August 10, 2008
Constantine Cavafy - À Espera dos Bárbaros (1904)
O que esperamos na ágora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.
- Konstantinus Kavafis -
(tradução de José Paulo Paes. Original aqui, pesquisa de livros aqui)
Ressonância com a constatação de Daniel Lopes, de que o livro À Espera dos Barbaros, de J. M. Coetzee (pesquisa de livros), inspirou-se no poema.
Uma outra curiosidade refere-se ao músico Philip Glass. A partir do livro de Coetzee, ele compôs uma ópera.
***
Como vêem, estamos com layout novo, modificado "à unha". Não consegui testar em todos os navegadores ainda - existe alguma anomalia?








Comments »
Seja o primeiro a comentar!
RSS feed for comments on this post.
Deixe seu comentário