September 3, 2008

Henri Laborit

Quando não se pode mais lutar contra o vento e o mar para prosseguir seu caminho, há dois passos que pode ainda tomar um veleiro: a ousadia (a proa seguindo contra e o mastro abaixado) o submete à derivação do vento e do mar, e a fuga diante da tempestade aproveitando as ondas sobre a popa, utilizando um mínimo de vela. A fuga permanece, longe das costas, como a única maneira de salvar a embarcação e a tripulação. Permite também descobrir margens desconhecidas que emergirão ao horizonte das calmas reencontradas. Margens desconhecidas que ignorarão sempre os que tem a possibilidade aparente de poder seguir a rota dos cargueiros e dos petroleiros, o caminho sem imprevistos imposto pelas companias de transporte marítimo.
Henri Laborit (Éloge de la Fuite)

3 Comments »

  1. Thomás Says

    Linhas de fuga, novos territórios!
    Não conhecia esse texto. Muito bom!

    RE: É verdade, Thomás, é um autor muito interessante que ainda não compreendi bem qual a dele. Já viu “Meu tio da América”? Parece ser um filme inspirado nele. Mas é tão maluco que não motiva a encontrá-lo, ao contrário de escritos como o acima (rsss)
    Aliás, soube do Elogio da Fuga por um filme chamado Mediterraneo (conhece?)

    Made on September 4, 2008 @ 8:53 pm

  2. marcos mendonça Says

    Cabeça! Mon Oncle d’Amerique não é um filme que “parece ser” inspirado em Laborit. Na verdade, esse filme-documentário que Alain Resnais, de forma brilhante sintetiza todo um trabalho e pensamento de Henri Laborit no campo da psicologia comportamental (behaviorista). Em “Mon Oncle d’Amérique”, Laborit retoma as suas idéias, para defender que é preciso “desibinir a inibição do acto para prevenir o stress e as reações que podem pôr a vida em perigo. Mas não só isso, ele mostra que nossos comportamentos não são apenas influenciados pelo meio, país, região, cultura etc, que nos moldaram com toda uma gama de crenças, valores, percepções e deformações que geraram angustias, idiossincrasias, etc,

    Made on November 17, 2008 @ 8:46 pm

  3. marcos mendonça Says

    Além disso, entenda cabeça, Laborit em razão de seu aprendizado (histórico de vida) de médico e biólogo, de francês que lutou na 2ª guerra, de parisiense oriundo de um distrito, Vendarmie, salvo engano, cujas origens aguerridas remontam a Revolução Francesa, por tudo isso, além de suas pesquisas e intelecto. ele acredita que nós assim como demais animais superiores, trazemos uma forte carga genética ancestral, que a despeito de nossa aparente lucidez, civilidade etc, explicam comportamentos primitivos de territorialidade, agressividade etc, que comumente apresentamos, especialmente em situação de prova, entenda-se, de confronto, de stress, de medo, originando muitas vezes reações ditas “inexplicáveis”…..

    RE: Tem razão, Marcos.
    Talvez por não compreender a obra, eu não tenha compreendido o filme. Convenhamos, um filme estranho para quem não conheceu a obra… que por sinal, foi apresentada aqui como muito interessante, dado o conteúdo do Elogio da Fuga.
    Sobre o significado de “cabeça”, não discutirei sobre “comportamentos primitivos” e reações “inexplicáveis”. Pelo contrário, agradeço a visita, e sinta-se à vontade para colocar o que se escreve neste blogue à prova.

    Made on November 17, 2008 @ 8:49 pm

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