September 1, 2008
1 real e 70%
Em Curitiba, domingo a passagem de ônibus custa 1 real. Foi uma grande conquista da prefeitura, para demotizar o transporte (democratizar é outro assunto). Aliás, foi uma dupla jogada. Como sempre se disse que Curitiba era uma cidade "fria" - não apenas pela temperatura -, a iniciativa das autoridades foi, além de reduzir o preço, reduzir também a frota. Assim, todos os passageiros da cidade sorriso podem sorrir à vontade para os outros, em meio a um clima de maior calor humano.
Para chegar a esse resultado, além das contas para maior lucro, as empresas beneficiadas da prefeitura (pois em Curitiba não há licitação para as linhas públicas de ônibus) também contrataram especialistas em etologia humana para analisar os padrões dos passageiros.
Descobriram que, quando o ônibus não está lotadíssimo, as pessoas tendem a se acumular junto às portas.
Ora, se esse padrão é comum, a conclusão é óbvia: além de reduzir a frota, reduzimos também os ônibus! Assim, todos os passageiros terão maior contato, calor humano, e o trabalho de se acumular nas portas será desnecessário. Basta entrar no ônibus para ser aquele aperto geral. Visto que ninguém nunca reclama, só pode ser por prazer.
Resultado: a campanha da prefeitura está dando certo, e o prefeito Beto Richa tem 70% das intenções de voto para sua reeleição.
O TSE avalia a relação dessas medidas da prefeitura sobre a campanha eleitoral de Beto Richa. Alguns adversários acharam a medida estranha, mas admitiram ser curioso que a redução no número de ônibus, a redução dos próprios ônibus, e o aperto geral, contribuem muito para os altos índices de intenções de voto.





Leandro K. Says —
Acrescento ainda à sua louvável análise que apenas 30% da população curitibana utiliza o automóvel e que as inúmeras obras voltadas para a melhoria da circulação de veículos individuais (vide binários, destruição de praças e “reformas” em cada canto) acabaram por unir mais ainda os usuários de transporte coletivo, fortalecendo o eleitorado do psdb.
Beto, fica!
Made on September 1, 2008 @ 6:07 pm
George Says —
Sem falar no fantástico incentivo à utilização de bicicletas que a atual administração têm gerado, pois ao criar vias expressas para automóveis paralelamente ao abandono da idéia das ciclovias, tornou o ciclismo tão emocionante quanto as corridas de touros da Espanha, esporte antes privativo de motociclistas.
Made on September 1, 2008 @ 11:34 pm
Renato Says —
Muito bom, pena que este relato fica restrito a poucas pessoas. A grande massa nem imagina a aritmética da prefeitura e das empresas de ônibus.
Ônibus a um reau (sic), almoço a um reau (sic), biodiesel, etc…
Made on September 2, 2008 @ 1:34 am
joêzer Says —
morando em curitiba há 8 meses e provisoriamente sem carro (o provisório já dura exatos 8 meses), ando participando meio a contragosto do “domingão da redução”.
Made on September 3, 2008 @ 1:10 am
Arnoud Says —
Curitiba pode não ser o paraíso, mas é bem melhor que o inferno de muitas outras cidades do Brasil.
RE: Ok, mas onde o argumento chega?
Made on September 9, 2008 @ 4:39 pm