à parte, toda ação da concessionária se prevê pelo contrato de concessão. Se na Constituição federal existe (pelo menos em tese) uma hierarquia de princípios (do direito de ir e vir à possibilidade de concessão das rodovias), é certo que diversas questões relativas aos pedágios não são bem resolvidas. Uma delas é o caráter público da concessão privada. Ora, temos de um lado um interesse público, que rege a intervenção privada. Mas os interesses privados não se fundem com os públicos. O fato da praça ser mudada para lucrar mais mostra muito bem: se de direito a concessionária "cuida" da rodovia em troca de uma quantia dos usuários destinada à manutenção, de fato é uma empresa, e visa o lucro. Qualquer medida que permita maximizá-lo será muito bem-vinda - para os dirigentes.
 
O que traz outro elemento curioso: o apoio quase cego da Concessionária no recurso à Lei, figurar como a imagem oposta do movimento popular criado por uma professora. Na Constituição, o direito fundamental de ir e vir é mais fundamental do que o Art. 150, I, V, que prevê a cobrança de pedágios. Isso quer dizer que nenhum jurista discordaria do fato de que qualquer pedágio apenas adquire legitimidade se consoante aos princípios mais fundamentais, que regem a própria possibilidade do pedágio. Em outras palavras, a Constituição não o diz explicitamente, mas um pedágio só adquire sentido e existência a partir daquele princípio mais fundamental, que rege os direitos de todos os "cidadãos" brasileiros se deslocarem.
 
Visto desse modo, o recurso exclusivo à lei feito pela Concessionária, diante do recurso à lei da professora e seu movimento, funciona como um mecanismo cego. Existe respaldo da lei para fazer o recurso junto à instância superior. Mas trata-se, claramente, de interesses privados, que se justapõem ao próprio caráter público que tornou possível haver, ali, um pedágio. É como dizer que, se a empresa recebeu seu espaço de atuação como prestadora de serviços públicos, agora ocupa o papel não do serviço público, mas do empreendimento privado.
 
Brigas judiciais como essa apenas perduram pela possibilidade de justapor os dois papéis da Concessionária. Algo que torna evidente: com boa parte do território já coberta por pedágios, o debate sobre os próprios pedágios nem começou.
 
Outra questão muito interessante é a da professora Baccon. Imaginemos agora práticas como a dela multiplicadas: a revisão da lei, adicionada a pequenos movimentos.
 
A imagem de capa da TPI também sugere muita coisa: a bela estrada, o carro isolado, plantação para todos os lados, e o solitário arbusto. Na legenda, "assim se constrói um país". Assim como? - aí está uma boa pergunta. ;)  
 
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E o pedágio foi novamente reativado… 
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