August 15, 2008

O diário de George Orwell

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Disponibilizaram na Teletela o diário de George Orwell, seu criador. O "Orwell Diaries" contém anotações pessoais, poemas, esboços de livros, fotografias e afins. Contém ainda um "Orwell Prize", premiação entregue duas vezes por ano para trabalhos literários e jornalísticos envolvendo política.
What I have most wanted to do… is to make political writing into an art. 
- Pesquisa de livros de George Orwell, e livros para download

China, Olimpíadas, e Kung Fu

Via grupo d´O Estrangeiro, uma entrevista com o Sinólogo Elias Jabbour, intitulada "Ocidente não tem moral para criticar":

Mas há a questão da censura…
É o seguinte: o país que mais controla a internet no mundo são os Estados Unidos, não a China. Hoje qualquer conteúdo de internet nos Estados Unidos é vigiado, muito conteúdo não é publicado e ninguém fala isso. Outra coisa: os americanos cassaram, no ano passado, 46 concessões de TV. A Venezuela cassou uma e foi aquela coisa que todo mundo viu. O ocidente, do ponto de vista da democratização e dos direitos humanos, está desmoralizado. Um país como a Inglaterra, que fez uma guerra contra a China para legalizar o consumo de drogas (NR: a chamada Guerra do Ópio, travada no século XIX) , pode falar alguma coisa de direitos humanos para a China? A chanceler alemã Angela Merkel disse que iria boicotar a abertura dos Jogos Olímpicos por causa da questão do Tibete; a Alemanha tem alguma moral para falar da China? Os imperadores alemães mandaram matar tudo quanto é chinês na ocupação da China no século retrasado. A história nos demonstra muitas verdades. O Ocidente é desmoralizado para dar lição de democracia para a China.

Se diz que na China o poder está nas mãos dos trabalhadores, mas há milhares de empresários, capitalistas, filiados ao Partido Comunista. A filiação de empresários é algo já institucionalizado no partido. O que garante que os empresários, sob essa ótica marxista, não vão assumir a hegemonia do partido e reverter essa situação? Não é contraditório?
A contradição é em termos, vamos dizer assim. O Partido Comunista da China expressa os interesses de toda a nação, e os capitalistas são parte dessa nação. A questão é a seguinte: os capitalistas têm poder ou não na China? Não tem poder, porque hoje eles são 0,003% do partido. Esse é um dado, e tem o outro lado da questão: esses empresários são resultado de que tipo de política e de qual tipo de partido? São resultado do Partido Comunista e tem de estar de acordo com esse partido. Não existe, no plano imediato - não vou falar do futuro porque não sou profeta (risos) -, a menor tendência de reversão de quadro, dos capitalistas terem poder. Esse partido tem condições de manter os capitalistas e o povo satisfeitos. De certa forma, os interesses deles são os mesmos, porque os capitalistas têm capacidade de empreendimento, que gera emprego, etc. Foi uma sacada política genial ter colocado os capitalistas debaixo desse guarda-chuva do Partido Comunista.

Continuando o assunto da China, faz anos que se falava sobre inserir o Kung Fu (ou Wu Shu, "Esporte Nacional") nos jogos. Até agora, pouca ênfase foi dedicada à arte chinesa. Pelo jeito, o resultado final foi organizar um campeonato simultâneo à Olimpíada, mas sem figurar na categoria "esporte de demonstração".
 

August 13, 2008

História dos Monstros

Encontrei um livro muito interessante, intitulado Histoire des Monstres depuis l´antiquité jusqu´a nos jours (link ruim de abrir!), de um certo Dr. Ernest Martin. A publicação, de 1880, não parece destoar de uma série de preconceitos eurocêntricos e retrospectivos (a temática da ‘descoberta’, do ‘progresso’, da ‘humanização’ do ‘monstro’, da ‘objetividade’ do ‘homem’, e assim por diante). Mas Martin reúne material muito precioso nesse livro, especialmente para quem busca compreender como surgiu noções como a de ‘normalidade’.

Além da temática histórica, o livro é bom para encontrar material sobre várias épocas. Já na Introdução,img375/2731/05ul6.jpg Martin menciona a ‘descoberta’ de Étienne Geoffroy Saint-Hilaire de um monstro embalsamado no antigo Egito, em 1826. O ‘monstro’ foi encontrado numa tumba de Hermópolis para ‘animais sagrados’, junto com um amuleto que representava um macaco. No fim das contas, tratava-se de um ser humano, "nascido de mulher", porém sem cérebro (um "acéfalo", conclui Martin); o tratamento do ‘monstro’ no antigo Egito carregava uma série de significados sacros, diversos dos de outros animais (papel simbólico e radicalmente diferente de tudo o que podemos imaginar!); e enfim, ‘descobria-se’ que, no mesmo movimento, para uma determinada cultura um indivíduo teria origem bestial, e ao mesmo tempo, estatuto sacro. Algo mais irredutível às nossas crenças?

Mas Martin não é Borges. Portanto, temos aqui um livro muito interessante de um autor do século XIX sobre a história da monstruosidade, recheado de referências.

 

Monsters and History

Some time ago i found a very interesting book, intitled Histoire des Monstres depuis l´antiquité jusqu´a nos jours , writed by an author named Dr. Ernest Martin. The book (of 1880) belongs to a XIX Century tradition of several eurocentric  preconceptions, specially anthropological, sociological, and anachronic. But the curious aspect of this book is the amount of historic informations and traditional significances about "monstruosity". The book is a interesting resource on subjects like history of "normality", and others.

Beyond the historical thematic, the book is interesting to found references of several periods. On the begining, Martin comments about a "discovery" by  Étienne Geoffroy Saint-Hilaire, of a "monster" found at ancient Egypt. The monster was found on a tomb near Hermopolis, for "sacred animals", together with an amulet representing a monkey. The "monster" was an human being, "been born of a woman", but without a brain (an "acephalous", according Martin). The social pratices related with the ancient Egipt "monster" implied several sacred meanings, different of other animals (a simbolic role, radically different of all that we can imagine!). At last, it was "uncovered" that, on the same way, for a determinated culture a determinated type of human being was in one way a "bestial" being, and in other a "sacred" being. Can we imagine something more irreducible to our beliefs?

But Martin isn´t Borges. By the way, it´s a very interesting book of an XIX century author, about "history of monstruosity", and stuffed of references.

***

O presente texto é uma repostagem, para a nova blogagem coletiva do "Nos ombros de gigantes", sobre História da Ciência (postagens até dia 15/8). Todos podem participar, em qualquer idioma. Basta escrever um post sobre algum livro ou assunto relacionado à história das ciências, e seguir os passos ditados lá.

Na edição passada, o Catatau participou com Vesalius e La Mettrie

Inclusive, poderíamos pensar em blogagens coletivas desse tipo em blogues brasileiros, alguém acha a idéia interessante? 

Quanto ao inglês, é de botequim mesmo emoticon 

Turbilhão de Ars Obscura

 Tale of the Rout of Mamai
 
Não apenas uma vez o Mr. PK mencionou, sobre o BibliOdyssey, que sua ocupação com o blog é cada vez maior conforme aumenta o público. Melhor para o leitor: posts como o último oferecem um turbilhão de referências. Este contém desde ilustrações da Divina Comédia, até ars obscura do século XIX.
 
Difícil digerir tudo, ainda mais sabendo que logo o próximo post já chega. Mas por isso mesmo nunca deixamos de elogiar a definição de "blogue" que utiliza o BibliOdyssey: ao invés de fechar o conteúdo naquele que escreve (quem é PK?), seu movimento é sempre conduzir o leitor para fora.

August 11, 2008

Processo de dano moral, para quem prometer e não contratar

A situação abaixo é familiar a muitos. Mudam-se apenas os elementos do contexto. Alguém não conhece caso semelhante?

Um vendedor (poderia ser um desempregado, ou qualquer outra pessoa) percebe a abertura de seleção em outra empresa. Como o salário é atrativo, ele faz a seleção, e a empresa o acolhe. Faz os testes admissionais, o exame médico, e abre uma conta bancária para receber o salário. Assina a carteira, recebe o crachá, e negocia a data de admissão.

Às vésperas do primeiro dia de trabalho, a surpresa: recebe da empresa o comunicado de que seu registro será invalidado, cancelado.

A partir disso, os exemplos variam: Se o contratado era empregado, deixou o emprego anterior para a obtenção do novo, que oferecia melhores condições. Se era desempregado, passou todo o tempo entre a contratação e a demissão sem procurar outros empregos. E esse tempo pode ser realmente longo.

(more…)

August 10, 2008

Constantine Cavafy - À Espera dos Bárbaros (1904)

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O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

 

- Konstantinus Kavafis -
(tradução de José Paulo Paes. Original aqui, pesquisa de livros aqui

Ressonância com a constatação de Daniel Lopes, de que o livro À Espera dos Barbaros, de J. M. Coetzee (pesquisa de livros), inspirou-se no poema.

Uma outra curiosidade refere-se ao músico Philip Glass. A partir do livro de Coetzee, ele compôs uma ópera

***

Como vêem, estamos com layout novo, modificado "à unha". Não consegui testar em todos os navegadores ainda - existe alguma anomalia?

Jeitinho Brasileiro, controle social e competição

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Essas três palavras justapostas são muito interessantes. Quando não havia ainda Brasil, ou quando Pero de Magalhães Gândavo ainda reclamava dessas terras carregarem o nome do pau de tinta, e não o da Cruz que poderia se construir com ele, um certo João Ramalho perambulava por comunidades indígenas angariando mais e mais esposas. O "cunhadismo" permitia a exploração de diversas práticas indígenas, para favorecer interesses pessoais e dos portugueses.
 
De algum modo, todo esse movimento do século XVI, que mostrava desde então o Brasil não ser um fim para os doravantes "brasileiros", mas apenas meio para interesses exploratórios, culminou no que hoje se chama de "jeitinho brasileiro".
 
O "jeitinho" atravessa a sociedade. Empregado para driblar mecanismos institucionais, ou até mesmo fazê-los valer, para alguns é o remanescente de antigas dinâmicas. Mostra a beleza do malandro e a união dos conviventes - mas ao mesmo tempo, a inanição das práticas institucionais. O brasileiro encontra no "jeitinho" o que o Brasil tem de melhor, e também o que tem de pior.
 
O Jeitinho Brasileiro, controle social e competição tenta trazer esse tipo de discussão para o contexto do trabalho. Por aqui, já discutimos como a noção importada de networking não pode ser empregada no Brasil como em outros países. Existe um filtro catatauesco, chamado "jeitinho".
 
 
- Pesquisa de livros sobre cunhadismo e "jeitinho". Pesquisa também sobre a coletânea "Intérpretes do Brasil", com os principais clássicos de estudos brasileiros.

August 8, 2008

Paraplégico volta a andar

Uma notícia muito interessante, da Mente e Cérebro:

Não se trata de transplante de células-tronco, mas de uma técnica especial e intensiva de fisioterapia. O relato do caso inédito de um menino de 4 anos e meio, que sofreu uma lesão na medula espinhal devido a um acidente com arma de fogo seis meses antes, foi publicado na revista Physical Therapy. Segundo os autores, da Universidade da Flórida, os exames clínicos indicavam que o garoto jamais iria recuperar a capacidade de andar, ou de ficar em pé.

A técnica consistiu em 76 sessões em que o garoto permanecia num equipamento, desenvolvido pelos pesquisadores, que o mantinha suspenso sobre uma esteira, enquanto três fisioterapeutas o ajudavam a movimentar as pernas como se ele estivesse marchando. Lentamente, a criança recuperou os movimentos e hoje caminha e vai à escola com a ajuda de um andador, com dificuldade de equilíbrio, que pode ser superada com o tempo.

Os pesquisadores alertam que esses resultados podem não se aplicar a outros pacientes com o mesmo tipo de lesão espinhal. Mesmo assim, a reabilitação da criança é um estímulo aos fisioterapeutas e mostra que ainda há muito a ser descoberto em termos de plasticidade neural em crianças com incapacidade motora.

O estudo se chama "Locomotor Training Restores Walking in a Nonambulatory Child With Chronic, Severe, Incomplete Cervical Spinal Cord Injury". Infelizmente, apenas o resumo está disponível (esse movimento das revistas fecharem o acesso é realmente estranho).

Nos últimos anos as técnicas de reabilitação avançaram muito. Deve ser interessante saber também os Meandros de como foi a lesão, e que tipo de recuperação ocorreu.

August 7, 2008

Quem está com a Razão: Sócrates ou Platão?

quanto mais me pergunto
mais aumenta a necessidade da resposta
antes de mudar de assunto
queria muito saber o que está
por trás daquela porta
se fosse uma escada de incêndio
não me preocuparia
se fosse uma porta de entrada
eu ficaria sem saída
tremendo o dedo de dúvidas
decido apertar a campainha

- thadeu wojciechowski -

August 5, 2008

Profecia

Tempos atrás o Desobediente (sempre ele!emoticon) enviou um texto de Uri Avnery, intitulado "Não atacarão o Irã". O tom:

Quem quiser adivinhar se Israel e/ou os EUA atacarão o Irã, deve examinar o mapa do Estreito de Hormuz entre o Irã e a Península Árabe. Por ali, por um pedaço de mar de apenas 34 km de largura, passam os navios petroleiros que carregam entre 1/5 e 1/3 de todo o petróleo do mundo, inclusive o que sai do Irã, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Qatar e Bahrain.

(…) Se Israel atacar sozinho, a operação será mais modesta. O máximo que os agressores israelenses podem esperar é destruir as principais instalações nucleares e conseguir escafeder-se sãos e salvos. Só tenho um pedido a fazer, pedido modesto: antes de começarem, olhem, por favor, mais uma vez, o mapa, no ponto onde está o Estreito que leva o nome (provavelmente) do deus de Zaratustra. A primeira reação, inevitável, se o Irã for bombardeado, será o bloqueio do Estreito de Hormuz. Já seria suficientemente evidente, mesmo antes das explícitas declarações de um dos generais iranianos do mais alto escalão, há poucos dias. O Irã controla o Estreito, em toda a extensão. Eles podem bloqueá-lo completamente, hermeticamente, com mísseis e artilharia de terra e naval. Se acontecer, o preço do petróleo disparará – para bem além dos 200 dólares/barril das estimativas mais pessimistas de hoje. Daí em diante, a reação será em cadeia: depressão mundial, colapso de todas as indústrias e explosão catastrófica do desemprego nos EUA, Europa e Japão.

Vale a pena ler o texto completo. Especialmente após uma notícia divulgada hoje:

Ao mesmo tempo em que seis potências nucleares divulgavam ontem um novo ultimato ao Irã, o comandante da Guarda Revolucionária iraniana, general Mohammad Ali Jafari, advertia que a república islâmica poderia bloquear o Estreito de Ormuz, uma importante rota de navegação na fronteira do país com o Iraque pela qual passam 40% das exportações mundiais de petróleo. (…)

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E a petição contra o Projeto substitutivo do Senador Azeredo já passa das 100.000 assinaturas. Quem não assinou, vale muito a pena. Sobre o substitutivo, e sobre seus princípios.