September 24, 2008
A lei da lei seca
3 meses atrás, sobre o nascimento da Lei Seca:
Citação: "Se for flagrado embriagado, o motorista vai ter que pagar uma multa de R$ 955 e tem suspensa por um ano a carteira de habilitação. Antes dessa lei o teor alcoólico permitido era de até seis decigramas de álcool por litro de sangue. Pela nova lei passa a ser obrigatório também o teste do bafômetro, antes opcional. Se o motorista se recusar a fazer o teste, ele sofre as mesmas sanções aplicadas ao motorista embriagado."Comentário: Moral da história: se uma lei não funciona, colocamos outra. Mas o problema da aplicação da lei estava na lei, ou na aplicação?
Voltemos ao dia de hoje. Já constatamos que, com a diminuição da fiscalização, aumentam novamente os índices de acidentes.
Nova moral da história: Para resolver o problema de fiscalização inexistente na lei antiga, criamos uma nova Lei Seca. Agora que falta fiscalização na Lei nova, criaremos uma nova Lei da Lei Seca?
***
Assim poderíamos imaginar um conto borgeano, sobre um lugar que criasse sempre novas e novas leis. Uma lei não sendo fiscalizada na prática, cria-se outra lei, em segunda potência. Teríamos a progressão: Lei, Lei2, Lei3, Lei4, LeiN…
Desse modo, um dia as leis seriam tão dinâmicas que, progressivamente, um número menor de contravenções motivaria cada vez mais uma nova lei, até o ponto em que apenas uma contravenção motivaria a redação de uma Lei nova.
Esse novo jardim infinito das leis geraria um curioso efeito nas contravenções: a cada lei nascente que não se fizesse valer, o número de contravenções aumentaria. Isso motivaria mais ainda a criação de novas leis, e mostraria ser o ramo das leis o único possível de se criar algo formal, fugindo das práticas criminosas espalhadas mundo afora.
Diante de tantas leis e contravenções, os legisladores seriam ovacionados pelo povo marginal. Mundo "ideal", apenas nas Leis. De resto, a barbárie. A ponto de, um dia, o próprio povo tornar-se motivo de desconfiança: não seria ele essa massa de seres irresponsáveis, razão de nossa existência e trabalho árduo?
E a classe legisladora continuaria seu trabalho infinito. Afinal, era da ineficácia de toda lei que se retirava a garantia de seu ofício, e todos os seus privilégios.















5 Comments »
Marcus Says —
Valeu pelos links, Catatau. Já estou passando adiante.
Made on September 24, 2008 @ 2:29 pm
Luciana Christante Says —
Oi Catatau, obrigada pelo comentário lá no Histórias. Adorei seu blog e já linkei. Espero que a gente possa sim trocar figurinhas.
Em relação a este post, me lembra “O alientista do Machado”, a associação é meio indireta, mais pelo efeito em cadeia (absurdo e inútil).
Tudo de bom, Bjs
Luciana
RE: É verdade, Luciana, o Alienista é um bom exemplo! E o Machado acabou dando um termo à cadeia de redundâncias, rssss
Obrigado pela visita, sigamos!
bjs,
Made on September 25, 2008 @ 12:58 pm
Fred Matos Says —
Peço vistas, para acompanhar o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, ou será Direita?
Abração.
RE: Oi Fred,
Não entendi a que você se referiu, pode comentar mais?
abraços,
Made on September 25, 2008 @ 10:27 pm
George Says —
E que tal se o afã de criar leis cada vez mais perfeitas engendrasse a lei final:
Eliminar a causa primária da ilegalidade: o homem, que seria substituído por outros seres, integralmente regidos por uma lei simples e perfeita, que jamais poderia ser desobedecida: a lei da selva.
Made on September 27, 2008 @ 1:43 am
Cássio Augusto Says —
“Agora que falta fiscalização na Lei nova, criaremos uma nova Lei da Lei Seca?”
Bom!!! Lei só é boa quando aplicada!!! é proibido tanta coisa…
Made on October 1, 2008 @ 9:30 pm
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